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12 Mar 2015

TEMPORAL POLÍTICO

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Brasília. Final de outubro. O sol insistia em brilhar na capital federal. As nuvens tinham ficado para trás juntamente com uma campanha dura e disputada. Agora era hora de curtir o momento, planejar o governo seguinte e olhar para os próximos quatro anos. A batalha estava vencida. As nuvens tinham ficado para trás.

 

Brasília. Final de outubro. O sol insistia em brilhar na capital federal. As nuvens tinham ficado para trás juntamente com uma campanha dura e disputada. Agora era hora de curtir o momento, planejar o governo seguinte e olhar para os próximos quatro anos. A batalha estava vencida. As nuvens tinham ficado para trás.

O novo período, entretanto, não anunciava um céu de brigadeiro. A briga por cargos começava a tomar forma e os ajustes, que não poderiam ser implementados durante a campanha, começavam a se impor. Algo precisava ser feito. Recolhida na solidão do poder, ela começava a traçar um intricado caminho. Diante de si o desafio de desviar das nuvens pesadas.

O sol estava pleno no começo do ano quando a faixa presidencial, recolocada em si mesma, repousou em seu corpo. O time escolhido não era o preferido, mas talvez acreditasse que o seu estilo gerencial pudesse dar rumo ao mosaico de forças que agora formava seu ministério. Na capital, o sol se impunha, mas a preocupação era a falta de chuva, especialmente em São Paulo.

Recolhida em uma dieta que lhe afinou a silhueta durante o mês de janeiro, seu ministro da Fazenda promovia o mesmo regime nas contas públicas, chegando inclusive além da gordura, atingindo os direitos trabalhistas. A lipoaspiração, contudo, não chegou na corrupção. O principal combustível da oposição vinha dos reajustes. O cardápio, como sempre, era vasto: energia, gasolina, insumos. Aumento de impostos, reajustes de alíquotas, corte de benefícios. Chovia em São Paulo. O alívio de um lado era preocupação de outro, já que algumas nuvens pesadas começavam a se formar em Brasília.

Na política, o cenário não era animador. Trovões vieram do outro lado da Praça dos Três Poderes quando o Planalto viu seu grande desafeto vencer a eleição para o comando da Câmara dos Deputados. A hostilidade e as trapalhadas palacianas seriam retribuídas. Enquanto isso, uma massa de ar quente se deslocava em avanço contínuo e firme para o Planalto Central. Vinha do Paraná.

No Planalto pairava uma massa de ar frio. Nada estava fora do lugar, mas a meteorologia ensina: o choque entre ambas causa nevoeiro, chuva e queda de temperatura. Foi o que vimos. Uma lista vinda de Curitiba e discutida no principal gabinete da República era o sinal claro disso. Mais uma trapalhada foi gestada com o vazamento de alguns nomes, o que causou ira no parlamento. Veio mais um troco. A terra tremeu e a garoa começou.

Os juros aumentaram, a bolsa despencou, o dólar disparou e os primeiros sinais de trovoadas começaram a ser ouvidos em nossa capital. É preciso lembrar que umidade e ar ascendente nem sempre formam tempestades. Para isso ocorrer, o ar precisa estar instável. No entanto, é exatamente o que começa a se formar hoje em Brasília, uma massa de ar instável e pesada, alimentada por uma economia cambaleante, um governo claudicante e um parlamento ferido.

No intuito de dissipar os relâmpagos, veio um pronunciamento diante da nação. Aquilo que acalmaria o tempo, trouxe ventos fortes que fizeram soar panelas e vaias. Pelo Brasil inteiro tempestades isoladas começaram a surgir. Um clima de instabilidade se disseminou e fortes chuvas de insatisfação popular devem tomar as principais cidades brasileiras no próximo domingo.

O céu de brigadeiro sumiu. Nuvens carregadas chegaram. A tempestade perfeita, a união de uma economia fraca e povo insatisfeito, somadas a uma crise de autoridade moral e governabilidade, começa a se formar, assim como foi visto em 1992. Naquela época, em meio a uma tempestade foi impedido um furacão. Dissipar estas nuvens pesadas é nosso dever. O Brasil mais uma vez está diante de tempos difíceis.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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