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05 Fev 2015

DISCUSSÃO BIZANTINA

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O pior é que, tudo indica, ainda não se chegou ao fim das investigações e o prejuízo, já na casa das dezenas de bilhões de reais, pode aumentar.

 

Uma discussão bizantina é aquela pretensiosa, frívola, inútil.

Consta que a defesa dos empresários corruptores no inesgotável escândalo do petrolão pretende alegar que os acusados pagavam propina, destinada a funcionários da Petrobras, políticos e partidos, porque tal era a exigência da petroleira para que participassem das licitações, todas elas de resultados acertados com antecedência entre todos os interessados. Alegam, ainda, que a prática é mais do que usual em todas as obras públicas e que não se calça uma rua numa pequena cidade sem que as empresas tenham que pagar propinas para as autoridades envolvidas.

A defesa dos gerentes da Petrobras e demais envolvidos na outra ponta do negócio, por sua vez, deve alegar que o clube de empresários oferecia a vantagem financeira de livre e espontânea vontade, para azeitar os negócios e garantir que sua proposta seria bem aceita e gozaria de vários aditivos depois de iniciada a obra.

A verdade é que se um lado oferece ou se submete a pagar importâncias e o outro exige ou aceita a propina, ambos estão igualmente envolvidos na maracutaia, não importando muito quem teve a iniciativa da fraude. Esta atinge a todos, sendo bizantina a discussão sobre a iniciativa do crime. Aceita a propina ou a chantagem, corruptos e corruptores são farinha do mesmo saco.

Por esse motivo, nações sérias criaram leis que criminalizam tanto o corruptor, que costuma posar de vítima de uma chantagem, quanto o corrupto, que exigiu ou aceitou vantagem indevida, que será incluída no preço final do produto ou serviço e será paga pelos contribuintes, que sempre acabam pagando por tudo.

Os órgãos estrangeiros responsáveis pelo acompanhamento da lisura dos contratos firmados por empresas de suas nações estão investigando suas ligações com a Petrobras. Anuncia-se a aplicação de pesadas multas caso fique comprovado envolvimento da companhia – que tem ações negociadas em bolsas estrangeiras, o que a coloca sob a lupa desses países – em negociatas ou desvio de verbas, o que prejudica os investidores estrangeiros.

Em caso extremo, pode nossa petroleira, há pouco tempo motivo de grande orgulho para todos nós, ser impedida de negociar seus papéis nas bolsas estrangeiras, por fraude e manipulação de dados financeiros e patrimoniais, divulgando informações falsas aos investidores.

Não é sem motivo, por isso, que as ações da empresa vêm sofrendo grande desvalorização nas bolsas, acumulando perdas bilionárias e chegando a ponto de seu valor no mercado ser inferior a seu valor patrimonial.

À roubalheira, acrescente-se a péssima gestão por diretorias infiltradas por diretores e funcionários indicados por partidos políticos, principalmente o PT, funcionários esses cuja única missão era a de desviar recursos da empresa para seus bolsos, os de seus chefes e o cofre de seus partidos.

Para completar o inferno astral, o governo federal, principal acionista da Petrobras, manteve congelado por muito tempo o preço de venda dos combustíveis no mercado interno, o que aumentou o prejuízo da companhia. Assim procedendo, pretendia a governante evitar os efeitos inflacionários desse aumento, criando uma imagem positiva no seio do eleitorado.

Por uma série de acontecimentos inesperados, a bomba explodiu no colo do governo, que terá que descascar o abacaxi que produziu, não podendo lançar a culpa em ninguém, reclamando de uma suposta “herança maldita”. Colhe exatamente o que plantou.

O pior é que, tudo indica, ainda não se chegou ao fim das investigações e o prejuízo, já na casa das dezenas de bilhões de reais, pode aumentar.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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