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23 Out 2014

SOBRE O DATAFOLHA, POLÍTICA E PROPAGANDA

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Em uma eleição muito disputada como a que estamos vivendo, inequivocamente a metodologia adotada, horário de abordagem e um outro número enorme de fatores contribuem para oscilações.

 

Poucos analistas e jornalistas políticos no Brasil se arriscam a fazer previsões, mas são mestres na arte de apresentar explicações. No caso da pesquisa Datafolha, apesar de praticamente ninguém prever a inversão entre Aécio e Dilma, no dia seguinte sobram explicações. Geralmente estas pessoas olham os dados divulgados e apresentam justificativas infantis, como "a queda de Aécio no Sudeste está relacionada ao problema da água em São Paulo". Sinceramente, os movimentos eleitorais estão muito distantes desta explicação simples e banal.

Em uma eleição muito disputada como a que estamos vivendo, inequivocamente a metodologia adotada, horário de abordagem e um outro número enorme de fatores contribuem para oscilações. Portanto, enquanto o Sensus apresenta um resultado, Datafolha chega a outra conclusão e outro institutos, como Veritá ou até mesmo Ibope, também apresentam variações.

Pesquisas não são quadros definidos. Muito pelo contrário. Pesquisas indicam movimento. Logo, é preciso olhar uma série delas para conseguirmos entender por onde está caminhando o eleitorado. Logo, puxar os dados de uma sondagem e tentar explicar movimentos, para usar uma palavra que está na moda, chega a ser leviano. É preciso mais de uma pesquisa, mais de um instituto apontar com clareza uma mudança.

O que o Datafolha nos mostra é um começo de movimento, de acordo com a metodologia usada pelo instituto, não captada pelos concorrentes. Estes, por sua vez, entenderam a intensidade de movimentos do primeiro turno ignorados pela dupla Ibope-Datafolha. De qualquer forma, dizer que Aécio enfraqueceu no Sudeste ou Dilma cresceu entre as mulheres e buscar as explicações para isso tendo como base tão somente uma simples sondagem é fazer jornalismo político pouco sadio dentro de um processo eleitoral.

O fato é que essas oscilações, em um processo eleitoral tão embaralhado e disputado, é algo perfeitamente normal. Não me surpreenderia se o mesmo instituto mostrar nos dias finais da campanha os dois candidatos rigorosamente empatados - aí será ouvido que isto ocorreu porque Aécio, por exemplo, concentrou esforços no Sudeste nos últimos dias. Balela. As oscilações em uma eleição aguerrida como esta são movimentos naturais e o resultado das sondagens, lembro mais uma vez, dependem da metodologia e até do material gráfico apresentado aos entrevistados. São muitos detalhes.

Na minha opinião, Aécio lidera por uma pequena margem, muito pequena, algo que não chega a 2%. É muito pouco e fácil de ser revertido. Do outro lado a mesma coisa. Qualquer vantagem é passível também de reversão. Apesar de acreditar que as condições são mais favoráveis para Aécio - 70% dos eleitores desejam mudança, não significa que ele vencerá. A campanha negativa em cima da candidata que personificava a mudança e favorita na minha opinião, Marina Silva, foi tão intensa que a tirou do segundo turno. Esta artilharia hoje mira em Aécio. Por mais que personifique a mudança, há um processo brutal de desconstrução de sua imagem em curso. A definição desta eleição está dividida entre o desejo de mudança e o potencial de desconstrução de imagem do marketing. Marina não resistiu. Caberá a Aécio provar que a política é mais importante que a propaganda.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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