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27 Jan 2016

"SE O GOVERNO DER O SINAL CERTO, A RECUPERAÇÃO COMEÇA", DIZ ARMÍNIO. MAS ESSE É UM ENORME "SE"...

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A própria saída de Joaquim Levy e entrada de Nelson Barbosa é a prova disso. Lula, sentindo sua batata assar por causa da Operação Lava-Jato, tem tentado levar o governo ainda mais para a esquerda, para o abismo populista.

 

Sou profundo admirador de Arminio Fraga, um dos economistas mais preparados e sérios do país. Como cheguei a brincar, a diferença entre Arminio e Mantega é que este eu não contrataria nem como estagiário, enquanto daquele eu aceitava ser até estagiário. Dito isso, acredito que Arminio acerta no diagnóstico nessa entrevista à ÉPOCA, mas demonstra excesso de otimismo com a possibilidade de este governo fazer a coisa certa, ainda que uma pequena parte. Eis alguns trechos:

Qualquer solução passa por etapas. Como disse recentemente Pedro Malan (ministro da Fazenda entre 1995 e 2002), é necessário primeiro diagnosticar os problemas. É difícil para quem está no poder há tanto tempo diagnosticar seu passado, mas é fundamental. Depois, desenhar uma solução e “vender” essa resposta. Hoje, a sociedade está muito machucada e demanda mudança, o que torna isso mais fácil. Não cabem mais pequenas respostas como “vamos aprovar uma CPMF”.  O quadro complicado já descarta a opção de empurrar com a barriga. E aí passamos à execução, que precisa ser competente e vai exigir estratégia política, com participação do Legislativo.

[…]

Neste quadro de crise política, corrupção, Congresso fragmentado, é difícil imaginar as coisas acontecerem, mas não impossível.

[…]

O Brasil precisa se posicionar em temas trabalhistas e tributários. A oposição está sinalizando que topa discutir essas questões. As opções são aceitar a piora ou fazer as reformas, recuperar a confiança no futuro e botar a economia para funcionar. O sacrifício, na verdade, é um ajuste necessário para trazer a confiança de volta e evitar uma crise mais profunda. O furacão político mostra que as instituições estão funcionando, mas exibe também o caos. Com tantos partidos, cada um só pensa em si e ninguém no futuro. Talvez a reforma mais importante seja a política. Mas falta o governo pôr na mesa um conjunto de propostas que anime os políticos a tomar medidas impopulares.

[…]

O Banco Central passou um tempão remando numa direção, e a política creditícia remando na direção contrária. Um modelo disfuncional. Esquizofrênico. Não dá certo. É muito difícil um banco central fazer seu trabalho sem o governo ter o mínimo de solidez fiscal. Estamos falando de algo que precisa acontecer para o Brasil ter juros normais sem inflação. Isso, o BC não consegue fazer sozinho.

[…]

A independência (do BC) ajudaria. Mas, no momento, o país precisa mesmo é de uma grande reforma do Estado, incluindo uma clara e estrutural correção de rumo na área fiscal.

[…]

Não tem mágica. Nenhuma economia vive sem crédito nem expectativa de demanda, mas isso está longe de ser suficiente. Falta o lado do investimento e da produtividade.

[…]

Se não houver mudanças hoje, as consequências serão dramáticas. Passaremos um período longo com queda no PIB per capita, que, numa economia emergente como a nossa, deveria crescer 3% ao ano.

[…] ficou claro que nossa vocação é mesmo na linha de frente. Daí, a recompra foi algo natural. Os contratos foram assinados na virada do ano. Isso espelha também alguma esperança. Se tivéssemos desistido do Brasil, não teríamos comprado [a Gávea Investimentos].

Todos pontos muito pertinentes, claro. O foco é mesmo o lado fiscal, e se trata de problema estrutural. O Bacen, sozinho, não consegue fazer milagre, mas no caso tem atrapalhado, pela total falta de independência. Falar em volta da CPMF é piada de mau gosto diante dos problemas que temos de enfrentar. O quadro político em nada ajuda. E se não houver mudanças importantes, teremos efeitos dramáticos.

Mas como achar que essas mudanças virão do próprio governo Dilma? Arminio reconhece que não é impossível, mas é difícil. Eu arrisco dizer que é impossível sim. De onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Acreditar que a própria presidente Dilma vai fazer algo certo é de um otimismo e uma esperança que eu simplesmente não consigo compartilhar. A essência desses “desenvolvimentistas” é toda errada. Seu viés ideológico é total. Não há chance de eles emplacarem reformas necessárias e impopulares.

A própria saída de Joaquim Levy e entrada de Nelson Barbosa é a prova disso. Lula, sentindo sua batata assar por causa da Operação Lava-Jato, tem tentado levar o governo ainda mais para a esquerda, para o abismo populista. Dilma vem dando claros sinais de que, de cima de sua “genialidade”, a receita será redobrar os esforços na direção errada: já que tudo fracassou, então é preciso insistir na mesma direção com maior intensidade. É a forma dela de “pensar”…

Portanto, tenho bom grau de convicção para afirmar isso: enquanto Dilma for a presidente, o Brasil não “corre o menor risco” de fazer a coisa certa. Teremos mais do mesmo, ou seja, mais desgraças, que vão apenas aumentar sua magnitude. O desemprego vai subir mais ainda, a inflação vai continuar em patamar extremamente elevado e o PIB vai continuar caindo. Sim, serão efeitos dramáticos, inclusive do ponto de vista social.

Também não estou pronto para desistir do Brasil, jogar a toalha. Por isso continuo aqui, na luta, divulgando um ponto de vista alternativo, liberal, e condenando as burradas desses incompetentes e corruptos. Tenho esperanças ainda, intercaladas por momentos de profundo desânimo e cansaço. Mas qualquer esperança que eu tenha passa necessariamente pela saída do PT do poder, e não pelo milagre de o próprio PT fazer a coisa certa.

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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