Ter08142018

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

05 Jan 2015

CNV X PETROBRAS

Escrito por 

Um dia, no meu país, o roubo da coisa pública não será visto como natural. Não mais se aceitarão desculpas como “roubo, pois todos roubam”. O governo da republica não será mais hereditário, passando de geração em geração dentro das famílias dos donatários, cada vez mais ricas à custa do Tesouro e de nossos impostos.

 

Estaremos , em 2015, engajados na luta contra a corrupção, que corrói os princípios da Ética e da Moral, degradando nossa imagem diante do mundo e aniquilando nosso patrimônio e nossas finanças. Ouviremos e daremos eco às Forças Vivas, lutando com denodo por um Brasil melhor.” (Gilberto Pimentel, presidente do Clube Militar)

Dois pesos, duas medidas. Essa é a conhecida regra dos governos socialistas. Em outras palavras também conhecidas, para os amigos tudo, para os inimigos a mentira, a injúria e a calúnia.

No desgoverno petista, o abacaxi que a presidente terá que descascar, fica muito aparente a aplicação desse raciocínio torpe.

Comparemos, por exemplo, os exemplos do relatório final da Comissão Nacional da Meia Verdade e o que sabemos, até agora, da vergonha internacional do petrolão.

A CNMV, ilegal, imoral e caolha, lançou lama irresponsavelmente sobre o nome de três ex-Presidentes da República, do Patrono da Força Aérea e de outros chefes militares de vida exemplar, modelos de comportamento para várias gerações de militares que tiveram a honra de com eles conviver ou herdaram seus ensinamentos e exemplos por meio de outros militares que com eles aprenderam.

A alegação é que eles não podiam deixar de saber o que acontecia em algumas instalações militares, já que os comissários decretaram que a tortura era uma política de governo, logo teria que ser do conhecimento dos governantes.

Por outro lado, caso semelhante aconteceu nos roubos bilionários no seio da maior empresa brasileira, cujo valor de mercado derrete diariamente nas bolsas de valores do Brasil e do exterior, a petroleira que vê surgir a cada dia um novo escândalo e um novo processo em foros nacionais e internacionais.

Neste caso, porém, as desculpas são outras. A presidente da companhia – antiga funcionária, com altos cargos de gerência em mais de um dos órgãos internos da mesma – a ex-Ministra de Minas e Energia, que também era presidente do todo poderoso Conselho de Administração da Petrobrás – e que hoje é a Presidente da República reeleita e em vias de iniciar seu segundo mandato, sob a sombra do descalabro econômico e financeiro nacional, essas não sabiam de nada e nem poderiam saber.

Alegam não ser possível que, numa das maiores empresas do mundo, os presidentes, ministros e conselheiros possam saber de tudo de errado que se passa.

Por acaso na Petrobrás a roubalheira escandalosa não era uma política do governo petralha, que partia e repartia o botim extraído das empreiteiras entre os “companheiros” da famigerada e venal base de apoio político ao governo de aluguel?

Que tipo de lógica é essa? Os Presidentes militares não podiam desconhecer o que se passava em determinados lugares num país das dimensões do Brasil, mas os governantes lulodilmistas desconheciam os que se passava na maior empresa do país? Embora a mesma estivesse aparelhada pelo PT e seus asseclas há muitos anos, e as importâncias inimagináveis desviadas pela quadrilha criminosa que a sangrava caíssem casualmente nos bolsos e contas bancárias dos cúmplices da tramoia, pousando de passagem em alguns guichês encarregados de pagar despesas eleitorais dos amigos do rei e da rainha?

A tudo assistimos sob o silêncio reverente de grande parte da imprensa e das entidades de classe cooptadas pela esquerda, como se tudo não passasse de um simples e insignificante “malfeito” – termo adotado pela Presidente para designar os crimes dos “companheiros”. Muitos desses órgãos deliram, salivando, quando se trata de condenar, sem direito à defesa, governantes que já morreram. Já no que se refere aos atuais mandatários, investigados e prestes a serem processados, que gozam dos benefícios da fortuna e do poder de nomear e pagar quem quiserem, nem um pio.

Tornam-se, assim, cúmplices dos suspeitos, por omissão e conveniência do momento.

Apenas o trabalho dedicado da Polícia Federal e do Ministério Público Federal pode salvar-nos das garras dos corruptos e dos corruptores.

Quando o castelo desmoronar, fingirão surpresa e indignação, alegando terem sido ludibriados em sua boa fé pelos larápios institucionais, como se as notícias desairosas fossem novidade para alguém.

Nunca antes na história desse país se roubou tanto e, até agora, tão livremente como nos governos petistas.

Quando se livrar dessa infelicidade, o Brasil levará alguns anos descobrindo e pagando novas falcatruas que surgirão, novos esqueletos encontrados dentro dos armários governamentais, e será muito difícil responsabilizar os autores dos crimes e fazê-los devolver os bilhões roubados.

Uma única grande esperança conforma os brasileiros de bem, que os há: a esperança de que o Judiciário, como por ocasião do julgamento do mensalão – brincadeira de crianças em comparação com o petrolão – atue de maneira exemplar e, apesar dos votos petistas garantidos por alguns ministros, não nos deixe saudosos de Joaquim Barbosa, o juiz implacável que, enfrentando a tudo e a todos, mandou para a cadeia alguns figurões da república que fraudavam a vida democrática por meio de pagamentos espúrios a alguns parlamentares.

Um dia, no meu país, o roubo da coisa pública não será visto como natural. Não mais se aceitarão desculpas como “roubo, pois todos roubam”. O governo da republica não será mais hereditário, passando de geração em geração dentro das famílias dos donatários, cada vez mais ricas à custa do Tesouro e de nossos impostos.

Não creio que verei isso, nem mesmo meus filhos, mas espero que meus netos vivam numa sociedade mais justa e honesta. E tenham muito orgulho de serem brasileiros.

 

Publicado por PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.