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23 Dez 2014

O PETRÓLEO ERA NOSSO

Escrito por 

Estamos assombrados com o volume do roubo da res publica, só possível pela certeza da impunidade que protegeu, durante décadas, os rapinantes que, graças à delação premiada, abriram o bico para diminuir suas penas.

 

O Clube Militar participou intensamente das grandes jornadas cívicas que resultaram na criação da Petrobras. Ostenta, numa parede do 3º piso de sua Sede Central, duas placas onde estão gravados em bronze os agradecimentos da empresa aos esforços do Clube Militar na luta pela criação daquela que viria a ser a maior empresa brasileira, a 7ª maior empresa do mundo, motivo de orgulho para todos os brasileiros e demonstração para o mundo da capacidade empreendedora, científica, tecnológica e gerencial dos brasileiros.

Em excelente artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 6 de dezembro passado, o ilustre jurista patrício Miguel Reale Júnior compara os escândalos que culminaram com o suicídio de Getúlio e com o impeachment de Collor e as atuais e cada vez mais graves descobertas da roubalheira de recursos públicos do petrolão.

O artigo começa relembrando a origem da expressão “mar de lama”, tão atual e tão citada nos últimos tempos: “O petróleo era nosso, agora a Petrobrás é deles. Diante do volume de recursos desviados passou-se a usar a expressão lacerdista mar de lama, adjetivação dada pela UDN aos fatos ocorridos no final do governo Vargas, em 1953-54.”

Seguem-se os grandes desvios de que era acusado o governo Vargas.

O primeiro, a importação de dois veículos Rolls Royce para a Presidência da República, isentos dos impostos de importação – o que é normal – mas que foram acompanhados por outros dois nas mesmas condições, um destinado à Importadora Santa Teresinha, da família Maluf – vejam como a história vem de longe – e outro ao magnata Peixoto de Castro.

O segundo, a compra de locomotivas para a Central do Brasil sem licitação.

Finalmente, a concessão de loterias federais a amigos do rei.

Comparando-se ao petrolão, parece brincadeira de crianças. E era considerado pela oposição udenista um mar de lama, na inflamada retórica de Carlos Lacerda.

Quanto a Collor, acabou com seu mandato cassado por corrupção, ao serem comprovadas as relações entre P. C. Farias e a Casa da Dinda, residência do Presidente.

P. C. Farias abasteceu, com parte do dinheiro arrecadado com exigências praticadas junto a fornecedores de órgãos públicos federais, contas fantasmas movimentadas pela secretária particular de Collor, por meio das quais se pagavam gastos da Casa da Dinda. Nada que cartões corporativos não façam com total liberdade atualmente, já que seus extratos são segredo de Estado.

Em face dos desvios da PTbras, o escândalo Collor é um caso para juizado de pequenas causas.

Até aí, “o petróleo era nosso...”

A plutocracia que cometeu e comete os maiores roubos da História pátria – segundo a imprensa internacional, os maiores do mundo ocidental em qualquer tempo – envolve altos funcionários da PTbras, muitos deles lá plantados pelo sistema lulodilmista de aparelhamento político das instituições públicas; também, políticos da base governista, receptores de gordas comissões para apoiar politicamente o esquema e brecar qualquer tentativa de investigação; finalmente, empresários da mais alta casta, diretores e proprietários de gigantescas empresas de construção civil do país, autores e vítimas dos pagamentos bilionários de propinas com recursos gerados por serviços superfaturados nem sempre prestados à petroleira nacional.

“A Petrobras é deles”, escreve o Dr. Miguel Reale Jr.

A gestão incompetente e criminosa da grande empresa começava com o sobrepreço nas avaliações e licitações combinadas, passava por aditamentos inexplicáveis aos contratos iniciais, multiplicando o valor dos mesmos; pelo contrato de empresas de consultoria inexistentes; e, finalmente, pelo serviço milionário de doleiros na lavagem e remessa para o exterior de toda a dinheirama roubada, bem como no  pagamento das mesadas aos políticos corrompidos.

O amplo esquema criminoso atingiu escala sem precedentes, alçando a conta, cujo valor final está longe de ter sido calculado, à casa das dezenas de bilhões de reais.

Tudo, naturalmente, será pago por nós. Como sempre.

O temor de muitos compatriotas é que essa seja a ponta do iceberg. O que não terá sido feito em outras obras públicas, nas barragens, aeroportos, estádios, metrôs, rodovias – muitos deles construídos com verbas do BNDES em países bolivarianos e socialistas hermanos – em manobras também cobertas pelo manto do segredo, que só poderão ser desvendadas daqui a 50 anos, se não for encontrada maneira de abrir o sigilo bancário que as esconde?

Estamos assombrados com o volume do roubo da res publica, só possível pela certeza da impunidade que protegeu, durante décadas, os rapinantes que, graças à delação premiada, abriram o bico para diminuir suas penas.

Virá mais, em números mais assustadores, se e quando forem examinadas as jogadas financeiras do BNDES?  

Haverá escândalos ainda maiores a descobrir, que farão com que o petrolão pareça coisa pequena?

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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