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01 Dez 2004

Sou Conservador, Sim

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Nunca como nestes anos que correm a humanidade foi tão destra em empilhar caixotes para apanhar bananas, nunca a inteligência dispôs de tantos instrumentos para ser produtiva, mas jamais esteve tão distante de perceber o sentido da vida e desinteressada de orientá-la para o Bem.

O macaco, quando empilha caixotes para apanhar bananas suspensas fora de seu alcance, está usando um atributo, denominado inteligência, comum a várias espécies animais. Já quem se empenha em conhecer a Verdade e o Bem, usa de uma outra faculdade, especificamente humana, chamada razão. E a razão esteve no centro da revolução filosófica dos séculos XVIII e XIX.

Que decepção teriam aqueles pensadores se pudessem confrontar o otimismo humanista que suas idéias suscitaram com a quase absoluta irracionalidade a que conduziram! Nunca como nestes anos que correm a humanidade foi tão destra em empilhar caixotes para apanhar bananas, nunca a inteligência dispôs de tantos instrumentos para ser produtiva, mas jamais esteve tão distante de perceber o sentido da vida e desinteressada de orientá-la para o Bem. Erich Fromm resume assim a situação: “Possuímos o ‘saber-como’ (know-how), mas não possuímos o ‘saber-por-que’ (know-why) nem o ‘saber-para-que’ (know-what-for)”.

O motivo é evidente. Absolutizando razão e liberdade, essa filosofia desenrolou o tapete para o relativismo e o existencialismo: se a razão for a única fonte da verdade e se a liberdade for “a essência do homem”, ter-se-á uma verdade para cada mente e o homem deve ser “o que quiser fazer de si”. O resultado é a miséria da filosofia e o trágico descaminho, travestido de liberdade, percorrido por gerações despreocupadas com a Verdade e com o Bem, patrocinadoras da prosperidade de advogados e profissionais da saúde mental. Destes porque lidam com os cacos que as pessoas acabam fazendo de si (e umas das outras) por não terem compreendido o que de fato são, e daqueles porque - ausente a noção de Bem - as relações sociais se orientam apenas por interesses que se complicam quando a regra é o desregramento.

Um prato cheio, de bananas. Extraviada a idéia de Bem, a noção de “erro” se esvazia e a consciência pessoal se amordaça num novelo de racionalizações oportunistas e egoístas. Nada há de surpreendente, então, na derrocada da instituição familiar, na irresponsabilidade moral de pais, educadores, comunicadores, legisladores, julgadores, na decadência do papel do Estado, no estímulo à violência, no avanço das drogas e da AIDS, nem na insignificância do amor, da justiça, da solidariedade e da virtude. E ainda aparece quem erga a voz para chamar conservador, como se o adjetivo fosse ofensivo, quem defende a preservação de tais valores.

Última modificação em Domingo, 22 Setembro 2013 17:41
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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