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09 Jun 2015

DESONESTIDADE INTELECTUAL

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Será tudo isso a tão propalada desonestidade intelectual? Ou será, como parece a muitos, que a expressão é um eufemismo politicamente correto que procura adoçar ou esconder a pura e simples desonestidade?

 

Recentemente, o jornalista gaúcho Percival Puggina publicou interessante matéria sobre a desonestidade intelectual embutida nas discussões sobre criminalidade e maioridade penal. Nela, cita o autor alguns dos artifícios utilizados nos debates para desconstruir a tese dos adversários.

Nossa política nacional, vergonhosamente, também é pródiga em exemplos similares.

Assim, é desonesto intelectualmente mentir descaradamente em programas de propaganda eleitoral, negando a realidade socioeconômica calamitosa em que já vivíamos e apresentando a situação do país como uma maravilha onírica.

Também é desonesto intelectualmente atribuir aos demais candidatos a intenção de adotar soluções impopulares desnecessárias, adotando todas e mais algumas logo após a eleição baseada em mentiras.

É desonestidade intelectual negar o conhecimento dos roubos mastodônticos que derrubaram a Petrobras de 7ª maior empresa do mundo para uma posição próxima à 150ª, depois de participar durante anos da engrenagem política que destruiu a empresa – justo orgulho dos brasileiros – pelo aparelhamento da mesma com “operadores” políticos encarregados de sangrá-la.

Também é desonestidade política o parlamentar governista votar contra seu partido, que ajudou a elegê-lo e agora não pode contar com seu voto, na hora de aprovar medidas impopulares inevitáveis para tentar equilibrar o caos causado pelo “novo modelo econômico” que aplaudiu e aproveitou o quanto pode, antes de o barco começar a afundar.

Ou, sendo político da oposição, votar contra projetos que faziam parte de seu programa e que estão sendo adotados pelo governo. Afinal, o que importa é a adoção das ideias de seu partido, se é que as tem.

E que tal, aproveitando a fragilidade do governo e a índole vingativa dos legisladores, extrair grandes aumentos salariais para a casta mais bem paga do serviço público, sob a ameaça não formalizada de que os juízes podem ser mais rigorosos no julgamento de políticos que se negarem a conceder os aumentos pretendidos e venham a cair nas malhas da Justiça?

Será tudo isso a tão propalada desonestidade intelectual? Ou será, como parece a muitos, que a expressão é um eufemismo politicamente correto que procura adoçar ou esconder a pura e simples desonestidade?

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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