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18 Nov 2014

TEMPESTADE PERFEITA

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Pois é. Tempestades perfeitas acontecem. Para prevê-las, basta observar o movimento das nuvens, que hoje se abastecem das delações premiadas e de uma política econômica fracassada. Preparem seus guarda-chuvas.

 

Logo após o período eleitoral ter se encerrado no Brasil, diversos institutos analisaram os resultados aqui na capital americana. Procurava-se saber o impacto do pleito nos destinos do Brasil. Durante um destes debates perguntei a um dos analistas sobre os possíveis cenários para 2015, afinal, a economia patina, a inflação passa da meta, os gastos públicos dispararam e os juros aumentaram. Agora imagina-se este quadro desolador aliado ao terremoto político da Petrobras, que já possui 70 políticos envolvidos diretamente, e o próximo escândalo que se desenha, o "Eletrolão", que emerge das entranhas do setor elétrico. Diante disso, o debatedor me respondeu: "Ah, mas isso que você desenha é uma tempestade perfeita!".

"Perfect Storm" é um termo político muito usado aqui nos Estados Unidos para designar o alinhamento de situações terríveis que podem desgraçar um mandato. Poucos dias depois daquela reunião em que meu interlocutor desmereceu a possibilidade de um inferno astral atingir Dilma Rousseff, Christopher Garman, da Eurasia, dizia que o risco de tempestade perfeita atingir a Presidência em seu segundo mandato era uma realidade. Recentemente, Fernando Rodrigues, jornalista político brasileiro, repetia o termo: "Prisões da Lava Jato criam tempestade perfeita no final do governo Dilma".

"Tempestades perfeitas" existem, especialmente em governos corruptos e vulneráveis ao escrutínio de instituições independentes em um regime democrático, como a Polícia Federal e o Ministério Público. A Operação Lava Jato prova isto. A devassa realizada na Petrobras tenta desmontar o maior e mais intrincado esquema de corrupção da história do Brasil, algo que supera por larga margem inclusive o escândalo do Mensalão.

Como se isso não fosse o suficiente, Dilma colhe os perigosos resultados econômicos que plantou durante seu primeiro governo. Os números são pífios e em breve devem atingir o emprego e o crédito. Diante de contas públicas deterioradas e desequilibradas, podemos estar diante de um desmonte do modelo de estabilidade econômica alcançado com o Plano Real. O crescimento da inflação não nos deixa mentir.

Antes de ser Presidente da República, Dilma foi Ministra de Minas e Energia com assento na Petrobrás e influência na Eletrobrás. Será difícil algum escândalo não bater em sua porta. Quando este dia chegar, diante da avalanche de prisões que as investigações do juiz Sérgio Moro está produzindo, a República irá tremer. Diante de um governo fraco e uma população desiludida com a economia, as nuvens começam a se alinhar e a tempestade perfeita começaria a tomar forma.

Pois é. Tempestades perfeitas acontecem. Para prevê-las, basta observar o movimento das nuvens, que hoje se abastecem das delações premiadas e de uma política econômica fracassada. Preparem seus guarda-chuvas.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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