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31 Mar 2014

A FALÁCIA DO SEPARATISMO

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Esporadicamente deparo-me com opiniões de que uma das soluções para o Brasil seria permitir a separação de partes do território. Assim, supostamente porções mais ricas poderiam ficar ainda mais ricas se saíssem do guarda-chuva da Federação.

 

Esporadicamente deparo-me com opiniões de que uma das soluções para o Brasil seria permitir a separação de partes do território. Assim, supostamente porções mais ricas poderiam ficar ainda mais ricas se saíssem do guarda-chuva da Federação. E as mais pobres superar sua própria pobreza, em passe de mágica, supostamente por escapar do “imperialismo” interno. Obviamente esses são argumentos estúpidos, que não se sustentam.

O meu argumento é duplo contra isso, com um pólo positivo e outro negativo. O lado negativo evidente é olhar o que houve na América espanhola. Lá, a fragmentação do território, ao contrário do que houve na América portuguesa, não produziu ilhas de prosperidade. Muito ao contrário. Uma coleção de paisecos caricatos está aí para alertar:  Uruguai, Bolívia e Equador servem bem à chacota internacional. O belo exemplo do Chile é a exceção à regra. A grande Argentina está reduzida a escombros, sem que lá tenha havido guerra. A Colômbia mal saiu, se é que saiu, da guerra civil. A Venezuela agoniza sob o bolivarianismo. E o Paraguai é sinônimo de contrabando no Brasil.

Dá para imaginar o colosso que seria a América espanhola unificada!

O lado positivo está nos EUA, país continental como o Brasil, que muito enriqueceu e hoje serve de exemplo ao mundo, por sua liberdade e sua criatividade. O que seria da grande nação do Norte se as treze colônias originais tivessem se fragmentado? Provavelmente estariam fadadas à irrelevância histórica. É bom lembrar que lá a unidade da nação foi mantida por uma sanguinária guerra civil, da qual escapamos.

O maior legado do Império para as gerações atuais de brasileiros é ter conseguido construir, não apenas a unidade territorial, mas a unidade de fato do Brasil. Uma língua comum, costumes quase os mesmos e a miscigenação que, queiramos ou não, é a marca registrada do Brasil.

O argumento separatista é tolo e desprovido de razão de ser. É uma causa perdida. A conquista do território por nossos antepassados é patrimônio de todos os brasileiros. Indissolúvel. O que empobrece o Brasil não é a unidade política, mas sim a hipertrofia do Estado, que tem sugado as forças vitais da Nação, impedindo a prosperidade. A luta real é bem outra, é para expulsar os socialistas do governo e fazer prevalecer a boa política econômica, reduzir a carga tributária e cassar os regulamentos vis que impuseram canga à atividade produtiva. Precisamos renovar os estatutos da liberdade econômica e política.

* * *

Muito informativo o relatório da administração do Grupo Saraiva, publicado dias atrás nos jornais. Em seis anos a Saraiva dobrou de tamanho. Como a expansão do mercado interno de livros no período foi modestíssima, a Saraiva cresce à custa dos pequenos livreiros e editores. A Saraiva é um exemplo do que está acontecendo em todos os mercados no Brasil: a verticalização acelerada, destruindo a pequena burguesia.

Antes de ser um problema técnico ou de competência operacional, a verticalização à moda da Saraiva é decisão política. Obra do PT.

O relatório dá conta de que o faturamento contra o Governo Federal foi de 173 milhões, sendo 16 milhões no formato digital. O contrato com o Governo Federal foi 32% maior do que o de 2012. Alguém perdeu mercado e foram os pequenos produtores. Informa também a Saraiva que assinou contrato no âmbito do Pronatec. Mais um caminhão de dinheiro do governo para a gigante, contra os pequenos produtores.

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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