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01 Dez 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA - Parte VI

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Cair, levantar, cair novamente e continuar a lutar sem permitir que a poeira levantada pela peleja ofusque nosso olhar na direção do horizonte que pretendemos alcançar e, acima de tudo, sem perder, jamais, a fé. Isso é tudo.

 

Conforme os anos passam, cada vez mais faz-se presente em nossas conversações, cenas vividas por nós. E as cenas que acabam sendo apresentadas à mesa, de forma indiscreta, refletem a vida que, bem ou mal, vivemos até o momento em que estamos a parlar.

II Cair não é feio não. É humano. Faz parte da vida, de nossa jornada por esse vale de lágrimas. Porém, rastejar é feio. Humilhar-se, a procura de lisonja, mais ainda.

Cair, levantar, cair novamente e continuar a lutar sem permitir que a poeira levantada pela peleja ofusque nosso olhar na direção do horizonte que pretendemos alcançar e, acima de tudo, sem perder, jamais, a fé. Isso é tudo.

III Joaquim Nabuco, certa feita, declarou que toda sua psicologia estaria contida nas palavras do livro do Gênese que rezam que Deus fez o homem a Sua imagem e semelhança.

Mais adiante ele afirmou que toda sua estética também encontrava-se sintetizada em algumas poucas palavras do mesmo livro da Sagrada Escritura que afirmam que Deus viu que tudo era bom.

Compartilho dessa visão e, colocaria uma passagem a mais. Penso que um trecho que simboliza todo drama da humanidade é o que nos é apresentado na cena onde a serpente diz que, se ousarmos..., seremos como deuses.

Pois é, caímos todos nessa tentação e, orgulhosamente, estamos, dia após dia, pervertendo nossa psicologia, nossa percepção estética e, consequentemente, nosso senso de realidade.

VI Umas das principais modinhas modernosas é a de dizer que ninguém é culpado de nada, que a responsabilidade deve sempre ser atribuída a terceiros.

Modinhas como essa fundam-se na falsa ideia de que todos somos seres inocentes e bonzinhos ao estilo do velho bom selvagem de Rousseau.

Tendo isso em vista, é salutar lembrar a obviedade apontada por Pascal Bruckner: dizer que nunca somos culpados é o mesmo que dizer que nunca somos capazes.

E é isso o que acontece quando nos entregamos a idolatria do coitadismo: imolamos a liberdade, a nossa individualidade e tudo o mais que nos humaniza, para aliviar nossa consciência de toda e qualquer responsabilidade.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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