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13 Out 2015

FIM DE FESTA

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A negociação política concluída recentemente com a reforma do ministério não é menos eloquente do que essa impiedade. Enquanto toda gente está indignada com a divulgação da corrupção e outros delitos administrativos o governo promoveu o mais puro toma lá dá cá para se manter no poder.

 

Fernando Gabeira escreveu hoje, no Estadão: estamos quebrados, tudo fechando, alugando. Que síntese magnífica e  (in)feliz sobre o momento que o Brasil e os brasileiros estão vivendo. Fim de feira, hora da xepa. O sentimento de desamparo se generaliza sobre a nação. O Estado, que deveria ser o defensor e o administrador das adversidades coletivas, tornou-se o seu contrário. A proposta de recriação da CPMF é bem a medida da maldade governamental, pois é a evidência mais contundente da sua impiedade, que devora sua gente, alheia ao seu sofrimento.

A negociação política concluída recentemente com a reforma do ministério não é menos eloquente do que essa impiedade. Enquanto toda gente está indignada com a divulgação da corrupção e outros delitos administrativos o governo promoveu o mais puro toma lá dá cá para se manter no poder. O anseio de lisura do povo foi seguido pelo fisiologismo mais vil. Nunca antes na história deste país se viu uma composição mais espúria e interesseira na determinação da nomeação para os cargos da mais alta magistratura. Cenas explícitas de barganha interesseira ao vivo na TV, ao arrepio dos anseios coletivos.

O poder de Estado no Brasil nunca esteve tão ilegítimo. Não ao acaso a tese da cassação do mandato de Dilma Rousself, seja lá por que meio for, cresce no país mesmo entre antigos partidários e simpatizantes do partido governante. Ainda hoje o ministro Dias Toffoli, um ilustre representante partido do governo no STF, reconheceu que o Superior Tribunal Eleitoral – TSE tem competência para impugnar a chapa presidencial. É meio caminho andado para a cassação sua no âmbito daquele tribunal.

Fernando Gabeira tem razão, vivemos mesmo dias de ira. Ira cívica, benigna, como bem dão mostra as manifestações pacíficas contra o governo, aos milhões, fato comprovado pela intensa impopularidade governamental nas pesquisas de opinião. Pessoas sem militância política e sem outro propósito que não manifestar seu nojo cívico vão às ruas, de forma espontânea. O governo constituído se tornou ilegítimo e não representa mais o conjunto dos brasileiros. Usurpa o poder. Poderá ser deposto.

Em paralelo, vemos o aprofundar-se da crise econômica, dia a dia. Desemprego, empobrecimento, carestia, câmbio nas alturas: tudo comprova que o processo de aviltamento da renda dos brasileiros caminha a galope. Em breve multidões poderão ser vistas a marchar nas ruas pelo simples desespero existencial e pela fome. Tempos assim contribuem para que o governo seja posto para fora. Esse tormento econômico é acompanhado pelos sinais exteriores de riqueza daqueles que chegaram ao poder com Lula e fizeram disso o instrumento de assalto aos cofres públicos. A república petista tornou-se a república roubalheira.

Ando tão impressionado com a deterioração da situação que ontem sonhei que tinha havido um golpe militar no Brasil. Tive a sensação de que os sofrimentos coletivos teriam sido superados à moda de 1964. É claro que as mudanças não serão tão simples e tão sumárias como vi no meu sonho, posto que os militares não são os mesmos e os tempos são outros. Infelizmente o sofrimento será maior agora. O ponto é que esse mote para sonhos está na cabeça de todos os brasileiros. Sonhei o sonho coletivo. É mais que um anseio. É um brado inconsciente que reflete o instinto de sobrevivência do conjunto dos brasileiros. A presidente Dilma Rousseff não pode mais se manter no poder. Os brasileiros não a desejam mais. Terá que sair.

Quem viver verá.

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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