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11 Jun 2014

A SAÍDA DE JOAQUIM

Escrito por 

O fato é que nesta eleição, os brasileiros, incrédulos com os destinos do país, estariam dispostos a eleger Barbosa sem apoio político, sem ao certo saber o que pensa ou qual seria seu projeto para o País.

 

Joaquim Barbosa se despede do Supremo. Poderia ter deixado sua toga antes e ter sido candidato presidencial este ano. Decidiu não seguir este caminho. Seu ato deixa duas consequências imediatas e desgostosas para aqueles que inflaram sua popularidade. Ele entregou nas mãos de Dilma a decisão sobre quem será seu substituto e encaminha a Presidência da corte antecipadamente para seu desafeto Ricardo Lewandowski.

Apesar de Barbosa ter sido um dos brasileiros que optou por levar o petismo ao poder como eleitor, foi ele o responsável por encarcerar a cúpula do mesmo partido por corrupção. Diante da súbita popularidade, seu nome surgiu naturalmente nas pesquisas de opinião para ocupar o Planalto. Aparecia bem. Mas Joaquim Barbosa prefere o caminho da anti-política. Não acredita nos partidos, tampouco no sistema criado por eles. Sua candidatura teria que ser avulsa, como lembrou algumas vezes, algo não autorizado pelas leis eleitorais brasileiras.

Se Joaquim fosse candidato, se encaixaria exatamente dentro daquilo que as pesquisas de opinião apontam como o nome ideal. Ele representa o novo, sem vinculação com partidos, e mostra uma disposição de exercer seu trabalho com independência. Em outras palavras, o Brasil também carrega hoje todos os elementos necessários para eleger um candidato de viés populista, como já aconteceu no passado com Jânio Quadros e Fernando Collor. Isto não quer dizer que Joaquim Barbosa seja um populista, mas o caminho está aberto para qualquer aventureiro que queira chegar ao poder. Assim, a desistência do Presidente do Supremo não deixa de carregar um elemento de maturidade institucional.

Entretanto, o mais incrível é observar que se nada de novo ocorrer, o eleitor tende a se acomodar no projeto da situação. Apesar de a esmagadora maioria dos brasileiros desejar mudança, se esta não lhe for apresentada, estes acabarão, por ausência de alternativas, optando pela continuidade do governo atual. Isto acontece porque os partidos de oposição não conseguem preencher este vácuo, nem tucanos, tampouco os socialistas. Sabe-se que existe, desde as manifestações de 2013, espaço para o novo. As pesquisas apontaram quem o eleitor identificava como os representantes da anti ou nova política. Deu Joaquim Barbosa e Marina Silva. Com ambos fora do páreo, a estrutura tradicional montou seu cenário. Marina decidiu se engajar no jogo como vice. Joaquim preferiu ficar de fora desta disputa.

O ex-Presidente do Supremo teria uma campanha difícil. Homem de temperamento forte, enfrentaria obstáculos para chegar ao posto de Presidente. Teria diante de si uma campanha dura, debates calorosos, ataques pessoais, enfrentando adversários dispostos a ver o seu destempero. Diante de sua primeira resposta atravessada, ganharia o céu ou desceria ao inferno. Eleito, mostraria sua independência, o que incomodaria os caciques que mandam no País. O resultado nós já conhecemos.

Barbosa preferiu adiar sua entrada na política, talvez porque realmente não faça parte dela. Não pensa como político. Fosse diferente, já que perdeu o prazo para concorrer, esperaria o resultado das eleições para sair de cena, deixando a escolha de seu sucessor nas mãos do próximo Presidente. Não entregaria parte de seu mandato na liderança do tribunal de presente nas mãos de Lewandowski.

O fato é que nesta eleição, os brasileiros, incrédulos com os destinos do país, estariam dispostos a eleger Barbosa sem apoio político, sem ao certo saber o que pensa ou qual seria seu projeto para o País. Portanto, para o bem da democracia, talvez tenha sido muito bom ele ficar de fora. Apesar de ter perdido seu timing imediato, os anos podem trazer um amadurecimento e tempo de atividade política importantes para a disputa da Presidência. Serão anos de aprendizado. Joaquim parece não ter desistido da política, mas resolveu apenas dar um tempo, o seu tempo. Mas a transformação do magistrado combativo em político pode demorar mais do que se imagina e pode também não se concretizar. Isso somente o tempo dirá.

Última modificação em Quarta, 11 Junho 2014 19:36
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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