Sáb09212019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

18 Mai 2015

UMA PÁTRIA EDUCADORA COMEÇA PELA EXTINÇÃO DO ECA

Escrito por 

Alguém tem aí a mais vaga noção do comportamento coletivo padrão em salas de aula brasileiras? Não né? Então esqueçam, pois sem atacar isto, nada vai além. E creiam-me, tem a ver com o lixo do ECA sim.

 

Este tipo de matéria pobre sobre o assunto educação tem lá sua utilidade:

BBC Brasil - PIB do Brasil pode crescer '7 vezes' com educação para todos, diz OCDE http://bbc.in/1zZzRq3

Falo sério, graças a esta divulgação posso entender porque a educação vai mal: porque não é entendida. Vejamos aqui:

"Em outras palavras, a OCDE estima que um cenário em que todos os adolescentes de 15 anos estejam estudando e alcançando um nível básico de educação pode ajudar o PIB do país a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas.A análise se baseia na pontuação de alunos de 15 anos em testes de matemática e ciências. E configura o mapa mais completo dos padrões de educação em todo o mundo."

Maravilha... Mas, o cenário supõe que as crianças que estejam estudando estão melhores do que as que não estão. Parece algo óbvio, mas não é... Aqui em S. Catarina, um dos estados melhor situados nestes índices há uma das maiores taxas de evasão quando o estudante passa para o ensino médio, ou seja, quando ultrapassa a marca dos 15 anos. Provavelmente porque isto não fará quase nenhuma diferença na vida do sujeito, ao passo que estudar no ensino básico sim para obter o emprego almejado. A baixa qualificação é o lugar comum, então para que continuar? E não é só retórica, para que continuar? Dizer que o PIB brasileiro pode aumentar sete vezes se todas as crianças forem para a escola e citar o exemplo de Singapura é uma falácia. Porque não é só sentar os glúteos na cadeira (se bem que nem isto fazem direito hoje em dia) para que o PIB aumente. Qual o plano? Qual o método? Como será a organização? Cara, nada disto é feito, só é presumido e fica a cargo dos municípios na prática. Então meu amigo, cidades pequenas, que predominam, há uma disputa para indicações políticas para cargos administrativos (diretor etc.), cuja função precípua é não deixar os problemas passarem às secretarias de educação e prosseguir até o gabinete do prefeito. A ideia básica é "não criar problemas". Nas cidades maiores se torna um pouco melhor neste quesito, mas por outro lado os problemas se concentram. E os sindicatos ficam de quatro quando são agraciados com migalhas. Embora digam que não, suas representações se limitam à questão salarial e têm ojeriza a qualquer reestruturação visando o aumento de eficiência, produtividade e cobrança de resultados. Ou seja, os sindicatos ajudam a educação a permanecer estagnada.

Também tenho que verificar o estudo em si ao qual se faz referência na matéria e não apenas um resuminho da BBC, mas fico embasbacado ao ler que o estudo se baseia somente em testes de matemática e ciências. É óbvio que se estendessem o mesmo para a capacidade de entendimento e leitura aí teríamos boa parte da causa da decadência e baixos níveis obtidos em outras disciplinas. Disciplina... Soa até hilário chamá-las assim. Alguém tem aí a mais vaga noção do comportamento coletivo padrão em salas de aula brasileiras? Não né? Então esqueçam, pois sem atacar isto, nada vai além. E creiam-me, tem a ver com o lixo do ECA sim.

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.