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01 Set 2014

ELEIÇÕES PÓS-CAMPOS. DE ONDE VEM E PARA ONDE VAI

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Desde a trágica perda de Eduardo Campos passei a divulgar algumas análises do cenário eleitoral. Minha ideia neste texto é compilar um pouco de tudo que aconteceu até aqui e os traçar análises sobre o que virá a partir de agora.

 

Desde a trágica perda de Eduardo Campos passei a divulgar algumas análises do cenário eleitoral. Minha ideia neste texto é compilar um pouco de tudo que aconteceu até aqui e os traçar análises sobre o que virá a partir de agora.

Desde o princípio não duvidei que Marina aceitasse o posto de candidata. Ela pode ser imprevisível, mas não está fora de si. Deseja muito ser Presidente da República e tudo se alinhou para que isto acontecesse. A escolha do vice, que recaiu sobre o deputado gaúcho Beto Albuquerque, também não me surpreendeu. O PSB precisa de Marina e Marina precisa do PSB. Alguns mais apressados divulgaram que se falava no nome de Roberto Freire, do PPS, no Palácio Campo das Princesas. Ora, o PSB não abriria mão de indicar o vice mantendo pelo menos parte do controle da chapa. O nome escolhido poderia ainda ter sido Maurício Rands, Renato Casagrande, Rodrigo Rollemberg ou até mesmo Júlio Delgado. O nome de Beto surgiu como uma alternativa porque é conciliador, antigo membro do partido e próximo de Eduardo. Sua habilidade política serve tanto para a campanha quanto para um eventual governo.

Minha previsão era de que Marina chegasse na casa dos 27%, patamar atingido na última pesquisa em que foi testada. Já chegou a 20%, segundo o Datafolha. Mas irá além. Minha previsão é que alcance logo algo em torno de 27%-30% do eleitorado. Portanto isso corrobora o que venho dizendo, ou seja, quem pode empurrar Aécio para fora do segundo turno é Marina Silva. A disputa do tucano pela segunda vaga é diretamente com ela. No caso de Dilma, a tendência é que chegue ao segundo turno, pois estará sempre na média histórica de votos do PT, na casa dos 30%. Se Aécio esperar demais pela acomodação do cenário para reagir, poderá ser tarde demais. A campanha é curta.

Enquanto muitos desdenham da terceira-via, agora representada por Marina, sugiro um pouco menos de soberba e mais atenção. Esta alternativa pode não ter empolgado com Eduardo, mas com Marina toma um corpo diferente. No passado fui um dos que alertou para o fato de que, como vice, ela não transferiria votos para Eduardo, mas na cabeça de chapa teria chances reais. Foi o que ocorreu. Sua chegada ao comando da candidatura torna viável a idéia de Campos de criar uma terceira-via. Marina encarna este personagem, demandado pelas manifestações de 2013. Ela carrega uma imagem de outsider, de alguém fora do establishment. Não é preciso de pesquisas qualitativas para deixar isto claro.

Por esta razão Marina não cresceu em cima dos votos de Dilma ou de Aécio. Ela cresceu entre os indecisos, brancos e nulos, ou seja, exatamente o eleitorado carente de uma voz que os representasse. Se Marina realmente representa isso, é outra história, mas certamente o eleitorado a identifica desta forma. Ela é forte entre mulheres, jovens e em cidades maiores. Seu próximo salto de crescimento, agora para a casa dos 27%-30%, se dará arrancando um pouco do eleitorado de seus dois adversários: Aécio e Dilma e ela cresce mesmo com pouco tempo de TV – vide 2010.

Logo, Aécio precisa se movimentar. Com a mudança de cenário, ele precisa de uma mudança de estratégia. Apesar de disputar a vaga com Marina, sua campanha não deve dividir espaço com ela. Abriu-se a oportunidade para Aécio estabelecer um contraponto maior ao governo, assumindo claramente um projeto oposicionista. Esta é sua única chance de vencer. O discurso conciliador caiu no colo de Marina. Se Aécio continuar por este caminho, tende a ficar de fora.

O segundo turno é outra história, mas colocado hoje, tende para Marina também. Ela vence Dilma. Dilma vence Aécio. A possibilidade de enfrentamento entre Aécio e Marina é quase nula e depende de uma reação tucana e um grande desgaste petista, hoje vetores muito improváveis. Os petistas sonham enfrentar Aécio, pois sabem que esta é praticamente sua única chance de tentar alcançar a vitória.

Por fim, uma dica. Prestem atenção em Beto Albuquerque. A História nos ensina que Presidentes “outsiders” eleitos no embalo de uma nova forma de fazer política geralmente não terminam mandatos.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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