Sáb09212019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

15 Ago 2014

NOTAS SOBRE A DOUTRINAÇÃO ESCOLAR - 01

Escrito por 

O professor, assim como qualquer profissional, DEVE ser avaliado externamente e uma dessas avaliações deve ser a partir de provas externas aplicadas aos alunos.

 

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Bráulio Porto também criticou o excesso de ideologias na formação dos professores e considerou a inserção de temas transversais nas disciplinas tradicionais brasileiras como prejudiciais. “O excesso de doutrinação ideológica reduz o espaço dedicado à alfabetização e aos outros conhecimentos básicos como português, matemática e ciências. Enquanto as faculdades de educação de Cingapura oferecem 18 disciplinas de matemática, ciências e língua materna; no Brasil, as faculdades costumam oferecer apenas uma ou duas disciplinas de matemática, ciências e língua”, observou.

[Especialistas criticam excesso de ideologia na formação de professores, http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/29001/especialistas-criticam-excesso-de-ideologia-na-formacao-de-professores/]

Assino embaixo. Quanto a ter opinião é o seguinte: toda pessoa tem, eu mesmo tenho e é forte, não abro mão, exceto, é claro, que alguém prove que eu esteja errado. Agora, como professor que sou, acho um absurdo em entrar em sala e passar, sistematicamente, a impingi-las. A Geografia, matéria que ministro é pródiga nestes casos e há temas que são mais consensuais, como os abarcados pela Geografia Física, afinal uma montanha não se move de lugar por opinião (nem por fé...), mas o que fazer com a montanha, exploração, preservação, habitação, como habitá-la, se for o caso, etc., sim, é plenamente passível de opinião e posicionamentos programáticos e políticos acerca dessas opiniões. O que um professor, de verdade, deve fazer? Passar ao aluno todas as opiniões possíveis para que ele escolha ou construa a sua. “Ah! E a prova?” Deve ser composta por questões exatas sobre temas tidos como consensuais, do ponto de vista científico e questões livres, dissertativas se for o caso, sobre opiniões, abertas, mas passíveis de análise e julgamento pelo professor a partir de dados corretos e construção do raciocínio. “Ah! Mas quem faria isto? Como ver se o professor está agindo corretamente em sala?” Perfeito. Concordo com este temor e preocupação. O professor, assim como qualquer profissional, DEVE ser avaliado externamente e uma dessas avaliações deve ser a partir de provas externas aplicadas aos alunos, i.e., o desempenho destes sobre questões objetivas será um forte indicador de quão deturpada pode estar sendo seu programa de aulas.

Não há razão para não executar um programa de avaliação de desempenho indireto do profissional, o que é mais interessante que aplicar uma bateria de provas ao próprio professor é investigar o produto de seu trabalho, ou seja, como os alunos aprenderam o conteúdo ministrado em sala de aula. E o foco do avaliador que avalia o professor é entender a dinâmica da sala de aula e qual ou quais são as razões de problemas que são recorrentes. Temer isto não passa de um pueril corporativismo que lesa toda a sociedade com o mau resultado combinado de ideologia, falta de profissionalismo e acomodação numa carreira estável (se for pública) e que não zela pelo estudante porque, nesta equação, o estudo não está sendo ... estudado.

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.