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15 Dez 2004

Água Mole Em Cabeça Dura, Tanto Bate Que Não Ajuda

Escrito por 

Qualquer um, até mesmo Emir Sader pode entender que o real problema não é a “falta de água”, mas sua capacidade de reposição em tempo hábil.

Emir Sader, o articulador do Fórum Social Mundial, aquele evento da esquerda festiva no qual não sai nada de efetivo e realizador, publicou um artigo no Jornal do Brasil, dia 14 de novembro passado - “Água de beber” -falando sobre o que não sabe. Aliás, como é de costume... Neste artigo iremos dissecar seus preconceitos, incongruências e manipulações.

Sua “denúncia” agora é contra a privatização da água, que será fonte de guerras, inclusive na América Latina (!). E isto ocorre por que “a globalização liberal [invade] o mundo tratando de fazer de tudo mercadoria (...)”. Ora, a globalização liberal não invadiu o mundo, muito pelo contrário, a “globalização” pressupõe que seja um fenômeno mundial e esta não é. “Liberal” também não se trata, pois pressupomos “menos estado”, ou seja, com menores tarifas, impostos e taxas alfandegárias para as mesmas mercadorias.

Um país como o Brasil que ostenta o ridículo posto de segundo maior em arrecadação de tributos (o primeiro é a Dinamarca) não pode almejar o título de “liberal”. Isto é conversa mole de socialista pleiteando maior tributação e benefícios estatais. “Benefícios”, diga-se de passagem, normalmente aquém das necessidades gerais por que “privatizados” pela camarilha burocrática. Parece paradisíaco, mas em realidade, é infernal. Isto por que a economia totalmente planejada não tem competitividade e, sem esta, não há inovação tecnológica – imagine nós aqui, datilografando cartinhas com olivettis, para sermos respondidos daqui a semanas...

Hoje, o PIB russo é menor que o brasileiro. Alguém acha que isto não tem a ver com o socialismo? Talvez Sader pense diferente. Como pode um país que colocou o primeiro satélite artificial em órbita terrestre, que deteve uma população/força de trabalho superior a dos EUA quando compunha a URSS e, dentre outras vantagens, abarcou 1/6 das terras emersas do planeta, além de incomensuráveis recursos naturais e amplo acesso a regiões como o Oriente Médio ou a China perder a Guerra Fria para os EUA? Se eu responder que se trata simplesmente de uma questão de desenvolver a economia de mercado estarei mentindo. É muito mais do que isto. A vitória no pós-guerra se estruturou em cima da liberdade individual, de valores comuns equilibrados por responsabilidades individuais, de uma cultura favorável aos investimentos e a competição, da qual a economia de mercado é resultante, não causa. Para uma economia de mercado funcionar bem, necessita de valores, uma moral apropriada. E, é claro, um estado enxuto, mas que funcione.

Me “tapo de nojo” ao ler Emir Sader dizer que somos “liberais”, economicamente falando. Como se nossas tarifas de importação que rondam os 30% em média, ao passo que nos EUA elas variam entre 5 a 12%, não bastassem para desmentir esta insanidade. Dir-se-ia que isto é necessário para proteger nossa “indústria nascente” que não tem condições de competir de igual para igual com as do “mundo desenvolvido”... Só esquecem que procedendo assim, condenamos a “indústria nascente” a estar “sempre nascendo” e nunca sequer nascer.

Segundo o “professor”: “(...) usávamos o exemplo da água para diferenciar, nas aulas, o que tem valor de uso, mas não valor de troca, porque as pessoas têm acesso livre a elas.”

Nem de Marx, seu guru, ele entende, pois “valor de uso” e “valor de troca” fazem parte do léxico marxiano que tem um sentido econômico pobre e limitado. O exemplo é que a água só tinha valor de uso por que não podia ser comercializada, ou seja, ter “valor de troca”. Na verdade, toda mercadoria tem os dois: uma casa pode representar muito mais para um indivíduo do que o seu valor venal.

