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24 Mar 2016

DIÁRIO DO OLAVO: INTERVENÇÃO MILITAR, RETÓRICA POLÍTICA E LULA, O PSICOPATA

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O tal ministro Aragão está com a cuca cheia de Santo Daime. Ele diz que a gravação do Lula não vale porque foi uma conversa privada. Mas grampo, por definição, é de conversa privada. Ninguém grampeia o que um sujeito diz em público.

 

Uma intervenção militar deveria ter ocorrido tão logo se revelaram os planos continentais do Foro de São Paulo e a montagem do esquema de corrupção criado para sustentá-los. Quando alguns patriotas entusiastas começaram a clamar por ela em 2015, já era tarde. Uma próxima oportunidade, só em caso de agressão externa, uma ameaça que deveria ter sido abortada, no máximo, até 2005, quando Lula fez o seu célebre discurso no décimo quinto aniversário do Foro. A imprevidência é, como sempre, uma das forças históricas mais decisivas.

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Tanto a longa omissão das Forças Armadas quanto sua possível ação tardia em face de uma agressão externa que poderia ter sido evitada, terão sido tremendamente impatrióticas. NADA no mundo, nenhuma esperteza, nenhuma estratégia, nenhum cálculo inteligentíssimo, substitui a ação correta e justa inspirada pelo verdadeiro amor ao bem.

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Vinte anos atrás já expliquei, em conferências pronunciadas em instituições militares, toda a preparação do esquema agressivo internacional criado para dar respaldo aos comunistas brasileiros no poder. Se, agora que esse esquema está pronto para entrar em ação, os militares o alegam como desculpa para a sua omissão no momento, isso não explica os vinte anos de omissão durante os quais eles simplesmente esperaram que o esquema crescesse e se consolidasse.

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Não duvido, que na cabeça de pelo menos alguns oficiais militares, só existam duas possibilidades: ou o poder total, ou nada. Não estão dispostos a intervir para devolver o poder ao povo, mas intervirão para dá-lo a si mesmos. Só que, para isso, é preciso esperar que a situação se agrave até o ponto de uma agressão externa. Aí sairemos de uma ditadura comunista para cair numa ditadura militar, que o povo desesperado aplaudirá como salvadora da pátria.

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Quando me perguntam se existe a possibilidade de uma guerra civil no Brasil, tenho respondido invariavelmente a mesma coisa: o que é mais possível é uma agressão externa camuflada sob uma tênue aparência de guerra civil.

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Joe Patriota: Você está chegando atrasado. Mais de um ano atrás já expliquei todas as dificuldades que, no plano internacional, dificultam ou bloqueiam até agora uma ação das Forças Armadas. Mas isso não impede que, esperando uma agressão externa para só então agir, elas então entrem em campo carregando, justa ou injustamente, a culpa de nada ter feito para impedir que essa possibilidade temível se concretizasse.

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A declaração do general Vidas-Boas, de que "é lamentável o clamor por intervenção militar" é o fingimento mais cínico dos últimos tempos. NINGUÉM, nas passeatas recentes, está clamando por intervenção militar. Ninguém, neste país, precisa de você, Vidas-Boas, nem dos seus passistas de escola de samba fardados -- que foi a isso que você reduziu os nossos soldados. Mas POR QUÊ você se faz de solicitado, quando ninguém lhe solicitou nada? Por que esse teatrinho? É a mesma encenação do "Não vai ter golpe" no instante mesmo em que se dava o golpe. O que você quer dizer, Vidas-Boas, é que vai haver intervenção militar, sim. Já houve. Suas palavras JÁ SÃO a intervenção: intervenção contra o povo, em defesa dos seus patrões.

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Ô, Vidas-Boas. Não precisamos de você. Vá lá cuidar do mosquito.

