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17 Jan 2005

Mentalidade Empresarial: Um

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Pequenos detalhes que fazem a diferença e que tornam uma banca de ambulante um grande negócio e uma sala comercial um imensurável pepino.

O que é um empresário? Obviamente que não é tão simplesmente um safado que só pensa em sacanear os seus clientes e explorar os seus empregados como reza a cartilha dos esquerdistas esquizofrênicos e outros tantos neurastênicos. Não que esses tipos patológicos não existam. Alias, como existem, como outros tantos tipos exóticos de nossa fauna social, mas, tais tipos estereotipados não correspondem ao que podemos entender pelo padrão de mentalidade empresarial que impera em países de economia de mercado desenvolvidos e que se vêem perdidos entre nós e confundidos com as bestas mencionadas que se fazem presentes entre nós.

Entretanto, entendemos por mentalidade empresarial em que uma pessoa que se dispõe a correr riscos para obter o seu sustento através dos louros de seu trabalho e de sua visão, que chamamos de lucro. Esse pode ser grande, pequeno e até mesmo negativo, raiando a falência. Mas, a base para que ele chegue a alcançar seus objetivos, deverá construir uma teia de relações de confiança frente a sua equipe de trabalho (empregados) e seus clientes e fazer isso, não é qualquer um que está disposto a fazer, pois, da muito trabalho e, alias não é qualquer um que é capaz de fazer, pois faz-se necessário talento para tanto.

Para ilustrar esse ponto, citaremos dois exemplos empíricos, um positivo e outro negativo, para assim demonstrar o nosso ponto de vista. Comecemos pelo positivo, relatado por meu pai que em passei pela cidade de Foz do Iguaçu, encontrou um ambulante. Esse estava na ocasião aconselhando os seus dois empregados dizendo: "isso aqui não é uma banca de camelô, é um estabelecimento comercial! O cliente não tem que apenas vir aqui uma vez. Ele tem que vir hoje, semana que vem, e na outra... Ele tem que sair satisfeito". Perfeito. Temos aí um homem com mentalidade empresarial, alguém preocupado em manter uma rede de relações, com sua imagem, do seu negócio, maximizando o potencial do mesmo.

Entretanto, não é esse tipo de pensar que encontramos na maioria das vezes à frente de muitas atividades econômicas. Quando passamos a andar pelas cidades do interior deste nosso Brasil, dito de todos, nos defrontamos com estabelecimentos comerciais que são administrados como legítimas bodegas. Mercadorias jogadas, desorganizadas, ambiente sujo, muitas vezes lúgubre, onde a visão de melhor negócio presente nas cabeças de seus donos é a de apoiar um candidato para assim fornecer (lícita ou ilicitamente) para um Prefeitura. Total ausência de atrativos para manter a fidelidade do cliente, desleixo com a contabilidade, falta de criatividade. Por um acaso você conhece algum estabelecimento comercial assim? Infelizmente, eu conheço vários.

O tino de um bom negócio não está na maioria das vezes em ter uma quantidade relativamente grande de capital, mas sim e principalmente, na forma como o indivíduo pensa a sua atividade, como a planeja. Muitas vezes esses ditos "empresários" esquecem-se que eles devem ofertar ao cliente o que o cliente quer e não o que ele acha que é melhor para o cliente e que este não lhe está fazendo um favor, mas sim, dando-lhe uma oportunidade de ter a sua preferência. Pois me diga amigo leitor: quantas vezes você não foi atendido com desdém em um estabelecimento comercial? Quantos e quantos destes permanecem da mesma forma desde que foram abertos ou mesmo retrocedendo?

Pequenos detalhes que fazem a diferença e que tornam uma banca de ambulante um grande negócio e uma sala comercial um imensurável pepino.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:27
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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