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26 Jan 2016

HERÓIS DA PÁTRIA

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A controvertida figura do político gaúcho, portanto, está longe de ser unanimemente considerada a de um “herói da Pátria”. Para muitos, foi um político demagogo, populista, mentiroso e desonesto, que se refugiou sob o rótulo de “socialista” para galgar o poder a qualquer preço. Não há dúvidas de que essas “qualidades”, apreciadas pelo petismo, levaram a presidente a alterar a lei e a transformá-lo num herói de araque.

 

A presidente Dilma Rousseff sancionou lei aprovada pelo Senado que inclui o político gaúcho Leonel Brizola no Livro dos Heróis da Pátria, que homenageia brasileiros que se destacaram na defesa e construção da história nacional. A lei foi publicada no dia 29 de dezembro de 2015. O livro, com páginas de aço, fica exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

A lei sancionada por Dilma também reduz de 50 para dez anos após a morte o tempo necessário para que uma personalidade possa ser homenageada no Livro dos Heróis da Pátria. “A distinção será prestada mediante a edição de lei, decorridos 10 (dez) anos da morte ou da presunção de morte do homenageado”, diz a nova redação.

O preocupante não é tanto a inclusão de Brizola na lista, mas a redução do prazo de decorrência da morte do homenageado, que era de 50 anos, para 10 anos, o que retira o distanciamento necessário para que um personagem possa ser analisado de maneira mais isenta, serenadas as paixões que o envolveram no cenário histórico em que viveu.

Mais preocupante ainda: o prazo refere-se, agora, a “10 (dez) anos da morte ou da presunção de morte do homenageado”. Fica, deste modo, aberta a possibilidade para que seja estendida a falsos heróis, de conduta mais discutível ou condenável, mas de orientação ideológica mais de acordo com a da autoridade que promove a homenagem.

A lista dos Heróis da Pátria, que começou com dez vultos históricos, já aumentou para mais de quarenta, sendo os heróis cada vez mais recentes em nossa história. Até então, os mais novos eram Getúlio Vargas e Chico Mendes.

Qualquer relação deste tipo nunca contará com a plena concordância de todos.

A inclusão de Brizola, o “herói” que conclamou os sargentos do Exército a matarem os oficiais e incendiarem os quartéis, depois de se colocar a salvo em confortável autoexílio, acelera desnecessariamente a concessão da honraria e coloca sob suspeita a isenção que deve envolver a mesma.
Na controvertida carreira política de Brizola, alguns fatos permanecem obscuros.

Algum tempo após ir para o exílio, surgiram comentários sobre Brizola ter obtido apoio financeiro do presidente de Cuba Fidel Castro para a organização de um movimento armado contra o regime militar brasileiro. Fidel então teria dado a Brizola cerca de um milhão de dólares para financiar a denominada Revolução Socialista no Brasil.

Embora considerado um boato por alguns, há dois livros que tratam do assunto, e que mostram que não se trata de uma "invenção".

Quando governador do Rio de Janeiro, Brizola foi acusado de ter ligações com os contraventores do jogo do bicho e de ser omisso no combate ao tráfico de drogas.

Segundo seus críticos, o governo do pedetista teria sido fundamental para a consolidação do crime organizado no Rio de Janeiro. Essa percepção decorreu de Brizola adotar uma linha de ação na qual a polícia só poderia fazer incursões em favelas baseadas no respeito aos direitos humanos, em contraposição ao que era considerado por ele como arbitrariedade do estado.

A política do confronto armado, adotada pelos seus antecessores Chagas Freitas e Moreira Franco, foi abolida. Desta forma o crime organizado cresceu e se fortaleceu.

A controvertida figura do político gaúcho, portanto, está longe de ser unanimemente considerada a de um “herói da Pátria”. Para muitos, foi um político demagogo, populista, mentiroso e desonesto, que se refugiou sob o rótulo de “socialista” para galgar o poder a qualquer preço. Não há dúvidas de que essas “qualidades”, apreciadas pelo petismo, levaram a presidente a alterar a lei e a transformá-lo num herói de araque.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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