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25 Set 2014

SE NÃO ERRAR, VAI VENCER

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O fato é que este duelo chegará na segunda fase com o acirramento das pancadas de cada um dos lados. O eleitorado de Marina tende a sentir mais rápido e veremos isto nas pesquisas.

 

As pesquisas deixaram muito claro aquilo que havia explicado neste espaço. Marina tem seu patamar na casa dos 30%. Dilma, assim como qualquer candidato petista, também varia neste nível. Aécio segue na busca dos seus 30%. Chegou ontem a 19%, mas até o momento não tem mostrado os predicados que o ajudariam a chegar no segundo turno. Precisaria ser mais firme, mas prefere manter os punhos de renda de seu partido.

A campanha, portanto, tomou a forma que havíamos previsto nesta coluna desde o falecimento de Eduardo Campos. Marina usou a musculatura que havia adquirido nas manifestações e catapultou seu nome para um patamar perto de 30%. Ela ainda é o principal veículo da tradução dos movimentos de insatisfação popular que tomaram as ruas em 2013. Fora dos grandes partidos, encarna o que decidiu chamar de "Nova Política". Já Aécio, como oposicionista, dentro de uma estrutura partidária tradicional, não conseguiu mostrar-se como o líder desta parcela da população e começou a desidratar quando Marina entrou no jogo. Faz completo sentido.

Na condição de fenômeno, Marina se tornou alvo de uma imensa campanha negativa. O efeito foi duplo. Na medida que perdeu uma pequena quantidade de votos, também empurrou a rejeição de Dilma para cima. Sim, pois o eleitor identificou a fonte dos ataques no petismo e começou a desconfiar de sua candidata. Assim, Dilma, que oscilou um pouco para cima no Datafolha e já mostrou sinais de desgaste no Ibope, acusou sinais de rejeição aguda: 42%. E aqui fica um lembrete: Nenhum candidato se elege com esta rejeição no segundo turno.

Marina, principal foco da propaganda negativa promovida por Dilma, também sentiu o golpe. Sua rejeição subiu de 12% para 25%, que oscilou de volta para 19%. Mas no palco do segundo turno, onde as rejeições são fatores essenciais, Marina venceria com certa facilidade. Dilma alcançou 42% de rejeição, que oscilou para baixo, ajustando-se em 32%.

O fato é que este duelo chegará na segunda fase com o acirramento das pancadas de cada um dos lados. O eleitorado de Marina tende a sentir mais rápido e veremos isto nas pesquisas. Quando Marina apanha, vemos logo nos números. Entretanto, quando Dilma sofrer ataques, o tempo de sedimentação para seu eleitorado é maior, tanto em função da renda, quanto da geografia do voto. Isto deve ser levado em consideração pelos marineiros em sua estratégia futura.

O fato é que a polarização entre Dilma e Marina deixou Aécio em segundo plano. O tucano não soube polarizar com o petismo e acabará amargando um terceiro lugar, potencializado pelo fato de que perderá o controle de seu reduto eleitoral, Minas Gerais, para os adversários. Será trágico para Aécio e será difícil não usar a palavra vexame para classificar sua estratégia eleitoral.

O que esta campanha nos ensina é que precisamos de menos palpites e mais análise séria. Se enxergarmos com atenção as planilhas das pesquisas da época das manifestações, assim como do começo deste ano, vemos a consistência de um eleitorado que optava por um nome novo. Escolheu Marina. Poderia ter sido Joaquim Barbosa, mas foi Marina que se apresentou como candidata. O eleitor não enxerga nela a velha política, por mais que tenha sido Ministra, Senadora e por aí vai, por quase 30 anos. Marina encarna o que eleitorado pediu. Vivemos um período em que o eleitor, cansado do que enxerga, busca o novo e rejeita o velho. Por isso digo, desde 13 de agosto, que Marina seria a candidata, que o PSB precisava dela e ela do partido, que ela subiria para o patamar dos 30% e agora digo, se não errar, vai vencer.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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