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11 Ago 2014

A CORRUPÇÃO DA CPI

Escrito por 

E agora? Teremos uma CPI da CPI? Ou a Polícia Federal vai agir? Mas outra CPI é mais da mesma coisa, e tenho dúvidas se a PF pode investigar atos do Legislativo.

 

Não se trata de um engano. Não trataremos da CPI da Corrupção na PTbrás, mas da corrupção desta mesma CPI.

De repente, ficamos sabendo pela imprensa atenta e vigilante, a comissão cujos trabalhos se arrastavam em direção ao esquecimento, como era intenção do governo, virou uma representação teatral, daquelas para inglês ver, onde os inquiridos (a comissão é de inquérito, não esquecer) foram informados com antecedência do teor das perguntas que lhes seriam feitas e tiveram tempo para discutir e até treinar a apresentação de suas respostas. Alguns chegaram a contar com o auxílio de profissionais de media training, especialistas nas técnicas de responder a perguntas.

Tudo se transformou, assim, numa grande farsa, como relatou com precisão a revista Veja de 6 de agosto. Funcionários da PTbrás, do governo e do PT montaram, com a certeza da impunidade, a fraude que desacredita os trabalhos da CPI, um dos poucos instrumentos de investigação sérios que nos restavam. Infelizmente para os envolvidos, uma reunião que tratava dos detalhes da operação de acerto entre perguntas e respostas a serem trocadas foi filmada e divulgada pela imprensa.

E agora? Teremos uma CPI da CPI? Ou a Polícia Federal vai agir? Mas outra CPI é mais da mesma coisa, e tenho dúvidas se a PF pode investigar atos do Legislativo.

Esta é mais uma das muitas histórias malcheirosas recentes de nossos podres poderes.

Não basta, porém, que nos indignemos com os absurdos criminosos que vêm ocorrendo. É preciso agir.

Quem elege os membros do Executivo e do Legislativo? Nós.

Por que facínoras notórios, indivíduos desqualificados, condenados várias vezes pela Justiça, com mandado de prisão expedido pela Interpol, continuam a obter legendas para sua candidatura? Por que são eleitos por nós?

Ainda por cima, alta autoridade legislativa acha tudo muito natural, democrático e “republicano”. Tudo é justificável, desde que colabore para manter no poder a elite petista, que zomba do povo que alega defender.

Essa é, na verdade, a ética dos canalhas.

Canalhas que elegemos e reelegemos há décadas, como se não houvesse outros candidatos. Filhos de canalhas, netos de canalhas, formando uma verdadeira dinastia de canalhas, vão sendo eleitos pelas máquinas partidárias cujo domínio herdaram. Os eleitores votam no nome conhecido, pois não valorizam seu voto, ignoram a importância de eleger bons representantes, acham que nada adianta, tudo sempre será assim.

Não, não será!

Cabe a nós evitar que essa triste tradição se perpetue, tratando de escolher melhor nossos representantes, consultando as páginas de órgãos de divulgação e pesquisa na internet – com cuidado, pois a rede está contaminada por blogs e sites dominados por políticos de todas as tendências, principalmente pela quadrilha virtual petralha, comandada pelo notório Franklin Martins.

Ninguém tem a possibilidade e a responsabilidade de começar a mudar o quadro político nacional, a não ser o eleitor.

No próximo mês de outubro vamos exercer esse direito, esperamos que com melhores resultados.

Colheremos o que plantarmos.

 

 

 

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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