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10 Set 2014

FORA, PT!

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Cair nessa argumentação é não enxergar a realidade e recusar fazer o que precisa ser feito: remover o PT do poder, ainda que para isso tenhamos que votar em Marina Silva.

 

É indubitável que o Brasil vive numa encruzilhada histórica. Temos o PT governando há doze anos e bem vimos o que aconteceu: o partido colocou o Estado, sua burocracia e seus recursos para o propósito megalomaníaco de fazer do Brasil o centro da revolução latino-americana. Quem duvida disso basta olhar para a diplomacia brasileira, outrora profissional, e hoje alinhada com as piores causas internacionais. O Brasil deixou os EUA e a Europa de lado e passou a cortejar regimes ou criminosos ou irrelevantes ou inimigos do Ocidente: Rússia, China, Irã, Hamas e tutti quanti. E olhar também no que se transformou o Mercosul, numa canga que tem impedido o crescimento do comércio exterior brasileiro. A diplomacia brasileira virou piada internacional, um arremedo, uma nulidade.

O mesmo aconteceu com órgãos como a Receita Federal. Nunca os contribuintes foram tão perseguidos injustamente pelos sistemas da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional. Uma verdadeira derrama está em curso desde que Lula assumiu pela primeira vez. O risco jurídico no Brasil ficou insuportável, sobretudo por causa do arbítrio e da insegurança fiscal. Multa-se injustamente em valores milionários, ao arrepio da lei e da Justiça. O mesmo vale para as agências reguladoras, agora senhoras dos empresários dos setores que administram, inventando regras incumpríveis e multando-os impiedosamente. O arbítrio burocrático nunca foi tamanho.

Associado a isso foi construído, pelo partido governante, o mais formidável esquema de corrupção de todos os tempos. O Mensalão é um exemplo, a Petrobras outro, mais recente. Todos sabem que a corrupção ganhou ares epidêmicos em todos os níveis do governo federal. Para vender, receber o que foi vendido e ter direitos reconhecidos dos fornecedores é sempre oportunidade para a cobrança de pedágio por parte dos militantes petistas. Criou-se uma tributação privada, embolsada pelos membros do partido e seus aliados.

Nem é preciso falar da tentativa de implantar a revolução cultural, via decreto. Temos ainda em vigor aquele que deu vida à tentativa de sovietização dos órgão estatais, com a instituição dos tais conselhos populares, que outra coisa não é que a nomeação de comissários partidários para opinar e dirigir a administração pública. Com esse decreto tenta-se acabar com a democracia representativa, que tem posto freios à ânsia revolucionária do PT. A vigência do decreto em si é um escândalo, pois o PT não permitiu que o Congresso Nacional se pronunciasse, revogando sua vigência por ser inconstitucional.

O mesmo tem sido feito na área do aborto, esse crime infame agora suportado e estimulado pelo Estado, contrariado o sentimento cristão da maioria dos brasileiros. O governo do PT tem passado por cima de tudo que é mais sagrado.

O PT empolgou o Estado, colocando no seu comando um ajuntamento de celerados irresponsáveis, argentários e corruptos, de tal sorte que puseram os destinos da nação em perigo. A economia desandou, a inflação voltou e o desemprego cresce. A crise moral, todavia, é muito maior do que a crise econômica que foi formada.

Essa situação exige que as pessoas conscientes lutem, talvez pela derradeira vez se não tiverem êxito, para retirar o PT do poder pelo voto. Penso que essa consciência se espalhou em toda parte e não ao acaso a candidata oficial, contra todos os prognósticos, perdeu a liderança nas pesquisas de intenção de votos. Quem, ainda ontem, dava apoio político ao PT, como as classes empresariais e os banqueiros, hoje o recusa. Esse sentimento generalizou-se.

As alternativas oposicionistas não são as melhores, sobretudo pela ausência de uma candidatura liberal-conservadora típica. Aécio Neves tem a estrutura do PSDB, mas agora sofreu o impacto do lançamento da candidatura de Marina Silva, turbinada pela emoção nascida do desastre com Eduardo Campos, que lhe deu ampla cobertura de mídia na véspera da eleição. A onda Marina ainda não esgotou o seu crescimento e é provável que a candidata seja consagrada pelas urnas.

Marina Silva tem a favor de si a coragem de ter levantado uma bandeira conservadora, por pressão das igrejas evangélicas que lhe dão apoio, e não por convicção. Mas o que vale e fica é o gesto. Ao modificar o programa de governo no que se refere à questão gay, Marina Silva trouxe para si os votos conservadores, que não têm qualquer motivo para votar em Aécio Neves, que jamais fez gesto semelhante para esse segmento do eleitorado. Seus líderes ainda continuam defendendo com força a revolução cultural. O próprio Fernando Henrique Cardoso é o maior dos advogados da liberação das drogas.

A campanha de Aécio Neves prima pelo discurso da competência, sem qualquer chance de empolgar o eleitorado. O PSDB quer ser um PT civilizado, socialista comportado. É claro que o discurso socialista do PT é mais consistente e tem mais credibilidade do que o do PSDB. Aécio Neves padece em face da covardia do partido, que se recusa a ampliar sua base social, fato unicamente possível junto ao eleitorado de centro-direita, que está sem candidato.

Alguns argumentam que não há diferença entre as candidaturas, mas considero isso um erro grave. O fato de todos os três candidatos se dizerem socialistas e de terem presença do Foro de São Paulo não os torna homogêneos. É claro que o PT é muito mais perigoso, muito mais corrupto e tem uma força organizativa superior, bem como disposição para ir às últimas consequências revolucionárias do que os candidatos da oposição. Comungam de algumas ideias, mas não são iguais.

Cair nessa argumentação é não enxergar a realidade e recusar fazer o que precisa ser feito: remover o PT do poder, ainda que para isso tenhamos que votar em Marina Silva.

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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