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10 Ago 2015

DE VOLTA AO NINHO

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Quanto a José Dirceu, está de volta ao lugar que lhe pertence. Que lá permaneça por longo tempo, pelo que já foi descoberto e pelo que virá a caminho, neste longo processo de purificação de nosso mundo empresarial e político.

 

Condenado à prisão no processo do mensalão, o ex-guerreiro do povo brasileiro, como cantavam os petistas ensandecidos, querendo inocentá-lo contra todas as evidências e provas apresentadas durante o processo, havia sido beneficiado pela progressão da pena, ganhando o direito de cumprir em casa o restante da mesma, com seus movimentos monitorados por uma tornozeleira eletrônica.

No entanto, o braço longo da lei foi buscá-lo mais uma vez, e agora não conta mais com os benefícios reservados aos réus primários, pois não é mais nem réu, é um criminoso condenado. Assim, ao ser recolhido ao xadrez da Polícia Federal, em Curitiba, está de volta ao ninho apropriado a criminosos.

Ao recomendar sua prisão, o Procurador da República disse no início desta semana: José Dirceu “repetiu o esquema do mensalão” na Petrobrás e foi beneficiário mesmo durante e após o julgamento, continuando a receber suas cotas do dinheiro roubado da petroleira pelo esquema por ele concebido, apesar de estar preso.

Acrescentou ainda: ”a responsabilidade de José Dirceu é evidente aqui, como beneficiário, de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente”. E prosseguiu: “temos claro que José Dirceu era aquele que tinha como responsabilidade definir os cargos na administração Lula”.

Assim, a organização criminosa que concebeu e executou o mensalão, comprando apoio político com recursos públicos desviados de empresas aparelhadas pelo PT e aliados, tornou-se, ao fincar suas garras na rica Petrobrás, financiadora de projetos de eternização no poder e de enriquecimento pessoal via roubo puro e simples.

Não se trata de um trabalho de amadores, mas de engenharia complexa só descoberta pela experiência e competência dos procuradores do Ministério Público e pela coragem e denodo do Juiz Sérgio Moro, digno seguidor do exemplo de Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão. Segundo o Juiz Moro, Dirceu exibiu “profissionalismo na prática do crime”.

Tirando proveito da delação premiada, que seduziu os envolvidos ao verem a sentença de mais de quarenta anos de prisão para o operador mensaleiro Marcos Valério, os executivos, empreiteiros e doleiros descobertos com a mão na bolsa da maior empresa brasileira começaram a revelar o espantoso esquema montado e operado para sangrá-la.

Entregaram, inclusive, os nomes dos políticos envolvidos nos crimes, os quais começam a ser identificados e denunciados ao STF. Fala-se no envolvimento de vinte por cento do Congresso, o que terá resultados imprevisíveis no panorama de nosso Legislativo. E ainda faltam a Eletrobrás, o BNDES, os Transportes, a Saúde etc.

Ao contrário do que insinuam as vestais do Planalto, acenando com a ingovernabilidade como consequência da Operação Lava Jato, a operação é uma medida saneadora, que permitirá a limpeza de toda a sujeira acumulada em nossa estrutura governamental, e que vem comprovando o que dizia o Ministro Joaquim Barbosa no STF, a respeito da extensão e profundidade da ladroagem. A Operação Lava Jato é a consequência, não é a causa do descalabro que enfrentamos.

Ao citarmos a mais alta corte do Judiciário, lembremos que a Nação exige punição exemplar para todos os envolvidos, inclusive os que estão acima de Dirceu na pirâmide do poder brasiliense.

Quanto a José Dirceu, está de volta ao lugar que lhe pertence. Que lá permaneça por longo tempo, pelo que já foi descoberto e pelo que virá a caminho, neste longo processo de purificação de nosso mundo empresarial e político.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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