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27 Mai 2014

EXISTE UMA MENTALIDADE BRASILEIRA?

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É de suma importância identificar o que tem levado o brasileiro a mostrar propensão a preferir determinados tipos de ideias e valores.

 

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É de suma importância identificar o que tem levado o brasileiro a mostrar propensão a preferir determinados tipos de ideias e valores.

Ainda mais especificamente, é essencial entender por que parte significativa dessas ideias e valores pode ser associada a matrizes de pensamento intervencionistas e estatistas.

É controverso dizer que a adoção de determinadas constelações de ideias e valores é fruto de doutrinação ideológica. Operando com conceito de propensão, o desafio consiste em saber por que certos modos de pensar se tornam mais aceitos.

Da mesma maneira, é fácil dizer que a prevalência de certos modos de pensar é fruto apenas de grupos ideológicos manipularem com prestidigitação da retórica populista e demagógica a ignorância e as carências das pessoas.

O fato é que as ideologias estatistas e intervencionistas mostram afinidade com as predisposições predominantes no senso comum brasileiro. A tendência das pessoas a se encararem como "vítimas do sistema" as torna passivas e as desresponsabiliza por muito do que são e fazem. Para ser acolhida, uma ideologia não precisa ser de amplo domínio do público. No entanto, ela também não vinga sem a empatia do público-alvo.

O objetivo desse curso é discutir as ideias básicas que os brasileiros tendem a formar sobre si mesmos e a sociedade por eles construída. Em especial, almeja o curso mostrar que os modos com que os brasileiros têm predominantemente encarado as instituições, os processos e as estruturas contribuem diretamente para que sejam o que são.

O curso também avaliará o documento preparado pelos alunos da escola superior de guerra — intitulado 'Onde está Gramsci' — com o objetivo de discutir se as ideias que vêm nos últimos tempos se tornando hegemônicas no senso comum brasileiro são inculcadas por grupos ideologicamente articulados, ou se elas prosperam por sua afinidade com o senso comum brasileiro.

A tese a ser defendida é a de que as ideologias só se enraízam quando cultivadas em terreno fértil à sua propagação. E que o desafio reside em saber que fatores têm contribuído, para além da catequese dos ideólogos, para que exista tanta resistência às ideias liberais no Brasil.

Abordagens

1) Conhecimento x Senso Comum. Crenças verdadeiras justificadas x crenças disseminadas

2) Pensamento e Ação. Ideias têm consequências.

3) A mentalidade de uma sociedade é fruto das ideias e valores que predominam em seu senso comum

4) Existe direcionamento ideológico das consciências? Avaliação do documento dos alunos da Escola Superior de Guerra: "Onde está Gramsci?"

5) Conhecimento x Ideologia: a politização dos problemas da vida social como tentativa de controlar o senso comum da sociedade

6) Objetivos visados e consequências não pretendidas

7) O senso comum não é matéria inerte. Mais que razão, empatia: o senso comum é receptivo às ideias com as quais tem afinidade.

8) Não sendo as ideias e os valores — forças motrizes da sociedade — escolhidos refletidamente pelo senso comum, como tentar mudá-los?

9) As ideias são abandonadas por se revelarem ineptas ou por serem percebidas como geradoras de maus resultados?

10) O senso comum brasileiro tem como se tornar mais aberto a ideias liberais?

 

 

 

Última modificação em Sábado, 14 Junho 2014 12:45
Alberto Oliva

Filósofo, escritor e professor da UFRJ. Mestre em Comunicação e Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor-palestrante da EGN (Escola de Guerra Naval) e da ECEME (Escola de Comando e Estado-maior). Pesquisador 1-A do CNPq. É articulista do Jornal de Tarde desde 1993. Possui sigficativas publicações como "Liberdade e Conhecimento", "Ciência e Sociedade. Do Consenso à Revolução", "A Solidão da Cidadania", "Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético" e "Ciência e Ideologia".

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