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12 Mai 2016

UM GOVERNO PARA TEMER

Escrito por 

São muitas ilações? Talvez mas são ilações possíveis. Ou seja, para Dilma pode estar presente um velho ditado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. No caso, agradar o petismo significa afastar o PMDB do governo; chamar o PMDB, significa comprar briga com o petismo.

 

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 01/11/2010

A vitória petista nas eleições presidências está sendo atribuída, por diversos analistas, como uma vitória pessoal do lulismo. De fato é. Dilma somente venceu as eleições porque teve como cabo eleitoral o presidente Lula. Isto é inquestionável. Fosse considerada a biografia, ou a experiência política da candidata oficial, jamais o Brasil veria a ex-ministra da Casa Civil ser guindada à presidência da República.

Várias são as análises suscitadas a partir de agora, para o futuro governo Dilma. E aqui estar-se-á fazendo mais uma.

Com grande habilidade (ainda que para prejuízo do país), soube Lula compor seu governo, se valendo de alianças políticas que lhe valeram sólida base parlamentar no Congresso Nacional.

Soube, por exemplo, atrair o PMDB de Sarney para o governo sem permitir que este partido sequer se aproximasse do núcleo duro do poder. Estava o PMDB na esplanada dos Ministérios mas longe do Palácio do Planalto. Lula conseguiu, de certa forma, domesticar os ímpetos políticos do PMDB na condução do país. A cessão de ministério, na verdade barganha política, foi o meio inteligente de o governo petista ceder espaço político para o PMDB, mas sem permitir a atuação em áreas sensíveis do governo Lula. Defesa, com Jobim e Saúde, com Temporão, podem ser considerados os expoentes peemedebistas no governo petista. Previdência, Justiça, Planejamento, Fazenda, nas mãos do PT, é claro.

Por outro lado, Lula, por estar acima do próprio PT, ser uma figura messiânica que manteve o partido vivo após a eclosão de escândalos sucessivos, também freou o petismo em seu governo. José Dirceu, Palocci, Gushiken, entre outras figurinhas carimbadas do petismo, foram sendo colocadas na geladeira do lulismo, para evitar maiores danos ao governo Lula.

E Dilma?

Quando no horizonte eleitoral se amoldava a vitória do PT nas eleições presidenciais, na Bahia, José Dirceu, em reunião com petroleiros, soltou o verbo. Em síntese, mesmo reconhecendo ser  Lula maior que o próprio PT, um governo Dilma permitiria que o PT fosse o PT, afinal Lula não mais estaria no Palácio do Planalto.

Uma questão importante de se verificar é como Dilma administrará um grande problema que terá em suas mãos: controlar o PT e o petismo, de um lado, e o PMDB, de outro.

Em um jogo de suposições, é perfeitamente possível que o PMDB, sentindo que continuará desprestigiado politicamente (nas campanha dilmista, pouco ou nada se falou deste partido!!!), pule fora do governo de Dilma. Foi próprio PMDB quem reclamou por mais espaço na elaboração do programa de governo de Dilma!!! Antes mesmo de vencer as eleições, peemedebistas já falavam em aumentar sua fatia nos ministérios!!!

Eis o problema. E se o PMDB pula fora do barco petista, indo para a oposição, ou mesmo uma formal neutralidade, podem começar a soar os sons de impeachment da então presidente Dilma. Por que? Quem será o vice-presidente da República? Michel Temer, do PMDB!!!

São muitas ilações? Talvez mas são ilações possíveis. Ou seja, para Dilma pode estar presente um velho ditado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. No caso, agradar o petismo significa afastar o PMDB do governo; chamar o PMDB, significa comprar briga com o petismo.

Por isso pode ser que o próximo governo seja de temer.

Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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