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19 Dez 2004

Motivo e Razão

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Como era de se esperar, o governo federal pretende revisar a legislação incidente sobre a prática do aborto com o objetivo de ampliar as possibilidades de sua realização. Trata-se de mais um passo para baixo em escorregadia ladeira.

Como era de se esperar, o governo federal pretende revisar a legislação incidente sobre a prática do aborto com o objetivo de ampliar as possibilidades de sua realização. Trata-se de mais um passo para baixo em escorregadia ladeira.

Após anos de discussão do tema, dezenas de debates, dezenas de artigos, centenas de cartas recebidas e respondidas, firmei sobre ele uma sólida convicção: os defensores do aborto não têm razão nem razões. Eles têm apenas motivos, e motivos não são razões. Muitos motivos, aliás, são apoiados em flagrantes mentiras. Pergunte, por exemplo, a qualquer pessoa, quantas mulheres morrem vítima de aborto no Brasil e a resposta será uníssona: 400 mil por ano. Um número tão assustador quanto falso.

De tanto ouvi-lo, resolvi fazer as contas. O Brasil tem 90 milhões de mulheres. A distribuição da população feminina por faixa etária (índices do censo de 2000), mostra que 70 milhões delas têm idade entre 10 e 49 anos - limites tecnicamente extremos, inferior e superior, para uma possível gravidez. Supondo, por falta de dados, que 80% desse total seja sexualmente ativo e 90% fértil, teríamos, em números redondos, 50 milhões de mulheres em condições de engravidar.

Já a taxa de mortalidade geral é estimada, no Brasil, em sete óbitos por mil habitantes, por ano. Ou seja, morrem anualmente 630 mil mulheres. Portanto, segundo os números dos defensores da legalização do aborto, dois terços dos óbitos femininos no país são conseqüência de abortos mal feitos! O tamanho da mentira se torna ainda maior se aplicarmos a taxa de mortalidade geral linearmente sobre o conjunto das mulheres sexualmente ativas e férteis. Aí o número simplesmente superaria em 15% o total de óbitos possíveis...

Penso que isso serve para evidenciar o desrespeito à verdade, condição indispensável para o uso adequado da razão, que caracteriza os argumentos dos abortistas. Toda a defesa dessa prática se faz mediante mistificações como a que descrevi e por apresentação de motivos travestidos de humanitários, demográficos, sociológicos ou sentimentais. Mas, como sabem os filósofos, motivos não são razões. Muitas vezes, os motivos podem ser absolutamente irracionais, como é o caso dos que levam ao aborto voluntário e à sua defesa.

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N.A - Solitações para aquisição e envio do meu livro "Cuba, a tragédia da utopia" podem ser feitas pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:36
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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