E as guerras? Sim, o artigo de Sader não poderia faltar com sensacionalismo. Sim, há guerras travadas inclusive pela água, tanto como pelo petróleo. Recentemente, na primeira Guerra do Golfo em 1990-91, a Turquia limitou o acesso árabe às águas do Tigre e Eufrates ao estancar seu fluxo através do fechamento das comportas de suas hidrelétricas nas nascentes. Assim como Saddam Hussein mais tarde, o faria com os xiitas ao sul, em seu próprio país numa estratégia de limpeza étnica. O interessante é que o ódio de Emir Sader não se volta contra regimes despóticos, mas contra os “grandes conglomerados”. O que é isto? Uma proposta de abolição de grandes empresas mundiais e sua substituição por uma outra... Grande Empresa Estatal? Este é o ponto.

Mas, me digam como a América do Sul pode ser o cenário da luta pela água? Como, com a maior bacia hidrográfica do mundo aí, a Amazônica? Como, com a segunda maior, a Platina? Como, com o maior lençol d’água subterrâneo do mundo, o aqüífero Guarani? Na verdade, toda a América do Sul, com exceção do Peru, mantêm situação de suficiência hídrica, ou seja, mais 1.700 m3/hab. ao ano. Aliás, situação análoga à da América do Norte, o que, por si só, já desmente qualquer razão para histerias sob possibilidade de “roubo de nossa água” como se tem divulgado insistentemente por aí.

Outros países em situação de stress hídrico, isto é, menos de 1.000 m3/hab. ao ano, inclui na América, além do já citado Peru, somente Haiti e Barbados; a maior parte dos países do Oriente Médio e 19 países africanos. Nada a ver, portanto, com Europa, Leste Asiático ou América do Norte.

Agora, é obvio que, se um banco empresta dinheiro para um país, alguma garantia de retorno do investimento terá que ser feita. Esta nunca é o próprio montante de recursos naturais do subsolo, mas parte do serviço de distribuição do mesmo. No Brasil, por exemplo, os serviços básicos de distribuição de água são estatais e, segundo o próprio IBGE, cerca de 50% dos municípios brasileiros não têm água tratada, nem saneamento básico suficiente.

Por que não se vê protestos de socialistas, ex-comunistas, atuais comunistas reciclados, anarco-sindicalistas, ecologistas etc. contra isto? Simples, a maioria é dependente de classes médias e altas que a sustenta, e tem como meta uma carreira pública, de tal modo que fica fácil acusar e/ou processar empresas privadas, mas nunca se discute a possibilidade de reestruturação do estado falido, o que é bem mais urgente.

Para Sader, devido às nossas grandes reservas de água doce: “(...) deveríamos assim ter uma das distribuições de água doce per capita mais elevadas do mundo, mas algumas zonas do continente sofrem secas tão duras que 25% do continente é considerado árido ou semiárido.”

Acho que este embusteiro quer mudar a geografia física da América do Sul...

Vejamos o que diz o geógrafo Ab’Sáber: “O domínio das caatingas brasileiras é um dos três espaços semi-áridos da América do Sul. Fato que o caracteriza como um dos domínios de natureza de excepcionalidade marcante no contexto climático e hidrológico de um continente dotado de grandes e contínuas extensões de terras úmidas. Vale lembrar que o bloco meridional do Novo Mundo foi chamado, por muito tempo, por cientistas e naturalistas europeus, ‘América Tropical’. Na realidade, a maior parte do continente sul-americano é amplamente dominada por climas quentes, subquentes e temperados, bastante chuvosos e ricos em recursos hídricos.

(...) “O contraste é sobretudo mais expressivo quando se sabe que nosso país apresenta 92% do seu espaço total dominado por climas úmidos e subúmidos intertropicais e subtropicais, da Amazônia ao Rio Grande do Sul.”

Para qualquer um, a afirmação acima poria uma pá de cal no assunto, mas não é bem assim quando se trata de um ideólogo como Emir Sader.

O Sertão Nordestino tem, entre as causas de suas secas periódicas, o fenômeno climático El Niño e, a falta de atuação do “estado superprovedor” que Emir Sader tanto defende é registrada desde a época de Dom Pedro II. Os desmandos e a corrupção da Sudene criada pelo “saudoso” Celso Furtado têm parte considerável das responsabilidades pelo flagelo humano que lá ocorre. Acusar a “globalização liberal” por isto é o mesmo que tentar justificar a pequena quantidade de água em Marte pela pesquisa da Nasa.

