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18 Mar 2016

A MAIOR GLÓRIA QUE HÁ

Escrito por 

Enfim, ver o filme Cristiada e refletirmos sobre o estado de espírito reinante no Brasil, a maior nação Católica do mundo, é algo que nos faz temer e tremer sobre o destino de nossa pátria e, principalmente, de nossa alma. É isso! E tenho dito: Viva Cristo Rey! Que Viva!

 

“Não quero rezar para me proteger dos perigos, mas para ser destemido ao encará-los”. (Tagore)

* * *

Há livros e filmes que mexem profundamente conosco. Obras que literalmente nos viram de cabeça para baixo e nos fazem repensarmos a nossa maneira viver.

Esse é o caso do filme Cristiada (2012) sobre a Guerra dos Cristeiros no México. Filme esse que, ao seu término, fez-me prostrar-me ao chão em meio a riachos de lágrimas e soluços desconcertantes coberto pela solidão e pelo silêncio da escura noite.

Após essa experiência estética e mística a prece, escrita por Santo Anacleto e recitada pelos camponeses mexicanos, passou a integrar meu modesto repertório de orações, que diz: “¡Madre Santa de Guadalupe!, acompaña en su agonía a este pobre pecador. Concédeme que mi último grito en la tierra y mi primer cántico en el cielo sea ¡Viva Cristo Rey!”

Inúmeras cenas dessa película foram gravadas em minha alma com um incandescente braseiro, cenas que carregavam em seus movimentos verdades universais que são inegáveis, mas que, por minha natureza decaída e soberba, muitas vezes em minha porca vida acabei por vergonhosoamente virar minhas costas a elas.

Duas coisas, nesse momento em que estou sulcando essas linhas, veem a minha mente que foram-me suscitadas pelo filme em questão. A primeira é a questão central para a filosofia e, consequentemente, para todo indivíduo humano que perambula aturdido por esse vale de lágrimas: a existência de Deus.

Guimarães Rosa dizia sempre aos seus amigos mais chegados que essa era, de fato, a única questão que importa. É o rochedo sobre o qual está edificado todo o sentido da existência. Ele, existente ou não, é o grande divisor. Se o Divino não existe e nós vivemos como se existi-Se, estaríamos cometendo uma tolice; se Ele existe e nós vivemos que se não existi-Se, estamos cometendo um gravíssimo erro. E se desdenhamos essa questão estamos sendo mais do que inconsequentes.

Não consigo deixar de pensar nisso quando rememoro as imagens do filme em questão e a força dramática das personagens que, de fato, deram um testemunho contumaz da Verdade que dava sentido as suas vidas perdoando seus algozes, como o fez Santo Anacleto, ou cantando glórias a Virgem de Guadalupe a Cristo Rei durante o suplicio, como o fez o infante Bem-aventurado José Sanchez Del Rio, cujo corpo permanece incorrupto, ainda hoje, dando testemunho Daquele que tudo criou, mas que a ordem jurídica e política Mexicana do começo da centúria passada não somente desprezavam, mas também e fundamentalmente combatiam.

Outro ponto que fazem minhas vistas saltarem é o fato de que aquelas almas tão audazes quando piedosas lutavam apenas pelo direito de viver a sua fé, pelo direito de ver e ostentar os símbolos dessa, como a possibilidade dos sacerdotes de Cristo apresentar-se publicamente com suas batinas.

Resumindo o entrevero: eles queriam o direito de poder assistir uma Santa Missa. Direito esse que lhes era negado na forma de um ato de genocídio cultural que, em regra, sempre antecede o genocídio literal, como tantas vezes ocorreu no correr do século XX.

Pois é, eles deram suas vidas por isso. Nós, por nossa deixa, vemos diariamente os valores e símbolos cristãos serem enxovalhados, assistimos embasbacados a aprovação de leis e a aplicação de medidas administrativas que visam minar e dissolver tudo aquilo que muitos de nós dizemos ser inegociável, mas que, ao contrário dos Cristeros, covardemente nos mantemos calados como se tais impropérios nada tivesse haver conosco. Preferimos insultar a Deus a desagradar as potestades desse mundo infame.

Exemplo gritante disso que estamos dizendo, situação que fariam qualquer fiel da paróquia do Padre Pro riscar o facão no chão, são as cenas blasfemas manifestas em várias passeatas do orgulho gay ou em protestos de feministas radicais. Em especial, lembramos uma onde um homem vestido de Papa com um cálice em uma mão e na outra uma caminha, fazendo às vezes do santíssimo sacramento, homem esse que se auto-intitulava Papa Bento XXIV. Outro, não menos ignóbil, foi um casal que, por ocasião da visita do Papa Francisco I, destruiu e masturbou-se com imagens de Nossa Senhora e com crucifixo – não necessariamente nessa ordem.

Bem, a pergunta que não quer calar - cuja resposta todos sabem - é: qual foi a reação dos fiéis? Qual foi a atitude apresentada pelos sacerdotes? Enfim, qual medida foi tomada pela famigerada CNBB do B? Apenas uma reação tão insípida quanto nossa fé, tão mesquinha quanto o nosso amor por Aquele que por nós se entregou na Santa Cruz.

Pois é. Pra chacoalharmos as cadeiras, ou fazer firulas para acavalhar com uma missa celebrada à margem das rubricas do missal, todos estão dispostos; porém, se for preciso desafiar as diabruras materialistas do Estado brasileiro moderno, com suas inclinações ateísticas e niilistas, escondemo-nos todos, feito baratas que rastejam entre o entulho jururu que restou de nossa fé.

Enfim, ver o filme Cristiada e refletirmos sobre o estado de espírito reinante no Brasil, a maior nação Católica do mundo, é algo que nos faz temer e tremer sobre o destino de nossa pátria e, principalmente, de nossa alma.

É isso! E tenho dito: Viva Cristo Rey! Que Viva!

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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