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23 Jan 2005

Instituto Jeca Tatu

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Se o amadurecido presidente não fala corretamente nem o idioma nacional e comanda nossa política externa, o Itamaraty pode, muito bem, abrir as portas para quem ler três livros.

No dia 18 de março de 2004, durante pronunciamento na inauguração de um restaurante popular da Coca Cola em Belo Horizonte, o presidente Lula declarou: "Eu passei tanto tempo da minha vida, achando que ser antiamericano era não beber Coca-Cola. Depois eu fui ficando mais maduro e percebi que, quando a gente levanta de madrugada, e tem uma Coca-Cola gelada na geladeira, não tem nada melhor". Pois o que sobrou de antiamericanismo no Lula maduro é mais nocivo do que não tomar Coca-Cola.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, sob o comando de Celso Amorim nos dá uma pista ao eliminar o domínio do idioma inglês como uma das condições preliminares para acesso ao Instituto Rio Branco. Suponho que se trate de um chute na virilha de Bush e outro no tornozelo de Blair.

Camões agradece, mas dispensa a cortesia. Nossos futuros diplomatas, informa-se, aprenderão inglês posteriormente, se e quando forem ocupar postos no Exterior. Outra etapa dessa excepcional qualificação inclui uma prova com o secretário-geral do ministério, Samuel Pinheiro Guimarães. Nela os futuros diplomatas terão que demonstrar conhecimento pessoal sobre o conteúdo de três livros. Inteiros. É mole? Exatamente oito centímetros na prateleira. E não apareçam com um quarto livro. Aí deve ser o examinador quem se atrapalha. Ah! As três obras são em língua portuguesa, claro: "Brasil, Argentina e Estados Unidos", de Moniz Bandeira, obra prefaciada pelo próprio Samuel Pinheiro Guimarães; "Pensamento Econômico Brasileiro", de Ricardo Bielschowsky e "Biografia do Barão do Rio Branco", de Álvaro Lins.

Se o amadurecido presidente não fala corretamente nem o idioma nacional e comanda nossa política externa, o Itamaraty pode, muito bem, abrir as portas para quem ler três livros. E se o sujeito for mais preparado terá problemas. Incorrerá em suspeita de pertencer à elite, condição desprezível, cuja eliminação da vida diplomática constitui a declarada razão principal das simplificações introduzidas pelo Itamaraty em seus exames de seleção.

Filho de visconde, ele próprio barão do Império, poliglota, jornalista, historiador, professor, diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, José Maria da Silva Paranhos Júnior foi o criador da diplomacia nacional. Pois é esse péssimo exemplo de brasileiro, esse grã-fino, que dá nome ao Instituto Rio Branco. Já passou da hora, sob a batuta de Lula e Celso Amorim, de lhe conceder novo patrono. Sugiro Instituto Jeca Tatu.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:25
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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