Se tomarmos como exemplo o Vale do Jequitinhonha, alardeado como a área mais miserável do país, o que acontece é sintomático: imagine um pesquisador especializado em geofísica com 90% dos casos bem sucedidos em encontrar bolsões d’água subterrâneos para irrigação. Ele acha, assina um documento que permite ao agricultor (pequeno, médio, grande, não importa) entregar no Banco do Brasil e ter seu subsídio liberado. O agricultor, por sua vez, paga uma parte ao geofísico. Beleza, não? Só que daqui a quatro anos, geralmente ano eleitoral, o mesmo geofísico é chamado no mesmo local para encontrar a mesma água! Só que mais uma vez feito o serviço, recebe alguns “presentes”, uma chave para passar uma temporada no apartamento da praia do “pobre agricultor” etc. Começa assim, depois os “agrados” podem “inflacionar”. Mas, e a produção? Quer dizer, os apartamentos comprados para aluguel com o subsídio governamental...

Assim como o Sertão Nordestino e norte de Minas Gerais, mas sem os problemas de corrupção endêmica, não dá para mudar o fato de que o norte do Chile existe o deserto mais seco do mundo, o Atacama, com áreas que não registram uma gota de chuva há 400 anos. Isto não se deve a uma “explosão populacional” ou, diferentemente do caso brasileiro, má gerência de recursos. Por mais que o professor tente torcer a realidade, não é suficiente para responsabilizar a “globalização liberal”, mas em sua insanidade, talvez sim as massas de ar...

A Patagônia Argentina que, particularmente, conheço bem, apresenta rios de origem glacial e nival, cujas águas são muito utilizadas para a fruticultura local – sim, é de lá que vêm as famosas maçãs e pêras -, e seus ovinos. Nada de crítico, nem miserável. Miserável apenas é a mentalidade de Emir Sader que não percebe a intervenção estatal como parte do problema. Pois, os problemas argentinos são os contumazes na América Latina, déficit público e corrupção.

Quando a população desenvolve uma cultura de mendicância e dependência, não há estado no mundo que resolva seus problemas. Isto é que gera miséria, não a falta ou baixa disponibilidade de água. Israel ou os EUA no seu oeste que o digam, são áreas com elevado grau de aridez e ricas.

Diferentemente do Utah, falta água em São Paulo, mas não devido aos “planos malignos” das “superpotências” ou “grandes conglomerados”, mas devido única e exclusivamente à má administração. Embora não tenha sido o que se viu nesses dias chuvosos e com inundações em que nossa prefeita esteve de licença em Paris , não temos um planejamento competente para alocação de água para períodos mais secos. O terceiro maior orçamento do país não tem recursos, devido à má administração e desvio de verbas, para abastecer a cidade, contentando-nos com propostas de racionamento.

No tempo em que as obras dependiam da contratação de serviços, muitas vezes, estrangeiros tivemos a solução como a reversão das águas do Rio Pinheiros a montante para o sistema Billings-Guarapiranga. Não se trata de uma “ode ao exterior”, mas de serviços contratados de empresas privadas como a Light & Power nos anos 40. Foi a corrupção do “estado provedor” no plano municipal que permitiu a ocupação irregular de suas margens e a conseqüente poluição hídrica que se verifica e, pela qual, pagaremos mais taxas para despoluição. Coloquemos a culpa, como quer Sader, pelo desabastecimento da Paulicéia nos “grandes conglomerados”.

Vamos aos números: “(...) de acordo com dados da SABESP, entre 1998 a 2003, o total em quilos de produtos usados para tratar 1 milhão de litros de água chegou a aumentar 51% no sistema Guarapiranga, que atende cerca de 4 milhões de pessoas na zona sul e oeste da capital paulista.”

Qualquer um, até mesmo Emir Sader pode entender que o real problema não é a “falta de água”, mas sua capacidade de reposição em tempo hábil. Com isto, quero dizer, que os problemas de administração de recursos hídricos que temos são de nossa inteira e exclusiva responsabilidade. Nada a ver, portanto, com a atuação de “grandes conglomerados”.

