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17 Jan 2005

O Homem Forte do Governo Lula

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Afinal, quem é o homem forte do governo Lula? Tenho certeza de que não passa pela cabeça do leitor que seja o presidente. Não dá para ser.

Afinal, quem é o homem forte do governo Lula? Tenho certeza de que não passa pela cabeça do leitor que seja o presidente. Não dá para ser. Já ficou evidente que ele é um homem de escassas convicções e que uma de suas principais capacidades é a de reproduzir o discurso indicado pelos marqueteiros de uma forma que excita as multidões tanto quanto arrepia as concordâncias verbais e nominais. O antagonismo entre o que lhe mandavam dizer na oposição e o que lhe ensinam no governo não lhe causa qualquer mal-estar porque ele sequer chega a percebê-lo. Se dentro de dois anos desembarcar do poder inverterão seu discurso e ele fará exatamente isso. Não, uma pessoa assim não pode ser o homem forte do próprio governo.

José Dirceu? Tadinho do Zé. Se fosse ele, o Aldo Rebello não teria assumido a pasta da coordenação política. Nos primeiros meses do governo Dirceu foi, de fato, o homem poderoso por trás do presidente, mas o episódio Waldomiro solapou suas bases e ele apenas resiste como uma sombra de si mesmo, um baixo-relevo da estátua que poderia ter sido. "Nesse caso só resta o Palocci", ponderará o leitor. Mas se o Palocci, na condição de titular da chave do cofre, fosse o homem forte do governo Lula, o verdadeiro homem forte não faria o que faz com o conteúdo do cofre pelo qual ele deve zelar. Não, o Palocci não é o cara.

Quem é, então? Pasmem: o sujeito poderoso é um personagem tão ladino que ninguém sequer sabe seu nome. Herdeiro das mais nobres tradições do thriller universal - senhoras e senhores - o homem forte do governo Lula é o mordomo do Palácio, seja lá quem for e seja lá qual for o título oficial da função que exerce.

Ele é o cara. Lula jamais leu o Príncipe, mas o mordomo leu Maquiavel e intuiu como deveria ser o mordomo de um príncipe que se preze. Do avião aos roupões de algodão egípcio, passando pelas intermináveis listas de aquisições que periodicamente fazem a diversão dos leitores nas colunas de Cláudio Humberto, ali está expressão de seu poder. Do colorido petista dos jardins às provisões da colônia de férias dos amiguinhos do presidencial rebento, tudo passa pela sua supervisão.

Agora mesmo acaba de comprar 12 carros novos de 72 mil reais cada, duas ambulâncias com UTI-móvel, três caminhões, dois microônibus, dez automóveis sedan brancos, outros oito de cores diversas e um lote de novas motocicletas. Palocci paga e não bufa. Não, não diga que o mordomo é apenas o culpado porque isto não é filme algum. Isto é exercício do poder no Brasil real.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:27
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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