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03 Nov 2015

"BRAIN DRAIN": O ÊXODO DAS MENTES EMPREENDEDORAS

Escrito por 

Ou o quadro muda, a começar pela saída do PT do poder, ou o “brain drain” vai continuar a ganhar força, e o futuro brasileiro será tão sombrio quanto o de seus vizinhos bolivarianos. Weston, onde vivo na Flórida, já ganhou o apelido de “Westonzuela”, pela grande quantidade de fugitivos do chavismo.

 

A imigração existe desde que o homem é homem. Seres humanos partem em busca de melhores condições de vida, oportunidades, emprego. O fluxo migratório é o melhor termômetro do que funciona na prática em termos de modelo econômico. Afinal, palavras o vento leva, são baratas; mas quando o sujeito vota com o pé, ele não está de brincadeira e não há tempo para hipocrisias, para discurso de “poser” de rede social.

Historicamente, a imigração sempre se deu de países mais intervencionistas, opressores, para países mais livres, capitalistas. Ninguém quer sair dos Estados Unidos para viver em Cuba, ainda que defenda nos discursos o socialismo. Já para sair do “paraíso” socialista e tentar a vida no “inferno” capitalista, vale até se jogar em qualquer coisa que flutue em meio aos tubarões.

De tempos em tempos há um incremento no fluxo imigratório latino-americano para os países mais capitalistas, especialmente os Estados Unidos. É a prova dos fracassos constantes desses países em produzir prosperidade, insistindo de forma asinina em modelos populistas e nacionalistas. O editorial do GLOBO de hoje comenta justamente sobre o rastro de destruição que esse populismo deixa no continente:

A América Latina, como mostra a História, é marcada por ciclos alternados de autoritarismo e abertura política. Infelizmente, não é raro que, ao sair de um regime ditatorial, o caminho à democracia plena se veja desviado perversamente por atalhos populistas, também autoritários, interrompendo o processo de reconstrução das instituições fundamentais da república. Em nome de uma ideia difusa de “libertação” ou da “defesa nacional” contra um inimigo externo, adultera-se a democracia, intervém-se na economia, personaliza-se o que é público, apadrinham-se segmentos da sociedade e corrompem-se agentes do Estado e atores da sociedade, com alto custo para o desenvolvimento político, econômico e social.

Argentina e Venezuela são hoje exemplos bastante típicos desse processo. Bolívia e Equador também, mas sem ainda enfrentar tantas dificuldades econômicas.

[…]

No Brasil, as instituições republicanas mostraram até agora boa resistência às tentativas de hegemonização política do lulopetismo, representante deste nacional-populismo. Mas, no campo da economia, a adoção da “nova matriz macreconômica” empurrou o país para o mesmo caminho de infortúnio dos vizinhos bolivarianos.

O resultado, uma grave crise sem perspectiva de solução a curto prazo, cobra seu preço sobretudo da população mais pobre, inclusive aquele segmento que deixara estatisticamente a pobreza absoluta e corre agora o risco de retroceder. Por ironia, em nome de quem opera o populismo.

Vivemos hoje numa encruzilhada: não está claro quem vai vencer no Brasil, se o populismo petista ou se as instituições republicanas, muitas já tomadas pela praga vermelha. Diante desse quadro de incertezas, agravado pela enorme crise econômica, muitos brasileiros já pensam em abandonar o barco, em fugir para algum país mais livre e próspero, ou seja, mais capitalista e liberal. Foi o tema da coluna de Henrique Meirelles na Folha hoje:

Escuto com frequência cada vez maior brasileiros falando em deixar o país. As razões citadas são diversas: falta de perspectiva econômica, desânimo com a situação política, corrupção, desconfiança do futuro.

Permeando tudo isso, existe uma grande frustração depois da sensação na década passada de que o Brasil tinha conseguido finalmente superar suas dificuldades históricas e entrado numa rota de crescimento, criação de empregos, geração de riqueza e estabilidade econômica.

A reversão rápida e brutal dessas expectativas deixa um sabor amargo nas pessoas e traz sentimentos de decepção e até de revolta que estimulam o desejo de desistir e de deixar o país.

[…]

Para estancar este processo tão destrutivo, é muito importante que o Brasil equacione a crise política para poder retomar o crescimento e tenha uma liderança que aponte caminhos de futuro para todos.

Depois da decepção causada pela reversão de grandes conquistas socioeconômicas da década passada, é fundamental retomar a confiança no futuro e combater o sentimento hoje prevalente em muitas pessoas de que o país está em rota de decadência.

Se esse sentimento crescente de frustração e desencanto não for estancado, a perda de talentos e cérebros se tornará uma realidade a comprometer o futuro do Brasil.

Já está acontecendo, sinto informar. Percebo também cada vez mais gente boa querendo desistir do país, por não aguentar mais o PT, seu cinismo, a banalização da corrupção, e a crise causada por seu populismo irresponsável. A tolerância está no limite. O Brasil cansa, e o Brasil petista cansa muito mais.

Gente que poderia agregar muito valor ao país, ajudar na criação de riqueza, começa a pensar se vale a pena mesmo o esforço, se não seria melhor contribuir com seu talento em um país menos hostil ao mérito, ao sucesso, ao indivíduo que faz a diferença. Só mulher de malandro gosta de apanhar calada, sem reagir.

O estrago da passagem do PT pelo poder – que ainda não terminou, para desespero de todos – deixará marcas indeléveis que levarão anos, quiçá décadas para serem apagadas. O país regrediu muito nesse período, e o clima é de desesperança para milhões de pessoas. Inúmeras pessoas preparadas e inteligentes, com condições de viver em qualquer país, pensam em arrumar suas malas e “picar a mula”.

Se essa elite debandar em peso, recusando-se a viver como hospedeiros de parasitas, como no livro mais famoso de Ayn Rand, aí a esquerda vai ver o que é bom pra tosse. Todo o ataque retórico às “elites” serve apenas para alimentar o populismo, mas sem essas mentes empreendedoras, os parasitas definham. Como já ocorre na Venezuela e na Argentina.

Ou o quadro muda, a começar pela saída do PT do poder, ou o “brain drain” vai continuar a ganhar força, e o futuro brasileiro será tão sombrio quanto o de seus vizinhos bolivarianos. Weston, onde vivo na Flórida, já ganhou o apelido de “Westonzuela”, pela grande quantidade de fugitivos do chavismo. Se continuar na toada atual, em breve terá de mudar de apelido para “Westonzil”…

 

Fonte: INSTITUTO LIBERAL

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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