Sáb10192019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

09 Out 2014

MARINA VEM AÍ

Escrito por 

Alianças regionais, apoios, ataques, investigações, acusações. Este será o segundo turno. Mas o segundo turno também será de Marina. E se ela aliar seus seguidores, desejosos de uma mudança significativa no Brasil, a um dos projetos em disputa, pode fazer toda a diferença. Os próximos dias estarão aí para provar se tenho razão ou não.

 

Aécio Neves fez aquilo que parecia impossível. Virou uma eleição praticamente perdida quando muitos cogitavam inclusive que ele renunciasse em favor de Marina Silva. O tucano deu a volta por cima e agora chegou ao segundo turno. Desembarca em alta, vivendo o seu grande momento nesta eleição. Precisará, agora, encontrar a sintonia perfeita que pode levá-lo a vencer Dilma e chegar ao Palácio do Planalto.

A recuperação de Aécio nas pesquisas tem também relação com Dilma, ou melhor, com João Santana, o marqueteiro do petismo que massacrou impiedosamente a imagem de Marina Silva, fazendo com que suas intenções de voto fossem minguando aos poucos e o tucano pudesse ir crescendo na margem. Marina, que tinha em suas mãos todos os elementos para vencer, começou a se perder. Apesar de possuir o momento político, a novidade e principalmente a sensação de renovação com ética que sua campanha trazia, foi confrontada com o que a política pode fazer de pior - triturar reputações, criar mentiras e abalar sua confiança. Marina não se defendeu, tampouco contra-atacou. Quando sua nova política se viu diante dos ataques da velha forma de ganhar eleições, sua candidatura não encontrou forças para reagir.

Portanto, se Marina tivesse decidido entrar no jogo da velha política, ou da política como ela é, provavelmente teria resistido. Ela não era apenas um fenômeno efêmero, um balão que perderia o gás naturalmente, mas uma candidatura consistente que procurou se manter íntegra, mas que foi massacrada pela máquina de moer reputações, idealizada por seus antigos companheiros. Pasma, aparvalhada e abatida, chegou na reta final de campanha sem forças.

Do outro lado, enquanto Dilma subia para seu teto, na faixa dos 40%, recuperando o fôlego e os votos perdidos para Marina, Aécio ressurgia e dava sinais de vida. Subia vagarosamente com a ajuda indireta dos petistas e passou a esperar o momento certo de dar o bote. Na última semana sua campanha engrenou, as peças encaixaram e tudo chegou ao ápice com um desempenho memorável em um debate em que confrontou Marina, deu lições de moral a Dilma e mostrou a postura indignada pela qual seus eleitores esperavam por tanto tempo. Aécio ressurgia competitivo.

Quando o tucano decidiu mostrar-se como contraponto ao petismo, seus índices começaram a reagir e uma transferência avassaladora de votos começou a se movimentar em seu favor, algo como 13 milhões em menos de 10 dias. Do poço dos 14% para onde foi jogado após a ascensão de Marina, terminou o primeiro turno com quase 34% das intenções de voto.

Eis que passado o primeiro turno entra em cena Marina e seus 22 milhões de votos. Subitamente, aquela que foi tratada como pária pelos concorrentes, passará a ser cortejada e elogiada. Mas tudo indica que ela já tomou sua decisão e não será a neutralidade de 2010. Ela irá fazer valer seus 21% obtidos neste primeiro turno. Ela diz que o mais importante é dar voz aos seus eleitores, pois eles votaram pela mudança.

Alianças regionais, apoios, ataques, investigações, acusações. Este será o segundo turno. Mas o segundo turno também será de Marina. E se ela aliar seus seguidores, desejosos de uma mudança significativa no Brasil, a um dos projetos em disputa, pode fazer toda a diferença. Os próximos dias estarão aí para provar se tenho razão ou não.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.