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28 Out 2015

TINTEIRO SECO E CAFÉ AMARGO

Escrito por 

Sim, todos nós sabemos, desde Georges Bernanos, que as sementes das ditaduras encontram-se no fértil solo das democracias. Porém, no caso brasileiro atual, não há sementes, faz muito; há, sim, mudas bem formadas.

 

(1)
Há uma diferença abissal entre o que é a realidade concreta e imediatismo tacanho idolatrado pelas almas sebosas.

(2)
No fundo, todo relativismo moral não passa duma forma decantada de egocentrismo barato. Bem ponderado, no fundo, todo esse trelelê multicultural é apenas isso; nada mais do que isso.

(3)
Vou te dizer uma coisa óbvia: à medida que o mundo da técnica progride a capacidade reflexiva diminui. E te digo outra: isso não ocorre por acaso.

(4)
Todo aquele que reduz o amor a um mero apetite carnal e acha isso a coisa mais linda do mundo, sem querer querendo, acaba mutilando a passos largos a sua inteligência e, consequentemente, maculando a dignidade que ela lhe investe. Quer dizer: que lhe investia, mas que o sujeito não quer mais por mero hedonismo e egolatria.

(5)
As massas são a imagem do ser humano degradado que se entrega a bestialidade libertina que o devora gradativamente.

(6)
Toda revolução, em si, é má. Porém, isso não significa que as razões que levaram as multidões a se entregarem a esse vórtex de desgraças não fossem dignas de consideração. Aliás, o mal da indiferença invariavelmente acaba sempre levando-nos a cair no canto de seria das malditas revoluções.

(7)
Todo aquele que se aventura no estudo da história deve sempre, em primeiro lugar, levar em conta que há uma diferença imensa entre o que seja um fato histórico e o que é um reles artifício historiográfico. O primeiro é o tutano da Mestra da vida; o segundo, um mero instrumento inescrupuloso de doutrinação ideológica.

(8)
Todos aqueles que defendem a liberação de toda e qualquer bobagem, definitivamente, não parou pra pensar, nem mesmo por um minuto que seja, sobre as implicações que isso teria sobre a sua própria vida e, principalmente, sobre toda a sociedade em médio prazo.

(9)
Há certos indivíduos que tem uma imaginação moral e política tão curta e obtusa quanto o seu estúpido e tacanho discernimento.

(10)
É compreensível que o conteúdo da fala de certos elementos seja pura matéria fecal. O que é desconcertante é que eles não abrem a boca, preferencialmente, com as fuças voltadas para o encosto de uma privada, mas sim, que o façam olhando pra sua cara.

(11)
Desde que Nietzsche declarou que Deus estaria morto, o homem agoniza, a passos firmes, em seu niilismo autofágico.

(12)
O marxismo e seus derivados são totalmente incompatíveis com a liberdade humana. Por isso, o materialismo decorrente dessa ideologia é a pior das tabuletas. Só não o vê quem não é capaz de dar um passo sem elas.

(13)
A democracia, no Brasil, não é uma realidade vívida; é apenas uma paródia mal feita duma canção jamais aprendida.

(14)
A imortalidade da alma, a transcendência da condição humana, é a coluna fundamental da liberdade individual. Negue-se isso e acabamos nos condenando a mergulhar numa queda livre direto para o fundo do fosso do mais abjeto totalitarismo.

(15)
Liberdade não consiste em fazer o que bem quiser, mas sim, em fazermos as escolhas de maneira reta para nos defender da maldição da escravidão de nossos instintos mais baixos e da tirania cínica de nossos desejos mais vis.

(16)
O bom-mocismo é a caricatura encardida do amor que nos é ensinado pela letra do Evangelho.

(17)
A bondade particular torna-se insípida se não for animada pela graça da Bondade Universal. A Bondade Universal vê-se reduzida a uma reles abstração se não for vivificada pela ação manifesta da bondade particular.

(18)
As verdes mentiras da ditadura autoritária limparam o meio de campo para a investida das mentiras da resistência que lutava em nome de uma ditadura rubro-totalitária.

(19)
Não importa de onde vierem às mentiras, elas sempre irão nos levar diretamente ao cadafalso da servidão, seja ela voluntária ou não.

(20)
Sim, todos nós sabemos, desde Georges Bernanos, que as sementes das ditaduras encontram-se no fértil solo das democracias. Porém, no caso brasileiro atual, não há sementes, faz muito; há, sim, mudas bem formadas.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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