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21 Abr 2004

Mentindo Pelos Jornais

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Essa é uma das razões da nossa ruína, que a elite pensante e falante mente descaradamente, convictamente, na suposição de que, assim, está ajudando a implantar o seu reino do socialismo encantado.

Sentei para escrever sobre outro assunto quando li Internet a coluna de Elio Gaspari, publicada em muitos jornais pelo país. Mudei de tema na hora, pois o texto gaspariano serve muito bem para demonstrar a mistura de confusão mental com má fé que os medalhões da crítica política brasileira, engajada na causa esquerdista, estão fazendo.

O título do artigo é “A paixão da ruína pela catástrofe”, no qual o autor procura demonizar o ministro Palocci, a última instância de racionalidade que persiste no governo Lula. Ele fez isso porque o ministro teve a decência de declarar, referindo-se ao governo FHC e à sua própria política econômica, que "se é igual e é correta, vou continuar fazendo por dez anos". Ponto para o ministro. Gaspari se escandalizou porque se recusa a ver as causas reais das nossas tragédias econômicas, colocando em seu lugar falsos demônios, aqueles mesmos tão caros às facções esquerdistas as mais radicais.

O autor afirma que “FFHH é ruína porque em seus oito anos de mandato o Brasil cresceu, na média, a taxas anuais de 2%, metade do progresso argentino e mexicano, enquanto o mundo passava por um dos períodos de maior prosperidade da história”. Olhando a frase solta, ele tem toda razão. Olhando a sua argumentação, vê-se que a cegueira política, o ódio ao capitalismo e a apologia ao Estado é que verdadeiramente movem o escriba indignado.

Gaspari afirmou que a governo FHC teria arruinado o país porque manteve o cambio congelado em R$ 1,20, praticando o populismo cambial. Certo no varejo, errado no atacado. A política cambial foi corrigida e, no entanto, a economia continua patinando como antes, excluindo largas parcelas da população do mercado de trabalho. Então não é a política cambial que explica todos os nosso problemas. Elio, que sei que sabe das coisas, esconde o essencial, revelando o supérfluo. Gasta a sua indignação com o acessório, para legitimar aquilo que é mais nefasto.

O governo FHC foi trágico para os brasileiros porque elevou dramaticamente a carga tributária, com isso inviabilizando a formação de poupança e, assim, inviabilizando na raiz qualquer hipótese de a economia prosperar. A carga tributária no patamar que está inviabiliza o consumo privado e os investimentos, logo estamos fadados à recessão, até que essa situação seja revertida.

Não há uma única palavra no panfletário texto gaspariano sobre a questão tributária. É como se ela não existisse. É aqui que se vê a enorme desonestidade do articulista, a sua má fé para com o público leitor. Para esquerdistas como ele, tributar demais é uma obrigação do Estado, supostamente um castigo para os capitalistas e “ricos” de um modo geral, ignorando as suas conseqüências não apenas econômicas, inviabilizando o desenvolvimento, mas também políticas, pois a enorme carga tributárias são as algemas que o Estado coloca nas mãos e nos pés dos cidadãos, reduzindo-lhes a liberdade individual e o direito de dispor da própria existência. Para aqueles que estão excluídos do mercado, a escravidão, o desespero e a desesperança transcendem a condição humana, é uma situação demoníaca, é o inferno na Terra.

Note-se que ele critica duramente o ex-presidente e o ministro, mas não tem uma palavra a falar de Lula, como se Palocci fosse o principal mandatário e não fizesse tudo a mando do presidente em exercício. Outra má fé gaspariana.

Toda a gente sabe que Lula é um despreparado, um sujeito que não sabe exatamente o lugar em que está e que Palocci faz as vezes do grão-vizir econômico porque o chefe não sabe aritmética elementar e, sensatamente, delegou-lhe as funções. Por que então poupar Lula? Porque Lula é ídolo gaspariano, um intocável, um Dom Sebastião retornado.

Essa é uma das razões da nossa ruína, que a elite pensante e falante mente descaradamente, convictamente, na suposição de que, assim, está ajudando a implantar o seu reino do socialismo encantado. Escondem a realidade, que se revolta contra eles mesmos. O Brasil está inviável, até a leitura dos jornais me dá náuseas. O mal-caratismo virou mercadoria bem remunerada dos escribas de plantão.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:33
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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