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21 Out 2014

NA RECORD, AÉCIO LEVOU OS INDECISOS

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O resultado ficou expresso nos grupos focais com indecisos que assistiram o debate: 55% disseram que preferiram Aécio, 15% optaram por Dilma, enquanto 30% permaneceram indecisos. Portanto, no embate da Record o tucano abriu espaço no grupo mais importante: entre os indecisos.

 

No primeiro embate entre Aécio e Dilma neste segundo turno, na Band, o tucano foi surpreendido pelo preparo da petista. No segundo encontro, nos estúdios do SBT, o PSDB já havia decifrado a estratégia vermelha. Armou-se e surpreendeu. Mostrou que também poderia colocar a faca entre os dentes. O PT se assustou. Depois de dois debates surpreendentes, veio o duelo na Record.

O estúdio da emissora paulista transmitiu um debate normal, que não entrou pela esfera dos ataques pessoais, mas isso não quer dizer que não tenha sido tenso. Foi e muito. As farpas começaram a ser trocadas nas primeiras perguntas e Dilma seguiu o script de sempre: demonizar os anos de Fernando Henrique e dizer que os dados de Aécio não batem com a realidade. Ela, entretanto, evitou a estratégia de tentar a inversão do debate, algo que conseguiu com sucesso na Band, mas que não alcançou resultado no SBT.

Os ataques cruéis dos petistas cessaram dentro dos estúdios da Record. Dilma deixou o trabalho sujo para os comerciais de televisão, enquanto no debate mudou o tom. Isto tem duas explicações: ou os grupos focais mostraram que não estavam funcionando ou os tucanos fizeram chegar aos ouvidos petistas o tamanho da lama que Aécio tinha nas mãos para revidar qualquer golpe baixo ali mesmo. O fato é que houve uma mudança de estratégia do lado vermelho, que desta vez usou branco.

Aécio fez seu jogo. Respondeu com parcimônia o que precisa ser contraposto e não precisou defender-se de acusações pessoais revidando com mais lama, como fez no SBT - onde expôs o telhado de vidro da petista quanto ao nepotismo: ela possui um irmão que recebe e não dá expediente na prefeitura de Belo Horizonte.

O resultado ficou expresso nos grupos focais com indecisos que assistiram o debate: 55% disseram que preferiram Aécio, 15% optaram por Dilma, enquanto 30% permaneceram indecisos. Portanto, no embate da Record o tucano abriu espaço no grupo mais importante: entre os indecisos.

Muitos queriam que Aécio jogasse mais pesado, partisse para cima de Dilma. Calma. Eleição não se ganha sendo afoito. É preciso calibragem e inteligência. Isto Aécio mostrou de sobra. Defendeu-se com classe, deixou claras as contradições do governo, acuou Dilma de forma certa (chegou a gaguejar novamente) e venceu o debate entre os indecisos sem humilhá-la. Ganhou por pontos. Mas na política, como no boxe, é possível ganhar uma luta por pontos, especialmente se estes forem angariados entre os indecisos.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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