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09 Set 2015

SEBASTIANISMO

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Não temos dúvida de que alguém, não interessa quem, vai resolver nossos problemas em troca de uma licença tácita de pilhar o Tesouro, enquanto fingimos não perceber o que acontece em nossa casa e procuramos participar da “república” com a nomeação de algum parente para participar do festim.

 

O Sebastianismo foi uma crença mística, propagada em Portugal logo após o desaparecimento de D. Sebastião (1554-1578), ocorrido após a derrota portuguesa na Batalha de Alcacer Quibir, no Marrocos. Segundo ela, esse rei, como um novo Messias, retornaria para levar o país a outros apogeus de glórias e conquistas. Marcou o fim da dinastia de Avis e o domínio da casa real espanhola dos Felipes, que duraria até 1640, com enormes reflexos no Brasil.

No cenário de crise em que se debate nosso país, na atualidade adversa, sentindo a ausência de uma liderança nacional que unifique o país e o reconduza à trilha do desenvolvimento social, econômico e político, muitos se voltam para a esperança do surgimento de um líder carismático capaz de realizar a milagrosa tarefa.
É típico de nosso povo esperar que alguém, o governo, os poderosos, resolvam os problemas a preço módico, poupando ao povo o esforço de fazê-lo.
Acontece que o mercado de Salvadores da Pátria está muito fraco. Não há oferta deles, e os que se apresentam já demonstraram sua total incompetência para tão duro mister.

Assim, em vez de tomar nas mãos a difícil missão de escolher o melhor representante possível, contentamo-nos em eleger demagogos, mentirosos que prometem tudo que queremos ouvir,  herdeiros de famílias da nobreza política que se sucede no poder, com nossa concordância bovina e sem cobrança alguma de desempenho acima do medíocre.

Não temos dúvida de que alguém, não interessa quem, vai resolver nossos problemas em troca de uma licença tácita de pilhar o Tesouro, enquanto fingimos não perceber o que acontece em nossa casa e procuramos participar da “república” com a nomeação de algum parente para participar do festim.

Assim agindo, não damos importância aos sinais evidentes da destruição do equilíbrio fiscal que tantos sacrifícios nos custou, do ressurgimento do dragão inflacionário, do crescimento do desemprego, de índices educacionais vergonhosos, de ter a saúde pública entregue a curandeiros estrangeiros de formação médica mais do que duvidosa, embora sua ideologia seja conhecida por todos, de ver a segurança pública diariamente desafiada por quadrilhas de traficantes e de milicianos, e de tantas outras desgraças a que tanto nos acostumamos que acabamos por criticar quem delas reclama. Sempre foi assim...

Parados na praia do Mar Tenebroso, enquanto tudo desmorona ao nosso redor, examinamos o horizonte na esperança de ver chegar a nau que traz nosso salvador messiânico, que tudo resolverá sem grandes sacrifícios de nossa parte.

Valei-nos, Dom Sebastião.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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