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20 Jan 2015

DIRETO DO MUNDO DA LUA - Parte XIV

Escrito por 

É preciso parar para centrarmo-nos em nosso lavoro. Porém, nada poderemos realizar se nos entregarmos ao imobilismo. Por isso, nada de desídia e muito menos de agitação descabida. Sejamos tranquilamente ativo e ativamente tranquilos. Ponto.

 

[i] Verdade seja dita: aqueles que pegaram em armas para lutar contra o regime militar não o fizeram em nome da democracia, nem em favor da liberdade. O fizeram por discordarem da coloração do regime de exceção. Apenas isso. Não queriam restaurar a normalidade democrática não. Eles ansiavam, sim, implantar a anormalidade socialista em nossa nação. Por essa razão, e por estarmos em plena guerra fria, os milicos enjaularam a democracia para combater o comunismo. O tempo passou, a ditadura brasileira acabou, a democracia foi libertada e, agora, está sendo lentamente sufocada por aqueles que pegaram em armas e por seus herdeiros. Eles estão realizando um sonho antigo e fazem isso sob a alegação canalha de que não estão matando-a, mas sim, realizando-a plenamente, como nunca se viu antes na história de nossa pátria que, ao que tudo indica, não é mais nossa.

[ii] Cláusula número um para uma conversa sobre o Cristianismo com alguém que acredita que veio do nada e que para o nada irá voltar: (i) o Cristão deverá trazer para a plateia cem pessoas que transfiguraram-se para melhor depois que se converteram. (ii) O devoto do nada (ateu) deverá apresentar cinquenta pessoas que tornaram-se seres humanos melhores por terem abandonado a fé em Cristo. Simples assim.

[iii] Conta-nos Johann Goethe que havia em tempos imemoriais uma lamparina encantada. Essa quando colocada no interior duma morada, por mais modesta que fosse, ficava maravilhosamente alumiada. Enricava seu interior e exterior. A lamparina referida pelo poeta é o Santo Evangelho de Nosso Senhor que enche de encantos a vida humana, por mais simples que seja, e cobre de glórias todas os deveres a afazeres, por mais humildes que eles sejam.

[iv] Malba Tahan ensina-nos que por não termos a menor ideia do que podemos fazer acabamos por nos entregar a lamurias que, aparentemente, nos trazem algum conforto por nos eximir de toda e qualquer responsabilidade pelas possibilidades que escolhemos. Em resumo: é a autopiedade nos pegando no colo. Porém, conforme nos lembrar o autor d'O homem que calculava, as tentações nos mostram o que somos e de que material é feito o nosso caráter. Por isso, não nos entreguemos a autopiedade de modo algum. É feio e, de mais a mais, ela é péssima conselheira e tem bafo de cachaça medonho.

[v] É frequente em nossa sociedade ouvirmos uma e outra alma sebosa afirmar que o mais importante é a prática, a dita experiência. Bem, vamos direto ao ponto: quem muito gosta de afirmar isso não tem experiência alguma (e se tem é de pouca valia). Segundo ponto: obviamente que esse tipo de sujeito não se encontra conscientemente munido duma boa teoria para alumiar a sua caminhada experiencial e, por isso, vale lembrar que toda e qualquer experiência é sempre, por definição, limitada e, necessariamente, só pode ser completada e compreendida à luz duma boa teoria conscientemente adquirida.

[vi] É preciso parar para centrarmo-nos em nosso lavoro. Porém, nada poderemos realizar se nos entregarmos ao imobilismo. Por isso, nada de desídia e muito menos de agitação descabida. Sejamos tranquilamente ativo e ativamente tranquilos. Ponto.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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