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11 Nov 2014

É ESTELIONATO ELEITORAL SIM!

Escrito por 

Acho que não é “apenas” cara de pau, e sim estelionato eleitoral mesmo. A presidente Dilma colocou em prática inúmeras medidas que poucos dias atrás acusava de “neoliberais” contra os pobres, e dizia que Aécio Neves faria se fosse eleito.

 

O que me assusta no Brasil é a normalidade com a qual encaramos absurdos. O debate agora é sobre a nova equipe econômica a ser anunciada por Dilma, e muitos esperam mais bom senso da presidente reeleita na escolha dos nomes, demonstrando uma guinada ao pragmatismo. Cobram dela mais racionalidade após as eleições, ou seja, que ela deixe para trás o palanque e caia na realidade.

Tudo bem, mas vamos simplesmente ignorar o que foi feito durante a campanha? A campanha mais sórdida de todos tempos ficará por isso mesmo, assim, como se não fosse nada demais, parte do jogo democrático? Há um salvo-conduto para o PT então, reconhecendo-se que ele pode de tudo para vencer, rasgando a ética e as leis eleitorais, desde que depois não coloque em prática suas promessas?

Entendo o desespero de todos: se Dilma continuar em sua trajetória anterior, ou levar a sério as besteiras ditas durante a campanha, o Brasil afunda de vez. Só não consigo conceber um foco tão imediatista em troca de uma preocupação com o processo, com o que está em jogo no longo prazo. Imaginem a reação de um suíço se contarmos a ele o que foi dito por Dilma na campanha e feito nos primeiros dez dias após reeleita!

Mas nem todos estão deixando isso passar. Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, escreveu em sua coluna de hoje no GLOBO um duro ataque ao método Pinóquio da presidente, inspirada também em Maquiavel. O economista diz que até Jesus Cristo seria “desconstruído” pela máquina de difamação montada por João Santana e aprovada por Dilma:

No vale tudo das eleições brasileiras, se Jesus Cristo fosse candidato, o marqueteiro de Dilma, João Santana, demonstraria que o PT fez mais em 12 anos do que o filho de Deus em 33. O maior milagre de JC foi multiplicar peixes e pães dando de comer a cinco mil fiéis na Galileia, enquanto o Bolsa Família atende a 56 milhões de pessoas! A frase “Vinde a mim as criancinhas…” seria apresentada com conotação de pedofilia. Pobre Jesus Cristo. Antes morrer na cruz.

Mentira, difamação, intimidação e calúnia: estas foram as armas usadas pela campanha do PT. Se uma nação simplesmente aceita isso como algo normal, como parte do processo, sem mais nem menos, que recado está dando aos futuros candidatos? Como condenar depois aqueles que não medem esforços e não encontram limites no jogo sujo pelo poder? Com que moral o eleitor vai exigir um comportamento ético se aceita passivamente tanta mentira durante a campanha?

Agora a presidente Dilma está preocupada em não ver a economia derreter durante seu segundo mandato, mas antes sua única preocupação era vencer a eleição. Aceitar que não precisa haver elo entre uma coisa e outra é tolerar uma demagogia que deseduca o povo brasileiro, que não ensina a importância de uma gestão mais austera vista nas hostes esquerdistas como coisa de “neoliberal”. Diz Castello Branco:

Até que ponto o festival de notícias impopulares teria afetado a votação da presidente reeleita, caso tivesse acontecido antes de 26 de outubro, são outros quinhentos. Mas, convenhamos, se não é estelionato eleitoral, é muita cara de pau.

[...]

Como o personagem de Collodi faz parte de uma fábula e os narizes dos políticos não crescem, resta-nos sugerir nas próximas eleições a adoção do detector de mentiras. Caso contrário, Pinóquio vai acabar presidente…

Acho que não é “apenas” cara de pau, e sim estelionato eleitoral mesmo. A presidente Dilma colocou em prática inúmeras medidas que poucos dias atrás acusava de “neoliberais” contra os pobres, e dizia que Aécio Neves faria se fosse eleito. Se o povo brasileiro continuar tratando isso com naturalidade, chegará o dia em que Pinóquio em pessoa, ou em boneco, será nosso presidente mesmo. Um Pinóquio maquiavélico…

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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