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17 Jun 2014

GESTÃO PRESIDENCIAL

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No Brasil, a escolha deste ano pela primeira vez tratará do tema da gestão pública de maneira real. O desgaste de Dilma na condução do País é um dos temas principais.

 

A popularidade de Obama segue em queda livre. Mantém, neste momento, os mesmos índices de George W. Bush com o mesmo tempo de Casa Branca. Aqui em Washington se discute muito a capacidade de gestão de Barack Obama. Este é um dos temas centrais. O Presidente é altamente centralizador e chegou ao Salão Oval sem qualquer experiência executiva na condução de um governo, afinal era apenas um jovem Senador por Illinois.

Ele é um homem que pensa política públicas, mas não é um político, me relatou uma fonte próxima ao círculo decisório do partido democrata. Isto explica em larga medida seu estilo imperial e inflexível, o que serviu apenas para aumentar o fosso que separa republicanos e democratas e auxilia na paralisia de sua administração. O desgaste com a questão dos veteranos na última semana e os intermináveis problemas com a implementação do Obamacare são claros problemas de gestão.

A questão levantada atualmente nos Estados Unidos é sobre a viabilidade eleitoral de um candidato sem experiência executiva. Na eleição de 2008, pela primeira vez em 50 anos não havia um candidato com esta bagagem. Tanto McCain como Obama eram apenas senadores. Do lado democrata, a questão era ainda mais séria. O único pré-candidato com passagem por um governo de estado era Bill Richardson, do Novo México, que abandonou a disputa logo no começo. No futuro, Hillary Clinton, por mais use o argumento dos anos de Casa Branca como justificativa, certamente será questionada. Se usar seus anos frente ao Departamento de Estado, Benghazi surgirá como um problema de gestão.

Do lado republicano, existem bons nomes com experiência administrativa. Chris Christie, Susana Martinez, Scott Walker, Bob Jindal, Jeb Bush, entre muitos outros. O argumento da experiência tira do páreo Ted Cruz, Rand Paul, Marco Rubio e Paul Ryan. Talvez, depois dos seguidos fracassos de Barack Obama na condução do governo, o conhecimento da gestão pública possa ser um dos fatores determinantes nas eleições de 2016.

Considerando minorias e gestão, os republicanos saem na frente. Se o GOP exercitar sua capacidade de entendimento do cenário, saberá que precisa, além de experiência executiva, um nome que represente minorias, que exerça um papel de identidade. Continuo a bater na tecla do nome de Susana Martinez. Governadora do Novo México, de origem hispânica e endossada pela ala conservadora, onde estão os mais importantes doadores de campanha. Ela pode ser o grande diferencial como o nome que irá compor a chapa, seja com Scott Walker, Chris Christie ou Jeb Bush.

No Brasil, a escolha deste ano pela primeira vez tratará do tema da gestão pública de maneira real. O desgaste de Dilma na condução do País é um dos temas principais. Com inflação alta, obra públicas inacabadas, número excessivo de ministérios e economia entrando em colapso, certamente o tema será objeto de debate. Aécio e Eduardo vem com experiências de sucesso na gestão pública de seus estados. Uma campanha interessante de ser observada, afinal é neste ponto que o Brasil precisa ser discutido de forma efetiva. Afinal, como se diz aqui nos Estados Unidos, não é possível entregar a condução do país a uma pessoa que nunca gerenciou um orçamento. O Brasil tem uma grande oportunidade de discutir quem tem a melhor capacidade de gestão. Obama, certamente, não é modelo para este debate.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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