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10 Dez 2013

BLACK FRIDAY

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Se isso o incomoda muito, trate de se acostumar. Aliás, já deve estar acostumado, a colonização cultural é progressiva, inodora, insípida, insensível e, o pior, bem-vinda:  quando vemos, já estamos dominados.

 

Saí de casa e fui ao Shopping Center.

Era sexta-feira, e como é moderno, o comércio copiava mais um costume americano, a Black Friday.

Antigamente, a moda vinha da França. As lojas chamavam-se Chemiserie Paris, Chez Louis, Maison Marie, Mesbla Magazine.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os americanos foram alçados a primeira potência mundial, as Alliances Françaises fecharam em várias cidades brasileiras, sendo substituídas por uma enxurrada de cursos de inglês.

Embora gostasse muito do idioma francês, meu pai anteviu o que vinha pela frente e convenceu-me a estudar inglês. Matriculei-me, assim, no Centro Cultural Brasileiro Norte-Americano, o primeiro de variada série de cursos do idioma inglês que frequentei na vida.

Nunca imaginei quão útil seria, e que, no futuro, facilitaria até as compras. Não estou falando do mundo virtual, onde o inglês é a língua da internet. Refiro-me a ação mais prosaica, como minha ida às compras na Black Friday. Outro fruto da colonização cultural que aceitamos de bom grado, como as festas de Halloween e do Thanksgiving Day e a frase “Deus seja louvado” nas cédulas do real – adaptação do “In God we trust” das notas de dólares.

Há muitos outros exemplos: Bus Rapid System (BRS), Bus Rapid Traffic (BRT), Free Way, delivery, fast food etc.

Mas é nos Shopping Centers que o fenômeno é mais visível. Antecipando as Christmas Sales, as lojas estão todas on  sale, oferecendo rebates up to 50%, e ostentando nomes como City Shoes, Escort, Mary Stewart, e Joe & Leo’s. O mais comum, no entanto, é o “’s” do genitivo inglês: Jack’s Bar, Mary’s Shop, Children’s Toys e por aí vai.

Você pode experimentar calmamente sua t-shirt, jeans, short, dock sider, pullover, blaser ou sport jacket usando os vestiários de Gentlemen ou de Ladies. Depois, pode fazer um lunch no Bob’s, ou tomar um espresso acompanhado por um cheese cake no Starbucks, antes de assistir ao último sucesso de Hollywood no Cinemark ou no Downtown. Ou fará uma refeição num self service, enquanto seu cão é atendido numa pet shop.

Sei que o fenômeno não ocorre só no Brasil e que tentativas de combatê-lo por meio de medidas legais não funcionaram em outros países. O inglês veio pra ficar e, principalmente na tecnologia da informação onipresente, nem se tenta mais criar um termo português, adota-se diretamente o vocábulo inglês. E até achamos estranho quando os portugueses empregam as palavras ficheiro, rato, sítio em vez de arquivo, mouse e site, como fazemos no Brasil.

Se isso o incomoda muito, trate de se acostumar. Aliás, já deve estar acostumado, a colonização cultural é progressiva, inodora, insípida, insensível e, o pior, bem-vinda:  quando vemos, já estamos dominados.

Mas don’t worry, be happy!

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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