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É claro que, num caso de agressão externa, nenhum brasileiro recusará apoio às Forças Armadas. Mas esse apoio teria sido muito mais entusiástico se elas tivessem agido em tempo de impedir essa desgraça, em vez de esperar para salvar a pátria "in extremis".

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Parece que todo mundo, no Brasil, está vivendo no passado, repetindo scripts caducos. Uns têm saudades da guerrilha continental dos anos 70; outros, do tempo em que os guerrilheiros estavam na cadeia. Não há, em todo o país, um número suficiente de cérebros interessados em compreender a situação internacional de hoje.

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A esquerda tem de renovar seu estoque de rótulos infamantes. Esse negócio de fascista, golpista, machista, racista e homofóbico não pega mais.

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A direita tem o problema oposto: inventa uns rótulos tão originais e rebuscados que ninguém entende. Por exemplo: sionista muçulmano.

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Mutações gramscianas do sentido das palavras. Nos anos 60-70 do século passado, "careta" era quem não fumava maconha. Agora a Folha de S. Paulo está popularizando o uso do termo para designar quem não gosta da idéia de casamento gay.

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Como observei abundantemente nos últimos dias, ATÉ HOJE a retórica da esquerda repete o vocabulário de cacoetes verbais da campanha "antifascista" criada nos anos 30 do século passado por Willi Münzenberg para camuflar a colaboração secreta da URSS com o governo de Hitler, que culminaria na invasão conjunta da Polônia. Basta isso para avaliar a extensão e profundidade da influência da KGB na história cultural do mundo. Até num país periférico e falido a voz de Stalin ainda ecoa por meio de milhões de bocas, decorrido o prazo de quase um século. Basta também para medir a vulnerabilidade patética do Ocidente a essa influência, tanto mais penetrante quanto menos reconhecida publicamente.

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Quando um conservador diz que o sexo é um fato biológico mas o gênero é apenas um categoria sociológica, ele só mostra o quanto o seu cérebro já foi dominado pela linguagem do adversário. Gênero não é nem nunca foi uma categoria sociológica. É uma categoria meramente gramatical à qual se pretende, pela propaganda repetida, dar uma dimensão sociológica.

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A mim me parece que o Lula é perfeitamente sincero quando se sente a vítima inocente de uma perseguição. Ele simplesmente não percebe o quanto sua conduta é imoral, criminosa e abjeta. Ele é REALMENTE um psicopata, incapaz de sentir culpa, imbuído de um código moral muito peculiar no qual, faça o que fizer, ele permanece limpo, santo e isento de pecados. Os outros é que são malvados e não o compreendem. É um tipo socialmente inútil e perigoso, ao qual não seria prudente dar nem mesmo um emprego de faxineiro.

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Lula tem a autopiedade característica dos desalmados. Pobre também fui eu, a diferença é que enquanto o Lula enrabava cabritas eu estava era delirando de febre e tomando injeções diárias de Benzetacil na bunda. E nem naquela época chorei ou reclamei: minha mãe conta que eu era o cidadãozinho mais resignado do planeta.

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Se quando o Lula estava no auge do sucesso ele choramingava de autopiedade por sua infância de menino pobre, imaginem quando estiver na cadeia...

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O tal ministro Aragão está com a cuca cheia de Santo Daime. Ele diz que a gravação do Lula não vale porque foi uma conversa privada. Mas grampo, por definição, é de conversa privada. Ninguém grampeia o que um sujeito diz em público.

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Se há um personagem com quem me identifico na literatura universal, é o Pedro de "Guerra e Paz" de Tolstói -- o homem cuja maior aspiração na vida é ver e compreender. Nossa única diferença é que, dada a oportunidade que ele teve, eu não hesitaria um minuto em meter um balaço na cabeça de Napoleão, no mínimo para ver como ficaria o mundo depois disso.

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Experiência da vida: por trás de todo pepino tem um pepino maior.

Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, estado de São Paulo, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros. A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo este que se perde de vista quando o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica.

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