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08 Mar 2016

NÃO SE PREOCUPE: NÃO TEM "PERIGO" DE DAR CERTO...

Escrito por 

Diante de tudo isso, o economicismo puro – isto é, a redução de todos os fatos sociais a dimensões econômicas – é uma atitude mais ingênua do que a de uma criança dos anos 50 que acreditava na “cegonha”.

 

O governo controlando cada vez mais as atividades econômicas, os bancos estatais expandindo (novamente) o crédito, as regulamentações em excesso e em expansão, a carga tributária extorsiva e também em alta, os gastos públicos em alturas jamais vistas, as exportações e importações despencando, a máquina de propaganda oficial crescendo em intensidade e dimensões, a burocracia cada vez mais forte, o sigilo bancário dos cidadãos indo para o espaço, a inflação descontrolada, as expectativas nada amistosas dos agentes econômicos, o descrédito externo e muitas outras fontes de preocupação... Se somarmos a isso a crise política com pouquíssimos precedentes em toda a história de nosso país, as provas contundentes de que a corrupção alcança níveis jamais vistos, a estulta orientação ideológica do governo na política externa, na educação, na saúde, na cultura e em praticamente todas as instituições e a deterioração generalizada dos valores morais, não temos como não afirmar, sem qualquer receio, sobre o Brasil dos dias atuais: gente, não tem “perigo” de dar certo!

Os enormes estragos impingidos ao país, os desestímulos à iniciativa pespegados aos potenciais empreendedores e à ética do trabalho, os estímulos ao patrimonialismo e ao “capitalismo de compadrio” e a desesperança que vem sendo empurrada goela abaixo dos cidadãos também nos permitem inferir que, mesmo na hipótese - hoje totalmente implausível - de que, a partir de hoje, o país passasse a ser governado por pessoas competentes, éticas e com as cabeças no lugar, precisaríamos, no mínimo, de uns 15 anos para arrumar a casa e voltar a sonhar em sermos uma sociedade desenvolvida.

Diante de tudo isso, o economicismo puro – isto é, a redução de todos os fatos sociais a dimensões econômicas – é uma atitude mais ingênua do que a de uma criança dos anos 50 que acreditava na “cegonha” (as crianças de hoje nem sabem o que é uma cegonha). Não basta ficarmos discutindo “dominância fiscal”, ajuste fiscal, se a taxa de juros deve cair ou subir, se a taxa de câmbio está no “lugar certo” (que ninguém pode saber qual é), a “doença holandesa” e outros temas obsessivamente tratados pelos analistas econômicos, tanto os competentes quanto os ineptos, porque isso é só um dos tentáculos dessa Hydra de Lerna, esse monstro feroz dotado de forte veneno e de incrível capacidade multiplicativa chamado PT, com a estatização que defende com garras e dentes e os métodos condenáveis que utiliza para manter-se no poder.

Quem conhece a história do nosso país sabe que tal ser mitológico aportou aqui em 1500 quando, no fim de sua carta ao rei Dom Manuel I, Pero Vaz de Caminha (dizem línguas mais ferinas que teria gritado antes "Casaca, casaca, Vasco, Vasco, Vasco") pediu ao monarca que lhe garantisse uma sinecura e lhe perdoasse um genro, mas desde que os atuais governantes chegaram ao poder, ganhou corpo de atleta “bombado”, colocou os dentes (e o resto de seu corpo) à mostra e desenvolveu muitos outros tentáculos, todos entrelaçados. Por isso, só começaremos a solucionar nossos problemas se eliminarmos o monstro. O Estado, como dizia Ronald Reagan, não é a solução: ele é o problema. E, com essa gente que está no Planalto, ele é um problema muito maior.

Não é pessimismo, é só realismo; e não é “torcer contra”, é apenas render-se aos fatos. Contudo, não podemos nos entregar passivamente a essas constatações. Pelo contrário, a missão de cada um de nós é lutar com todas as forças para começar a revertê-las desde já, sabendo que a tarefa é difícil e vai exigir muitos anos e muito esforço e que é nosso dever mostrar à geração mais nova que o caminho para a sociedade que desejamos passa pela reafirmação dos valores morais, pela contenção do poder político e pela liberdade econômica. Trata-se de mostrarmos ao Estado que ele não é nosso dono, mas nosso serviçal.

Como escreveu Igino, hydra lernaean tantan vim veneni abuit... Temos que  encarar essa Hydra de frente, sem medo!

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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