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22 Abr 2004

Cida Para Presidente, ou A Estrela e a Piada

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Reitero aos meus herdeiros a ordem contida no adágio: sepultem-me com a cabeça para fora porque é certo que ainda não terei visto tudo.

Reitero aos meus herdeiros a ordem contida no adágio: sepultem-me com a cabeça para fora porque é certo que ainda não terei visto tudo. Com efeito, já vi - e vi de perto - partidarizarem a administração, os sindicatos, os condomínios residenciais, os seminários, as salas de aula, as cátedras, os livros didáticos, as organizações não governamentais, os carrinhos de bebê e os carrões importados, a biotecnologia, e, até mesmo, as batinas e as togas. Mas ainda não tinha visto a partidarização dos bens públicos.

Aquelas estrelas vermelhas plantadas e regadas nos jardins palacianos são, de fato, um símbolo perfeito, vale dizer, significam com exatidão o que representa. E o fazem em duas dimensões, na partidária (entrou a imagem pela retina, todo mundo sabe o que quer dizer) e na ideológica (basta não ser muito tolo para reconhecer, ali, a nítida expressão da confusão ideológica, tipicamente totalitária, do partido com Estado).

Alguém dirá que este segundo simbolismo, embora explícito, poderia não estar presente na intenção de quem mandou fazer a estrela e de quem deixou que ela se enraizasse. Foi por isso que abri a exceção aos demasiadamente tolos, a cujo grupo, por via de conseqüência, se acrescentam os muito despreparados para as atividades que exercem e os que entregam à política o corpo, a alma e a consciência, perdendo, com isso, todo juízo e discernimento.

Mas o povo brasileiro é tolerante, permite que lhe mintam e aplaude o esperto mesmo quando este o toma por vítima. Nosso povo é generoso. Generosamente celebrizamos os despreparados e suspeitamos dos sábios. Votamos em Lula para presidente exatamente porque, entre outras coisas, ele tinha pouca escolaridade. E agora vamos levando a vida com suas embrulhadas.

Somos dotados, por fim, de um senso de humor contagiante. Se o Brasil falasse inglês, o bom humor nacional seria atrativo turístico inesgotável. Tenho certeza de que nossos bebês são os únicos no mundo que riem mais do que choram. O cidadão brasileiro é um tipo que se diverte com tudo, especialmente consigo mesmo, e conta piada em velório. E até na casa em que falta o pão e onde "todo mundo briga e todo mundo tem razão", depois das dezoito horas a turma começa a sentar-se em torno das mesas, na frente dos televisores, e as gargalhadas, impondo-se pela noite a dentro, mandam embora o sol do batente e suas preocupações. As noites tropicais pertencem ao amor e à alegria.

Perdemos o amigo, mas não perdemos a piada? Errei: perdemos o país inteiro, mas não perdemos a piada. Agora é Cida para presidente!

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:33
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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