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07 Nov 2004

O Anti-Petismo

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No entanto, há um PT politicamente necessário e há um PT politicamente desprezível, determinante do surgimento do antipetismo tão ferozmente atacado pelos derrotados de 2002 e 2004.

As avaliações feitas nestes dias sobre o recém-concluído processo eleitoral reiteram as análises da eleição estadual de 2002 e revelam que os fracassos petistas são percebidos como tema de relevância política superior ao êxito de seus opositores. A derrota de Tarso Genro foi mais discutida do que a vitória de Germano Rigotto e o fracasso de Raul Pont parece ser mais importante do que a vitória de José Fogaça.

O eleitorado porto-alegrense é composto por três segmentos bem nítidos: um terço petista, um terço antipetista e um terço sem alinhamento automático. Foi esse terço que decidiu a eleição da capital para o PT durante quatro mandatos e, agora, inclinou-se na direção de José Fogaça. Para produzir essa reversão, subtraindo do PT votos que vinham sendo seus, foi necessário que houvesse uma força militante antipetista agindo de maneira convincente, um conjunto de acertos do candidato vencedor e um conjunto de erros por parte da corrente política derrotada e do candidato que a representava. Estes erros incluem entre suas conseqüências a perda, se não dos votos, ao menos da militância espontânea de inúmeros eleitores que precisaram ser, em grande parte, substituídos pela militância paga, antes tão criticada por esse partido quando a serviço de seus adversários. “Dez mil réis e dois pastéis!” vociferavam os petistas nas esquinas, até 2002, para os portadores das bandeiras alheias...

Longe de mim a idéia de um país sem PT, ou seja, sem um partido de esquerda para representar no contexto democrático plural as idéias da fração eleitoral que lhe corresponde. No entanto, há um PT politicamente necessário e há um PT politicamente desprezível, determinante do surgimento do antipetismo tão ferozmente atacado pelos derrotados de 2002 e 2004.

Aquele que para mim é o mais brilhante intelectual petista no Rio Grande do Sul, derrotado pelo partido na tentativa de se reeleger deputado federal, produziu, em 2002, uma extraordinária análise daquela eleição para o governo gaúcho. Lá pelas tantas, afirma: “Não há, portanto, como entender as raízes do ‘antipetismo’ – fenômeno desconhecido até há pouco, pelo menos na dimensão atual – sem um balanço autocrítico daquilo que construímos de simplificação, maniqueísmo e intolerância em nossa própria trajetória quando oposição”.

Como adversário, espero que o PT continue se considerando vítima. Como cidadão que reconhece a importância da política para o bem comum, espero que venha a refletir sobre seus erros e se afaste daqueles que nada aprenderam nas vitórias e nas derrotas, conservando-se na linha do radicalismo, da simplificação, da intolerância, do maniqueísmo e da arrogância.

Última modificação em Quarta, 25 Setembro 2013 19:42
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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