Sáb09212019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

30 Out 2015

E NEM ESTÁ AÍ PARA A VERDADE!

Escrito por 

Gostem ou não, neguem ou não a biologia, a verdade é que o Enem está aí menos para avaliar o conteúdo de alunos, suas competências e habilidades do que impor um programa ideológico.

 

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no último sábado (24 de outubro) foi um primor de parvoíces. Mas, nos concentremos em uma única... A questão nº1, que inicia com este libelo negacionista, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher” de Simone de Beauvoir, a militante feminista, namorada de Sartre, o filósofo que se enamorou do regime despótico, totalitário e absolutamente cruel de Mao Tsé-Tung. Bem, diga-me com quem andas que te direi quem és...

Na verdade, o que está por trás desta malfadada ideologia de gênero parte do princípio de que os sexos, masculino e feminino são meras “construções sociais”, isto é, não existem como condições fundamentais para a estruturação da sociedade. Poderia se dizer que o que importa não é o sexo biológico e sim a orientação sexual do indivíduo? Antes fosse somente isto... O que subjaz a ideologia de gênero é a negação da natureza e isto quer dizer a negação dos fatos. Diga-me qual é o melhor caminho para inocular mentalmente o espírito revolucionário que negar os fatos e fazer crer que o erro é na verdade um acerto? O suposto alvo do Enem não é a oposição Machismo v. Feminismo. Seria um grande sofisma impor isto como premissa verdadeira porque a agressão renitente contra quem quer que seja não decorre de sua posição na sociedade como “submissa” ou “potencialmente revolucionária”. O agressor de mulheres é um covarde por excelência que, se pudesse, o faria contra quem quer que fosse. Ele escolhe a mulher por proximidade, por uma vantagem decorrente da força bruta e porque confia na impunidade.

No entanto, seria de uma atroz ingenuidade crermos que este tipo de cafajeste deixaria de ser o que é se assumisse que “o papel feminino não passa de um constructo ideológico-social”. Piada né? Isto seria análogo a pensar que um facínora deixaria de matar e estripar suas vítimas quando percebesse que ambos são títeres de uma indústria da segurança que precisa do crime para vender seus serviços. Dentre todos os absurdos desta situação se destaca a alteração entre causa e efeito, o serviço de segurança, que é um efeito da insegurança geral se torna uma causa que manipula a realidade criando a anomia social para se beneficiar disto tudo. Analogamente, para o Q.I. de ungulado que formulou tal questão do Enem, a mulher sofre violência porque seu agressor se tornou um agressor porque criaram de antemão um papel feminino que justifica a agressão. Traduzindo em miúdos, para o Enem, a condição feminina produz a agressão contra si própria, algo como a mulher que fez isto a si própria. Hãã... Não briguem comigo, não sou eu quem estou criando a bizarrice intelectual, mas estou deduzindo a lógica da estupidez que uma questão como esta cria.

Analisar e condenar a persistência da agressão contra a mulher (tema da redação no dia seguinte) é, sem dúvida, urgente e de suma importância, mas negar a biologia é uma bandeira (esta sim), sociologicamente construída para fins espúrios. Quais? O alvo pouco oculto é o heterossexual e, por extensão, a família tradicional, nada mais. O MEC, talvez o mais inútil dos ministérios na sua forma atual faz uso de seu papel e atribuição para introjetar uma visão de mundo em que os heterossexuais são apenas uma forma de sexualidade dentre outras. Ora, opção sexual é livre, mas os heterossexuais são de suma importância para a preservação da espécie e sobrevivência das populações. Se há um grupo sexual de opção e orientação específica que não pode faltar é este. Respeitar a alteridade é uma coisa, homogeneizar toda a sexualidade em nome da “mais livre” ou “mais aberta” não passa de outra forma de autoritarismo estético e esta estética não é isenta de ética.

Gostem ou não, neguem ou não a biologia, a verdade é que o Enem está aí menos para avaliar o conteúdo de alunos, suas competências e habilidades do que impor um programa ideológico.

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.