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29 Jan 2005

Eppur Si Muove

Escrito por 

O Fórum Social Mundial fornece um bom exemplo de que as ideologias marxistas, malgrado o fracasso de todas as suas experiencias, ainda movem multidoes.

O Fórum Social Mundial fornece um bom exemplo de que as ideologias marxistas, malgrado o fracasso de todas as suas experiencias, ainda movem multidoes.

Em princípio, nada lhes seria mais desalentador nem comprometeria tanto sua propagaçao quanto o exercício do poder. Quando isso ocorre, tem-se sempre uma dentre tres possibilidades: ou a ideologia vai para as cucuias, ou se implantam regimes totalitários que produzem o colapso da sociedade, ou nao se implantam tais regimes e o colapso ocorre do mesmo modo. Dado que nao há exceçao na história, cabe indagar como tal ideário, com tudo para estar sepultado junto com o nazismo e o fascismo, continua a incendiar a imaginaçao de tanta gente. "Eppur si muove"! Como é possível?

Após anos de debates sobre temas políticos e ideológicos com militantes e intelectuais alinhados com essas correntes de pensamento, creio poder apontar as causas essenciais de sua resistencia e mobilidade. De um lado estao problemas reais de natureza política (quando a política nao funciona, seja no plano nacional, seja no internacional, fica fácil confundir as coisas e atribuir ao "modelo" a causa dos males que ocorrem). De outro está a enorme desinformaçao, desconhecimento de história e despreparo que caracteriza o cidadao comum, vulnerável, portanto, a quaisquer tolices que lhe proponham com fisionomia vantajosa. De outro, ainda, estao as estratégias adotadas pela esquerda nos contraditórios que enfrenta.

Também elas sao, basicamente, tres. A mais freqüente é a que foi ensinada por Brecht a seus camaradas em Die Massnahme: "Quem luta pelo comunismo tem de poder lutar e nao lutar; dizer a verdade e nao dizer a verdade; manter a palavra e nao cumprir a palavra, etc., etc., etc". E ele tinha razao. O mentiroso treinado é o mais difícil adversário num debate. Em seguida vem a estratégia da desqualificaçao do opositor. Caluniam-no e lhe atribuem as piores intençoes, sujeitando-o a um paredón moral. Eis o motivo pelo qual se tornaram peritos em destruir reputaçoes de modo tao impiedoso quanto o usado pelos seus famosos tribunais revolucionários para executar oponentes. Por fim, vem a estratégia de atribuir ao adversário algo que ele nao disse e atacar essa afirmaçao com mil demolidoras razoes, dando a impressao de que, ao refutarem o que nao foi dito, estao contestando o que  foi dito e é irrefutável.

Nada muito ético, como se ve. Contudo, quando se conhece a técnica usada, fica mais fácil enfrentá-la.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:24
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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