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14 Abr 2016

COXINHAS ROUANET - O ARTIGO QUE NÃO SAIU

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Durante a comissão que aprovou nesta segunda o relatório pelo impeachment de Dilma, o deputado José Guimarães começou a falar que Lula estava reunido na Lapa com artistas quando imediatamente opositores gritaram “coxinhas” e “Rouanet”, para constrangimento do petista. A menção aos artistas mostra como os petistas julgam relevante o apoio dessa classe de famosos (uns nem tanto), como se desse um verniz de popularidade que o bando não mais dispõe.

 

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Durante a comissão que aprovou nesta segunda o relatório pelo impeachment de Dilma, o deputado José Guimarães começou a falar que Lula estava reunido na Lapa com artistas quando imediatamente opositores gritaram “coxinhas” e “Rouanet”, para constrangimento do petista. A menção aos artistas mostra como os petistas julgam relevante o apoio dessa classe de famosos (uns nem tanto), como se desse um verniz de popularidade que o bando não mais dispõe.

O povo é, para petistas, uma grande abstração, quando não uma massa de manobra. Os petistas não são nem contam com o apoio do tal povo faz tempo. Vivem em meio às elites corruptas ou corrompidas ideologicamente, bebendo os vinhos mais caros, andando de jato particular para todo lado, isolados em coberturas com elevador privativo. A imensa maioria da população brasileira quer o impeachment. Mas o PT ainda fala em povo, ao lado de caciques da política oligárquica, de empreiteiros presos e de artistas milionários.

A última vez em que Chico Buarque viu “povo” na vida deve ter sido quando deu alguma ordem aos seus empregados. Em seus shows só vai elite. Alguém comprar a tese de que Chico Buarque e companhia representam o “povo” é realmente algo inimaginável. Mas o PT insiste, pois não tem mais nada. Foi abandonado pelo povo verdadeiro há tempo, desde que vieram à tona os infindáveis escândalos de corrupção, desde que destruiu milhões de empregos e produziu mais miséria.

A quadrilha disfarçada de partido se cerca, então, de alguns famosos e outros que vão na aba para tentar manter as aparências de popular, talvez acreditando na própria mentira de que a Música Popular Brasileira (MPB) seja mesmo… popular. Que piada! Popular são as igrejas evangélicas. Popular é o funk ou o rock. MPB é e sempre foi consumo de elite. Nada contra, até porque nem tudo que é popular é bom. Mas se é a própria esquerda que tem preconceito com a elite, precisa enfrentar a dura realidade: ela é da elite!

Esses artistas, como disseram os deputados de oposição, são os verdadeiros “coxinhas”. Qual foi a última vez em que Chico Buarque entrou num ônibus comum? E sim: muitos estão pendurados em tetas da Lei Rouanet. Como o cão não morde a mão que o alimenta, vários desses artistas que têm no estado seu “mecenas” acabam se curvando diante do poder. Criam uma aberração chamada “rebeldes a favor”.

O artista precisa ser do contra, atacar o “sistema”. Quando ele é agente de propaganda do próprio sistema, fazendo proselitismo do governo, sente-se estranho. Daí essa coisa esdrúxula dos defensores do PT “críticos” do “sistema”, como se o PT não fosse governo há mais de 13 anos ao lado das oligarquias e da elite. Cúmplices de Marcelo Odebrecht condenando as elites, ao lado de um ex-presidente milionário e de artistas igualmente ricos: pode haver algo mais ridículo?

Mas claro que o PT, sempre ridículo, precisa manter a narrativa de vítima das elites golpistas. E é exatamente o que vem tentando fazer, sem convencer ninguém. Lula mesmo, nesse evento chapa-branca na Lapa, disse que a derrota de Dilma na comissão “não significa nada”. Ou seja, o resultado da votação dos deputados eleitos pelo povo, numa democracia representativa, não diz nada ao ex-presidente, que demonstra não ter apreço pela democracia. Ela é apenas uma “farsa” para chegar ao poder, não é mesmo? Lula admira o tirano Fidel Castro até hoje, como Chico Buarque também. Democratas?

“Meu sangue é vermelho. Quem tem sangue amarelo é porque está com hepatite”, disse Lula, afirmando que não quer dividir o país, mas dividindo. Compara, dessa forma, todos os milhões de brasileiros decentes que saíram às ruas para protestar contra o governo mais corrupto e incompetente da história com doentes. É o desprezo que o PT sente pelo povo na prática. A máscara caiu de vez. Sobrou apenas o apoio desses “coxinhas Rouanet” e de alguns pobres coitados que são explorados em sua ignorância e desespero com mortadelas.

É tudo muito abjeto, muito nefasto. E que artistas “populares” se prestem a esse papelão é algo indecente, que vai cobrar seu preço em termos de público. Boicotar esses adesistas do golpe petista será um passo natural de milhões de consumidores indignados e revoltados com essa situação absurda. Os ricos artistas não precisam se preocupar com o “povo”; esse já não frequenta seus shows nem compra seus discos. Mas deveriam ficar – e ficam – preocupados com a reação da própria elite burguesa, tão ridicularizada por eles, mas que garante seus cachês milionários e suas vidas de nababos capitalistas. Nem só de Rouanet vivem os artistas…

 

 

 

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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