O que o “estado provedor” de Emir Sader faz a respeito das ocupações ilegais em torno da represa Guarapiranga, um dos principais mananciais de água para a maior cidade brasileira que desde 2000 cresce à taxa de 3,9% ao ano? Culpa da CIA? Talvez sim, para Sader...

O Brasil, em termos absolutos, é o país que mais tem água no planeta (algo em torno de 13,7% da água potável). Mas, não é só assim que se deve analisar. A ONU recomenda 1,5 mil m3/hab/ano. No entanto, enquanto que em Roraima podemos dispor de 1,74 milhão m3 no mesmo tempo, em Pernambuco a taxa cai para 1,3 mil m3. “Aí está o interesse dos grandes conglomerados”, diria nosso sagaz rapaz, “a Amazônia”. Sim, já não é de hoje que spams e alarmes falsos sobre interesses externos que rondam a Amazônia , mas detenhamo-nos nos cálculos.

“Água virtual” foi um conceito criado por Tony Allan que corresponde a quantidade de água utilizada para a produção. Já se mede ela no comércio entre os países, principalmente de produtos agrícolas. O Brasil é o 10o maior exportador mundial deste bem através do agronegócio. Atrás de países como EUA, Canadá, Tailândia, Argentina, Índia, Austrália, Vietnã, França e Guatemala.  Não é interessante observar que o maior exportador indireto de água do mundo seja justamente o acusado de deter os maiores “conglomerados” amaldiçoados por Sader? Se partilhássemos do “raciocínio” do sociólogo, não deveríamos achar que o país erra em sua política comercial?

Demos um crédito a Sader, ele pode achar que justamente devido à maior exportação de água embutida nos produtos pelos EUA, este país tenha maior necessidade de exploração desse recurso alhures. Só que, dentro desta lógica tipicamente colonial e pouco adaptada à conjuntura mundial atual, o Brasil seria provavelmente o maior explorador, inclusive de seus vizinhos. A China importou do Brasil em 2003, 18 milhões de toneladas de soja com “água virtual” de 45 bilhões de m3. No mesmo ano foram 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, com 19,5 bilhões de m3 do mesmo índice de água. Se há um país no mundo, portanto, que tende a aumentar sua demanda por água e exportação, esse país é o Brasil, sede de outros “grandes conglomerados” aos quais Sader não se refere. Ele não poderia se dirigir contra o agronegócio brasileiro, não agora, pois o primeiro passo é atacar as multinacionais para depois se posicionar contra o capitalismo em geral. Que tal focalizar a crítica? Quem teria coragem de ir contra o setor mais produtivo da economia nacional? Sader teria esta “coragem”, diretamente proporcional à burrice, na mesma medida que não tem consciência de sua importância econômica e estratégica. Mas quem lhe ouviria? Nem Lula, nem Palocci, mais preocupados que estão em desenvolver um capitalismo a chinesa...

O problema que vejo é a legislação e o respeito a regras internacionais mútuas de uso de recursos naturais. Desde a construção de Itaipu que Brasil e Paraguai se lixaram para o uso que a Argentina fazia das águas do Paraná rio abaixo. Imagine fazer isto no Danúbio, é guerra na certa. Mais que os problemas de ordem internacional, no Brasil se assomam os de ordem interna. A Petrobrás, p.ex., uma das cinco grandes pragas nacionais, é veterana em acidentes ambientais, sendo que em 2000 ela bateu seu próprio recorde ao despejar 5,8 milhões de litros de substâncias químicas no solo, rios e costa, sendo que desse total 1,3 milhão de litros de óleo foram só na baía de Guanabara. Será que uma das maiores patrocinadoras do Fome Zero (eficácia idem) do Governo Federal seria um dos “grandes conglomerados” a atrair o despeito saderiano?

