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03 Dez 2014

COMEÇARAM AS REFORMAS?

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Já o Governo, este é um grupo terceirizado, escolhido e contratado por prazo fixo, que deve executar o que a Nação/Estado deseja. O Governo é, portanto, um empregado da Nação, nada mais que isso.

 

Aprendi em longínquas aulas de Teoria Geral do Estado a definição básica: o Estado é a Nação politicamente organizada. Logo, Estado e Nação, em muitos aspectos, completam-se e confundem-se.

Já o Governo, este é um grupo terceirizado, escolhido e contratado por prazo fixo, que deve executar o que a Nação/Estado deseja. O Governo é, portanto, um empregado da Nação, nada mais que isso.

Há tempos os brasileiros estão descontentes com seu governo – agora com inicial minúscula – e vêm demonstrando sua insatisfação nas ruas e na Internet, que são os únicos canais que estão abertos para tal reclamação. Infelizmente, quando tiveram a grande oportunidade de se livrar do empregado que não cumpre o que prometeu, deixaram de aproveitá-la.

Continuam, não obstante, as crescentes exigências por reformas, entre elas a econômica e a política. E parece que por estranhos caminhos e por atalhos insuspeitos algo muda.

Lenta e dolorosamente, extraídas a fórceps, começaram as tão esperadas, prometidas e nunca decididas reformas econômicas e políticas.

Silenciosamente, sem alarde, a presidente Dilma decidiu que sua nova equipe econômica tomará posse antes de instalado seu segundo governo, para procurar estancar a destruição total de nossa economia, que se aproxima a cada dia. A última notícia catastrófica, desta semana, informa que tivemos, até outubro de 2014, o maior déficit (fiscal + externo) anual desde 1949.

A realidade teima em ser completamente diferente do que pintaram os marqueteiros antes das eleições. Desafortunadamente, a maioria dos que compareceram às urnas preferiu o dourado das fantasias.

Discretamente, meio em surdina, começa a reforma econômica, mesmo antes da posse de novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, adepto – é o que consta – da disciplina fiscal e do controle dos gastos públicos e da inflação.

Não sou economista e não conheço o novo ministro, mas pela reação indignada que sua escolha causou nas hostes petistas, creio que só pode ser boa para o Brasil.

A segunda reforma é a política.

Não houve qualquer nova lei, decreto, ou mesmo discussão no Congresso sobre o assunto – o que desconfio que nunca acontecerá – mas a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça – órgãos do Estado – durante a investigação e processo do famigerado petrolão, provocarão uma mudança definitiva nos hábitos e costumes políticos de Pindorama.

Há mais de uma centena de presos, sem chegar ainda a tocar nos políticos envolvidos (dezenas? centenas?) que só serão conhecidos quando seus nomes forem divulgados pelo STF, que será encarregado de seu julgamento.

Perto do tsunami que se avizinha, o famoso e parcialmente frustrante resultado do julgamento do mensalão parecerá nada mais do que o aquecimento para o jogo principal.

Representa sério risco de cadeia pesada e de suspensão de direitos políticos para os envolvidos e da declaração de inidoneidade das maiores empreiteiras da construção civil do Brasil. 

A exposição ao conhecimento público da nação e do mundo – para nossa vergonha atual e redenção esperada – das tramoias bilionárias que envergonham a nação e comprometem a credibilidade do resultado das recentes eleições brasileiras num crescendo avassalador, fará com que as próximas, a partir de 2016, sejam bem diferentes.

A fonte secou. Os encarregados das finanças dos candidatos, os próprios e seus partidos e coligações terão que ter muito cuidado ao propor, exigir ou aceitar doações “desinteressadas” de grandes empresas. 

Por outro lado, os doadores generosos serão muito mais parcimoniosos, pois grandes tubarões do mundo empresarial estarão presos ou em vias de sê-lo, e as penas não hão de ser leves. Além disso, correm sério risco de serem processados por corrupção também por organismos internacionais.

Os que escaparem estarão ainda temerosos de outros desdobramentos dos escândalos em grandes obras públicas, como aeroportos, represas, estradas, onde os atores são os mesmos, o que leva a pensar que o enredo e a música também sejam muito semelhantes.

O grande exemplo que ficou do mensalão foi a condenação de banqueiros e operadores da ladroagem a penas severas. Marcos Valério, por exemplo, recebeu pena de 40 anos de prisão. Os políticos, por sua vez, receberam penas leves e já estão fora da cadeia.

Escaldados, os operadores das maracutaias da PTbrás apelaram para a delação premiada, expondo as entranhas das relações promíscuas entre políticos e empresários, assaltando os cofres de nossa maior empresa e deixando a conta para pagarmos, direta ou indiretamente.

Pela primeira vez, processos que correm no país e no exterior ameaçam gigantes empresariais, que sempre estiveram acima das leis. Será que alguns, ao verem o círculo se fechando ao seu redor, também não apelarão para a denúncia dos crimes de que participaram em troca de redução de suas inevitáveis penas?

De qualquer maneira, nossos usos e costumes político-eleitorais terão que ser revistos. Não haverá mais dinheiro a rodo, campanhas bilionárias, marqueteiros milagrosos, tapetes mágicos e promessas de reinos das mil e uma noites.

Parece-me que a Nação/Estado cobra a conta dos maus administradores que escolheu. Viveremos catarse dolorosa, mas que nos deixará mais sábios, mais maduros e mais puros.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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