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08 Abr 2015

HONRA AO (DE)MÉRITO

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Nas nações que decidiram enfrentar com sinceridade o desafio de progredirem, as faculdades foram ocupadas pelos excelentes, e eles desenvolveram tecnologia e melhorias de gestão que criaram empregos de maior valor agregado para os seus compatriotas menos preparados.

Findas as olimpíadas, os brasileiros estão a resmungar nos botecos, entre goles  de chopp e mordiscadas em chochas batatas fritas, sobre o presumivelmente eterno fiasco dos nossos atletas. Quanta incoerência! Para tudo o mais, se um título justo merecemos, é o de honra ao demérito, por prestigiarmos a anticompetitividade a todo custo!

Abaixo a competição! Abaixo a concorrência! Jamais os brasileiros têm aplaudido tanto a incompetência quanto nos dias atuais: são as cotas para negros e para alunos da rede pública; as cotas de emprego para deficientes (e, em breve, também para negros e egressos do sistema público de ensino); o bizarro e mundialmente único projeto de emenda constitucional para garantir reserva de mercado a jornalistas diplomados;  as ordens profissionais, inclusive a OAB (esta já havia garantido seu lugar no texto original da Constituição) e os conselhos de classe; as cotas para mulheres na política; a legislação trabalhista que garante empregos a determinadas  profissões; o transporte coletivo, em todas as suas modalidades; a produção e refino de petróleo; os privilégios para micro e pequenas empresas vencerem licitações públicas; as leis municipais que proíbem instalação de grandes supermercados em bairros para garantir a sobrevida das antigas casas de secos e molhados; e por aí vamos, sem solução de continuidade...

Chegamos até mesmo ao cúmulo de erigir um peculiar status de super-órgão a uma entidade, o Cade, que a pretexto justamente de defender a concorrência, existe, sim, é para defender a permanência dos  concorrentes (às custas, especialmente, dos consumidores).

Pode-se afirmar que no Brasil de hoje não haja brasileiro que não se valha de pelo menos um grupo de pressão a associar-se ao estado para lograr privilégios para si às custas dos seus compatriotas. Não, tais pessoas simplesmente não existem. Se alguns se arrostam à audácia de colocar a cabeça acima da linha d'água, serão implacavelmente perseguidos pelo aparato monopolístico de repressão e coerção conhecido como estado.

Eis como exemplos as famílias que têm lutado para educar seus filhos em casa, caçadas furiosamente pelos burocratas do Ministério da Educação; eis os donos de vans, tratados todos os dias como "Genis" do transporte público, para que o monopólio das linhas de ônibus regulares prossiga em paz com a sua ineficiência;  eis os pobres cidadãos que disponibilizaram seus roteadores de internet aos vizinhos, impiedosamente punidos pela Anatel com pesadas multas; eis os cidadãos que ousam se defender dos bandidos e meliantes com qualquer troço enferrujado a que se dê o nome de arma de fogo! Parou? Isto não é nem o começo!

O grande problema da concessão dos privilégios é que a política fidalguista - chamemo-na assim - por definição, é inerentemente excludente, já que a soma de todos os privilégios, se fossem todos cumpríveis, ultrapassaria 100% da cota de direito que naturalmente seria atribuída a cada um. Desta forma, ou as medidas governamentais por ela inspirada anulam-se mutualmente, porque A obtém benefícios extravagantes em detrimento de B e vice-versa, ou necessariamente haverão de produzir os descontentamentos para quem somente sobrou o fardo a carregar.

O Brasil é uma sociedade de trincheiras, estas representadas por cotas, monopólios, reservas legais, atribuições exclusivas e que tais. Quanto pior, melhor. Quanto mais imbecil, ineficaz, ineficiente, negligente e imperito, tanto mais capacitado a ocupar posições de relevo em cargos de direção de repartições públicas, empresas estatais e empresas privadas oligopolizadas pelo regime nazista vigente.

O Jornal Nacional do dia 16 último levou ao ar uma reportagem retratando que a maioria absoluta das grandes empresas está "investindo" em cursos de capacitação para que seus profissionais possam ao menos adquirir a capacidade de realizar as tarefas mais básicas com algum nível mínimo e aceitável de desempenho. Investindo? Uma ova! Estão é tendo de arcar com despesas para prover os seus empregados com que o sistema estatal de ensino deixou de fazer, no que pese a colossalíssima estrutura do ministério da educação e das secretarias de educação estaduais e municipais, com todas as suas diretrizes, filosofias e demais mugangas. E os empregos de maior nível, estes estão vagos ou sendo preenchidos por estrangeiros.

Está aí a prova cabal, no melhor estilo brazuca de promoção, isto é, "pague 2, leve 1", de que no final é a educação livre o que conta, e que os diplomas que certificam os longos e fatídicos anos perdidos em claustrofóbicas salas de aula não servem de nada aos estudantes.

Nas nações que decidiram enfrentar com sinceridade o desafio de progredirem, as faculdades foram ocupadas pelos excelentes, e eles desenvolveram tecnologia e melhorias de gestão que criaram empregos de maior valor agregado para os seus compatriotas menos preparados. Bom, é para isto mesmo que existem tais instituições. É uma peculiaridade que no Brasil, sirvam, se tanto, como uma espécie de título nobiliárquico ou ainda menos, como um comprimido para a depressão provocada pela falta de estima pessoal, estimulada que foi pela cultura coitadista das esquerdas.

 

(Matéria também publicada no Mídia Sem Máscara em agosto de 2012)

Última modificação em Quarta, 08 Abril 2015 15:36
Klauber C. Pires

Analista Tributário, formado como bacharel em Ciências Náuticas, e especialista em Direito Tributário. Já exerceu cargo de chefia na Administração Pública Federal em gerência de administração de recursos materiais e humanos e planejamento. Possui vários cursos de gestão, planejamento, orçamento e licitações e contratos. Em 2006 foi condecorado com como Colaborador Emérito do Exército, título concedido pelo Comando Militar da Amazônia. Dedicado ao estudo autoditada da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco. Atualmente escreve para sites como o Causa Liberal, Manausonline.com, O Estadual.com, Parlata, Diego Casagrande, e Instituto Liberdade. Também mantém os Blogs Coligados, que reúne cerca de 40 blogueiros de todo o Brasil, e seu próprio blog, Libertatum .

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