O foco na pobreza como causadora dos seus próprios males e catástrofes ambientais não existe no raciocínio do professor da UFRJ e USP. Na América Latina, cerca de 20% da população não tem acesso à água tratada e 65% não tem conexão com rede de esgotos. No litoral paulista, 60% dos mananciais estão comprometidos; 32% das fontes hídricas no estado de São Paulo foram classificadas como ruins ou péssimas em 2003 e este índice já foi menor, segundo relatório da CETESB e o problema são os “grandes conglomerados”?! Patético...

Há décadas que Cingapura, uma das economias mundiais que mais cresceu no pós-guerra devido às multinacionais, importa água das Filipinas. Seguindo o raciocínio paranóico, o primeiro país poderia invadir o segundo por que detém mais recursos (uma renda per capita cerca de cinco vezes maior), mas não é assim que funciona no mundo globalizado. Sem nos determos em análises mais refinadas de política externa, basta dizer que é muitíssimo mais barato comprar. Por isto que, aos EUA e sua ligação com o gigante Canadá, um vazio demográfico com pequeníssima população, este recurso não faltará. Com suas cadeias montanhosas e uma das maiores redes hidrográficas mundiais com milhares de lagos, o Canadá que ostenta o maior volume per capita de comércio, só tende a se beneficiar com possíveis futuras exportações de água ao seu vizinho meridional.

Quando jovem, ouvia dizer que um certo sheik da Arábia Saudita queria resolver o problema de abastecimento de água em seu país rebocando um iceberg. Imagine: milhares de quilômetros percorridos em águas quentes, o que sobraria? Parece que essas idéias primárias e estapafúrdias influenciaram professores doutores além da conta.

Culpar a natureza por nossos desmandos administrativos também é uma alternativa ridícula. O semi-árido no interior nordestino não contém grande parte da população. A maior parte se concentra no litoral, onde não há escassez de chuvas, mas sim falta de infra-estrutura como de resto, na maior parte do país. Esta falta de foco também se faz presente quando o professor diz que “(...) algumas áreas da Europa (...) apresentam maior índice de contaminação do que o Brasil”. Ora, trata-se de áreas que tiveram governos comunistas por décadas! Atualmente, apenas 4% dos rios poloneses têm água própria para consumo e metade de suas cidades não têm estações de tratamento de esgotos adequadas.

Bradar insanamente contra a agricultura irrigada também faz parte dessa tática anticapitalista. Mas, não se quer combater a fome? Além desta retórica descabida e sem pé nem cabeça, a falta de congruência estatística também faz parte do artigo de Sader, pois “a demanda de água superará os recursos em 56%”. Quando? Só isto, sem perspectivas de crescimento nem nada. Puro sensacionalismo.

Se empresas privadas vão investir no mercado latino-americano, vejo com bons olhos, já que o estado se mostrou incompetente e não dá nenhum sinal de tentar amenizar o problema. A propósito, não é que o “companheiro” Lula endossou o plano, outrora veementemente criticado, de transposição das águas do São Francisco? Quem vocês acham que irá executa-lo, o falido estado brasileiro pela corrupção e déficit público ou empresas privadas através das PPPs? Em que pese o fato de destas terem um projeto extremamente, mal elaborado.

Sader não perde uma oportunidade em seus artigos para fazer seu proselitismo socialista. Tudo que se viu até hoje promovido por este sistema econômico-social só redundou em miséria, inclusive no tratamento dos recursos hídricos. Um caso bastante conhecido foi o ocorrido no Mar de Aral, legado dos tempos da URSS para a irrigação de algodão: http://earthobservatory.nasa.gov/

Como se pode observar, o lago já tinha perdido cerca de metade de sua área através das técnicas de irrigação soviéticas e da C.E.I., em um prazo de 14 anos. É este o modelo que Emir Sader quer que adotemos, de mau planejamento com direito à catástrofe ambiental?

A solução para problemas sócio-ambientais não se encontra em desmandos socialistas e comunistas, mas no próprio capitalismo. Se a distribuição de água, seu tratamento pode ser feito pelo setor privado, endossamos a privatização sim, mas com lisura e concorrência. Os recursos continuarão sendo públicos, mas o setor privado é quem, realmente, cria riqueza, fornecendo empregos e atendimento com competência. É ele quem tem que administrar a distribuição de água na América Latina. 

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:38
Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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