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25 Jul 2015

MORTAIS COMUNS

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A grande novidade, porém, foi-se verem todos atingidos por medidas que, tradicionalmente, não os atingiam, dando-lhes a ilusão de serem semideuses, super-homens todo-poderosos, acima do bem e do mal, colocados além das leis do país por sua condição de detentores de mandato eletivo.

 

Estavam nossos políticos postos em sossego, na onipotência olímpica em que vivem, com seus menores desejos atendidos e pagos pelos brasileiros, quando de repente, não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, seu mundo onírico desabou: a Polícia Federal, cumprindo 53 mandados assinados por três ministros do Supremo Tribunal Federal, amanheceu nas casas de vários deles, inclusive de deputados, senadores e do ex-presidente Collor.

Não foi o juiz Sérgio Moro que expediu os documentos, pois os políticos investigados têm direito a foro privilegiado e só podem ser julgados pelo STF, que foi a origem dos mandados.

A surpresa foi geral, para consternação dos investigados, que tiveram documentos, bens e computadores aprendidos, e para alegria dos mortais comuns que, finalmente veem poderosos senhores feudais, que mandam e desmandam no país, serem atingidos por medidas desse tipo.

Pasmos, incrédulos, assustados, os políticos não se conformaram.

Inicialmente, declararam que a medida era arbitrária, uma intromissão do Judiciário no Legislativo, como se mandato eleitoral assegurasse impunidade criminal aos eleitos.

A seguir, partiram para o contra-ataque, aprovando a instalação de diversas CPIs que desagradam ao Executivo, por atribuírem a este Poder a responsabilidade por não ter interrompido as investigações antes de as mesmas chegarem tão longe. Sabem, mas fingem ignorar, que a iniciativa, há muito tempo, está com o Judiciário. Atacam o Executivo para aumentar a confusão e poderem alegar que todos são igualmente corruptos.

Fora do poder formal, mas vendo o cerco se fechar, o ex-presidente Lula também tem suas preocupações aumentadas: se o STF não aliviou das investigações o também ex-presidente Collor, por que haveria de dar-lhe este benefício?

A grande novidade, porém, foi-se verem todos atingidos por medidas que, tradicionalmente, não os atingiam, dando-lhes a ilusão de serem semideuses, super-homens todo-poderosos, acima do bem e do mal, colocados além das leis do país por sua condição de detentores de mandato eletivo.

Estupefatos, descobrem-se mortais comuns, como eu e você.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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