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26 Fev 2014

UM JOGO BRUTO

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Detalhe: goste-se ou não, a estratégia rubra funda-se nessas quatro colunas. E o projeto esquerdista é um só: permanecer no poder e transmutar a sociedade. Essa é a agenda que está sendo implantada a passos largos em nosso país e em toda América Latina.

 

Quando volvemos nossos olhos para os acontecimentos atuais, dum modo geral, ficamos perplexos, haja vista que a impressão que nos invade as vistas é de que deu a louca na história. Porém, essa imagem não é o fio estruturante dos fatos. Apenas é uma parte integrante da conjuntura presente.

Tais acontecimentos, como as manifestações, invasões de edifícios públicos, campanhas de difamação, etc., não são ocorrências isoladas. Em alguns casos até são independentes, porém, todas motivadas por elementos que são capitalizados por uma “diretriz” que os transcende.

Ou seja, quando se afirma que há uma linha de ação subjacente aos acontecimentos atuais não se está afirmando que há um plano conspiratório milimetricamente traçado sendo realizado por mestres ocultos. Afirma-se sim que a elite esquerdista tem uma agente de poder.

Uma agenda de ação não é um plano. É um projeto com metas a serem conquistadas. Projeto esse que é adaptado de acordo com as circunstâncias, conforme as oportunidades que o momento apresenta para acelerar ou frear o processo de conquista.

Sobre esse ponto as palavras de Napoleão Bonaparte são esclarecedoras por demais. Afirmava ele que “[...] possuía poucas idéias realmente definidas, e a razão disso era que, em vez de tentar obstinadamente controlar as circunstâncias, eu me submetia a elas. Para dizer a verdade, acontecia que, na maior parte do tempo, eu não tinha planos definidos, apenas projetos”.

Doravante, se tomarmos os conselhos da obra “Da Guerra” de Carl Von Clausewitz, as razões da eficiência das campanhas Napoleônicas e bem como da atuação das esquerdas em nosso país tornam-se claras. Ele nos ensina que uma boa estratégia deve basear-se em uma grande presença de espírito (para animar os militantes e simpatizantes), numa boa dose de determinação na realização dos projetos (de curto e longo prazo), no conhecimento dos vários cenários que nos são apresentados pela história e, fundamentalmente, saber captar as sutilezas do momento para adaptar o projeto de ação a essas e assim conquistar novos espaços na arena do poder. Orientações similares encontram-se também nos Cadernos do cárcere de Gramsci.

Detalhe: goste-se ou não, a estratégia rubra funda-se nessas quatro colunas. E o projeto esquerdista é um só: permanecer no poder e transmutar a sociedade. Essa é a agenda que está sendo implantada a passos largos em nosso país e em toda América Latina.

Por fim, para quem não compreende as sutilezas da luta pelo poder, para aqueles que apenas a pensam como um reles joginho quadrienal que articula vantagens miúdas com interesses corporativos, tudo parece esquisito, porém, a elite esquerdista vê e atua para além do momento projetando ações em longo prazo cientes de que poucos são os que realmente desejam ver o óbvio ululante.

Pax et bonum

 

 

 

 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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